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Cronicas-->Capitães de favela -- 22/10/2007 - 17:13 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
`Capitães da favela`

Jornal do Brasil

Diz o velho ditado que o hábito faz o monge. De tanto vestir (indevidamente) o uniforme de general-de-exército, o ministro Nelson Jobim está se tornando um combatente. Disse sua excelência que as Forças Armadas devem ser empregadas nos morros cariocas, da mesma forma que os expedicionários brasileiros atuam hoje nas favelas de Porto Príncipe, e que não aceita debater sobre teses acadêmicas. "O que me interessa - afirmou - é saber como o Exército pode servir melhor o país". O que interessa ao povo é que o Exército construa estradas e cuide das fronteiras, entre outras tarefas. O ministro Jobim fala em seu próprio nome, como se fosse o comandante-geral das Forças Armadas, missão constitucional do presidente da República.

O Brasil é um país dividido entre pobres e ricos. Mas, sobre ricos e pobres, procurando administrar os conflitos, deve arbitrar o Estado. O Estado - e voltamos a lembrar as palavras de Andrew Jackson - não podendo impor a igualdade absoluta entre os homens, deve agir com isenção, dando o mesmo tratamento a ricos e pobres.

Se o ministro Jobim convencer o país de que os comandos militares devem combater o crime organizado nas favelas, terá que convoca-las também para que, com os mesmos petrechos militares, combatam o crime organizado pelas grandes corporações empresariais e pelos ladrões de colarinho branco. Do contrário, além de uma justiça de classe (que invariavelmente condena os pobres e deixa os ricos impunes) teremos também um exército de classe.

Em Meditaciones del Quijote, entre textos que tratam de crítica literária, Ortega y Gasset conta a história do explorador William Parry, que encontrou, no século 19, a passagem do Noroeste no Círculo Ártico. Ele viajara um dia inteiro rumo ao Norte. À tarde, ao medir a latitude, estava muito mais ao Sul de onde partira pela madrugada. Viajara todo o dia sobre uma plataforma de gelo que se deslocava no sentido inverso a seu esforço. O ministro Jobim está viajando para trás. Quando a escravidão era explícita, oficiais do Exército, convocados para buscar escravos fugitivos, negaram-se a ser capitães do mato. É difícil acreditar que se prestarão hoje a ser capitães da favela.


Obs.: Texto extraído do site Reservaer, 22/10/2007 (F.M.).



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