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Cronicas-->Asas Indomáveis -- 25/10/2007 - 11:19 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Asas Indomáveis

Dahas C. Zarur, advogado

Do vóo de Santos Dumont não há dúvida. Foi realizado em 23 de outubro de 1906 aos olhos de imensa multidão e o Aero Clube da França, sob a presidência de Ernesto Achdeacon, firmou o documento histórico, dando ao brasileiro a prioridade do primeiro vóo humano em aparelho mais pesado que o ar, impulsionado por um motor - feito jamais realizado na longa trajetória da Humanidade.

É inútil qualquer tipo de propaganda com o objetivo de usurpar a glória de Santos Dumont aclamado pelos reis e pelo povo ao descer do seu 14 Bis, formado por um conjunto de células-papagaio do tipo Hargrave, feitos de tela de bambu, com um motor de 50 hp. Santos Dumont voou aos olhos de Paris, então a capital do mundo, e percorreu 200 metros em 21 segundos, correspondendo a uma velocidade horária de 41km/h. Cidadão do mundo, ao regressar ao Brasil, em visita à família, o cantor Eduardo Alves o saudou:

- A Europa curvou-se ao Brasil e clamou parabéns em meigo tom; brilhou lá no céu mais uma estrela. Apareceu Santos Dumont.

Nada destruirá a glória desse brasileiro que, cansado de ser notícia, deixou de voar em 1910, dedicando-se à literatura. Viajou pelo mundo, divulgando as sensações e riscos de um aviador, sua vida difícil, as duras provas a que serão submetidos (provas dolorosas e difíceis) até chegarem ao primeiro vóo, daí em diante voando sem saber se chegarão ao destino, se voltarão aos seus lares, para suas famílias, horas e horas, dias e dias sem pisar na terra.

Foi o que aconteceu. O homem podia voar como os pássaros. Hoje, as distàncias foram encurtadas, graças ao avião e à perícia, à destreza dos aviadores. Uma viagem que era feita em meses, poderá ser realizada em horas.

Hoje os céus estão cheios de gigantescos aviões, conduzindo centenas de pessoas, para os mais longínquos pontos do universo, em viagens confortáveis e seguras, com pessoal altamente qualificado.

Santos Dumont, em 1904, escreveu Dans l`air traduzido por Miranda Bastos, com o título Os meus balões.

Os meus balões foi cuidadosamente escrito. Nele, Santos Dumont relata sua infància e a vida de argonauta antes de inventar o avião. Não teve maior preocupação em descrever as emoções do Prêmio Deutsch - que ganhou em 13 de outubro de 1901, quando contornou em balão dirigível a Torre Eiffel e voltou a Saint Cloud dentro da rigorosa cronometragem de 30 minutos. Foi nesse momento que o líder pacifista Jean Jaurés escreveu:

- Somos agora apenas sombras de um homem.

Cansado de ser manchete, deixou de voar em 1910, depois de brincar nos céus de Paris com sua minúscula Demoiselle. Mergulhou a fundo na literatura e escreveu uma série de artigos para os principais jornais da França e dos Estados Unidos. Viajou pelo mundo e parou de novo no Brasil, indo para Petrópolis, onde escreveu o terceiro livro, O que eu vi e o que nós veremos, em cujas páginas já apareciam sintomas de uma mente conturbada. Foi editado o título L`homme mecanique, cujos originais trancou em seu gabinete, não entregando trabalho aos seus editores. O diplomata Aluísio Napoleão, todavia, revelou trechos da obra, na qual Santos Dumont, ao contrário do livro anterior, mostrou plena capacidade de raciocínio quando escreveu:

"Foi, posso dizê-lo (falava por volta de 1929), uma prova de tanto dolorosa para mim assistir, após os meus trabalhos sobre dirigíveis e o mais pesado que o ar, a ingratidão daqueles que me cobriam de louros alguns anos antes. Sinto-me constrangido ao ter de falar de mim mesmo - o "eu" é-me odioso - a fim de defender estes testemunhos e esta consagração que por vezes parecem inconsideravelmente haver sido esquecidos".

"Há nisto mais uma prova de minha gratidão do que uma reivindicação. Esta última seria, aliás, inútil, porque a história não se escreverá senão com o recuar do tempo e com os fatos e documentos. Alguns anos passam e tudo é esquecido".

Os milhões de dólares gastos em publicidade, com o objetivo de destruir a glória de Santos Dumont em favor dos irmãos Wright, não tiveram o menor êxito. Alberto Santos Dumont, portanto, terá eternamente a primazia do vóo.

Quis o destino que ele visse um combate aéreo em Santos, São Paulo, em 1932, entre aviões legalistas e rebeldes, durante a Revolução Constitucionalista, com a queda dos aparelhos ao mar. Comentando com um parente que o acompanhava, disse:

- Não foi para isto que inventei o avião!

Não era mais o Santos Dumont festejado pelos reis e príncipes. Sua alegria era passear ao longo da praia, com um grupo de crianças.

Santos Dumont repousa sobre um enorme ícaro, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, cópia do monumento de Saint Cloud, bastante longe do mausoléu da Academia Brasileira de Letras. A sua imortalidade está nos céus cheio de aviões e naves espaciais.

Em Alberto Santos Dumont, homenageamos todos os aviadores, rendendo-lhes um preito de admiração, respeito e agradecimento pelos grande serviços prestados à humanidade.

Palmas para a Aeronáutica Brasileira, que cultua o espírito empreendedor de SANTOS DUMONT!


Obs.: Leia, também, "Santos=Dumont: 100 anos do 14-Bis", de minha autoria, disponível no endereço http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=7758&cat=Ensaios&vinda=S (F. Maier).



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