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Infantil-->A Menina do Bairro -- 01/04/2000 - 06:30 (Andrea Sette Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A M e n i n a
d o
B a i r r o





Autora: Andrea Sette Albuquerque


Capítulo 1- As aulas de Luís
Era uma vez, um bairro muito conhecido na cidade de Campo Roxo. Era um bairro muito gostoso, e se chamava "Poripolá". Lá, moram muitas crianças; todas as manhãs elas saíam de suas casas para brincar na calçada, soltar pipa, andar de bicicleta, de patins, de skate...
Certa tarde, Luís disse para sua mãe:
— Tchau mãe, o ônibus já chegou. O ônibus de Luís chegava meio-dia e meia, e já eram dez para uma. Sabe por quê? O ônibus já tinha passado só que ele não foi para o ônibus, ele se escondeu debaixo da mesa da sala para o motorista do ônibus não vê-lo pela janela; Luís era sapeca, fazia bagunça, brigava com a irmã e não gostava de ir à aula. Ele achava uma chatice ficar uma hora ouvindo a professora falar, às vezes até dormia na aula. Mas se dava mal quando recebia uma prova ou quando a professora fazia perguntas sobre a matéria que ela havia explicado e ele não estava prestando atenção; e por isso sempre tirava notas baixas.
Sua mãe nem percebeu que o ônibus tinha passado meio-dia e meia, e que ele tinha saído dez para uma. Ela estava lavando louça e por isso não prestou atenção; ela podia ter escutado a buzina, mas é que lá em Poripolá é proibido buzinar.
Em vez de ele ir para a escola ele foi para outro bairro perto dali, e que se chamava "Marinhel". Ele adorava goiaba, mas não tinha dinheiro para comprar, ia em Marinhel para roubar goiabas, lá havia muitos pés. Ninguém de Poripolá conhecia Marinhel; Luís conheceu um menino de sua escola que se chamava Marcos, e era seu melhor amigo. Luís tem uma amizade tão forte com Marcos, que Marcos convidou Luís para conhecer seu bairro, Marinhel. Marcos também era muito sapeca, os dois gostam de roubar goiabas, quer dizer, Marcos não roubava, todos de lá deixavam ele pegar frutas no pé, ele e sua mãe são muito conhecidos no bairro, sua mãe é uma moça muito bonita, simpática, honesta, elegante, fina...

A aula de Luís terminava às seis horas, já eram quinze para as seis; para sua mãe não desconfiar que ele faltou aula, Luís disse:
— Xiii! Tenho que ir, já são quase seis horas.
— Ah, não! Fica mais um pouquinho, eu quero te mostrar os pés de manga, carambola,

jabuticaba e amora. Ali tem uma loja de doces, uma loja que vende pão-de-queijo. Fica só mais

um pouquinho, vai, por favor.
— Sinto muito, mas eu não posso, tenho que chegar em casa às seis horas.
— Tá bom, então outro dia você volta, tá?
— Não, eu não posso faltar à aula de novo, pensando bem eu acho que eu vou perder alguma matéria e talvez não passar de ano. Além disso, não posso ficar enganando minha mãe.
— Tá bom, então tchau!
— Tchau!

Luís foi para sua casa, mas no meio do caminho encontrou uma pobre menina sozinha na rua pedindo comida; ela acabava de ser abandonada pelos seus pais. Luís sentiu pena dela e resolveu levá-la para Poripolá. Ele não conhecia a menina, mas olhou no fundo de seus olhos e viu que ela estava muito triste, e além disso passava fome. Luís a levou para uma casa lá do bairro que estava abandonada há muito tempo, mas que
ainda é bonita. Luís deu comida para ela -- pegou um de seus salgadinhos na mochila -- e foi para casa. Ele não contou dessa menina para ninguém, fingiu que nem a conhecia.

Capítulo 2 - A Menina no Bairro
Mas numa manhã ensolarada, a menina desceu para brincar na pracinha, pensou que a casinha que tinha lá, fizesse parte dos brinquedos da pracinha, mas era uma casinha de árvore que umas crianças fizeram para brincar. Como a casinha é alta, os cachorros não alcançam...
Quando as outras crianças viram aquela menina desconhecida na casinha da árvore, elas gritaram:
— Ei garota, o que você está fazendo aí?
— Ué, eu estou brincando, por acaso o parquinho é de vocês?
— O parquinho não, mas a casinha da árvore sim. Nós que construímos, e não convidamos você para brincar nela.
— Eu acho melhor eu sair mesmo, vocês são muito egoístas.
As crianças cochicharam:
— Ai, que menina chata, ela nem conhece a gente e quer que a gente empreste as nossas coisas pra ela.
— É mesmo. Eu nunca vi essa garota na minha vida, de onde será que ela veio? - disse outra criança.
— Sei lá, mas nós temos que tirar ela daqui, essa garota é muito chata, usa as nossas coisas sem pedir, e depois ainda reclama da gente.




Capítulo 3 - Regina, uma adolescente muito estranha
No mês passado uma família se mudou do bairro, e foi para "Tatiburé". A casa deles estava à venda. Nessa manhã, uma família que tinha uma adolescente muito estranha comprou essa casa. Em cima do sofá de sua casa tem um esqueleto horroroso, no seu abajur tem uma lâmpada roxa, ela convidou as meninas para jantar na sua casa, elas aceitaram. O jantar de lá é sopa de: jiló, quiabo, berinjela e cebola; para beber foi suco de: tomate, berinjela, beterraba, cenoura e limão. É horrível essa comida, o suco então, nem se fala, quando elas viram aquela comida, elas queriam sair correndo e não comer nada, mas elas tiveram que comer tudinho, coitadas delas. Depois a adolescente, que se chama Regina, convidou-as para brincar no seu quarto que também é um horror, as bonecas têm o cabelo todo mofado, a roupa toda suja e o corpo todo rabiscado. Aquele quarto dá nojo, é muito feio.
Depois, elas foram para casa e tiveram uma desagradável dor de barriga. Elas morreram de raiva da Regina. Clara disse:
— Ela vai pagar caro por essa dor de barriga que nós estamos sentindo, ela vai ver!
— Ah, e isso vai ser mais rápido do que ela pensa. Nós temos que agir o mais rápido possível, antes que ela nos convide para jantar de novo na casa dela - Disse Caroline.
— Ai, se essa menina convidar a gente outra vez para jantar na casa dela, prefiro que ela nos convide para irmos em um restaurante. Eu não vou jantar na casa dela de novo nem morta. - Falou Amanda, com muita raiva da Regina.

Capítulo 4 - O passeio no beco
— Você tem razão, Caroline, isso tem de ser feito o mais rápido possível. Que tal se for hoje mesmo? - Disse Adriana, que também tinha almoçado lá.
— É, nós podemos dar um pequeno susto nela, nós podemos levá-la para um lugar feio dentro de um carro, e depois nós falaremos: "ai, que fome; e, pega umas frutinhas para nós"; quando ela for pegar, nós pedimos para nossa mãe ligar o carro, sair bem rápido e deixar a menina lá mesmo; mas nós não vamos falar isso, a gente arranja uma desculpa porque se não, ela não vai querer deixar a menina lá, sozinha, no lugar horrível. Mas que desculpa nós vamos falar para nossa mãe? - Falou a Clara.
— Eu achei uma boa idéia. E também já sei qual pode ser a desculpa, nós podemos falar para nossa mãe, que as frutas daqui estão muito verdes, e se nós não podemos pegar algumas frutas lá de casa. Se ela não deixar, nós falaremos que foi a Regina quem falou que nós podemos ir nas nossas casas pegar algumas frutas, que lá tinha umas muito verdes e talvez ela não achasse nenhuma lá. Ela falou que não quer que nós fiquemos com fome. - Disse Caroline já tramando alguma coisa.
Todas as meninas concordaram, e já estavam pensando num lugar.
— Tem de ser um lugar onde todas as frutas do pé estejam verdes, e também tem de ser um lugar feio, para a Regina se assustar de medo. - Disse a Amanda.
Nenhuma delas conseguiu lembrar de um lugar que tivesse essas características (com todas as frutas verdes, feio para ela se assustar e que possa chegar lá de carro). Mas depois de uns cinco minutinhos, a Adriana conseguiu pensar num lugar perfeito para isso. Ela falou:
— Gente, eu sei um lugar ótimo! Nós podemos fazer isso no beco do bairro, o homem que cuida de lá está de férias, ninguém vai nos impedir de brincar lá, e também, se ele está de férias não tem ninguém para regar as plantas de lá, faz tempo que não chove, as folhas já devem estar secas. Faz tempo que ninguém arranca as frutas do pé, elas já devem estar apodrecidas, e a árvore cheia de teias de aranhas. Dentro do carro eu acho que ela não deve sentir muito medo, eu só quero ver quando ela estiver sozinha lá no beco!
— É verdade, lá é um ótimo lugar, mas nós temos que ver antes se o lugar está realmente descuidado e feio.
A Regina, que estava chegando e parou atrás da porta, ficou ouvindo tudo, e já sabe agora que vai cair numa armadilha para assustá-la, então ela já vai se preparar: no dia ela não vai descer do carro para pegar frutas e nem vai fazer nada que elas pedirem.
As meninas foram ver se o beco estava realmente bem descuidado e feio. A Regina, que tinha ouvido tudo, também ouviu que elas iam lá no beco, então ela resolveu ir também lá, mas vai fingir que não ouviu nada e que não sabe de nada.
Elas chegaram lá, e logo depois a Regina também chegou lá. O lugar realmente era muito feio, sujo e com as folhas das árvores cinzentas, algumas caídas no chão. De repente, as meninas encontraram a Regina e ficaram super espantadas e aflitas.
— Olha só quem está aqui, a Regina. Eu acho que a nossa idéia vai para o espaço, ela não vai mais cair. Nós temos que fazer alguma coisa. - Cochichou Clara.
— A nossa idéia não vai ir para o espaço, tenha fé. - Cochichou Amanda.
— Temos que falar com a Caroline e com a Adriana, elas devem pensar em alguma coisa. - Cochichou Clara.
Amanda e Clara foram falar com a Caroline e com a Adriana para ver se elas tinham alguma idéia. Mas cochichando, para a Regina não ouvir.
— Caroline, Adriana, a Regina está aqui, nós temos que fazer alguma coisa. O que nós vamos fazer? - Perguntou a Amanda bem aflita.
— Qual é o problema? Nós não podemos vir mais aqui no beco só por causa dessa menina? O beco é público, a gente pode vir aqui a hora que nós quisermos. Além disso ela não ouviu o que combinamos. Como ela vai saber que nós viemos aqui para fazer aquilo que acertamos, ela pode pensar que nós viemos aqui só para passear. - Disse Caroline.
— Você tem razão, Caroline, ela não vai saber que nós viemos aqui para fazer "aquilo", e sim para passear. - Disse Clara.
— Gente, agora vamos embora. Já vimos o beco, sabemos que ele é horroroso, agora vamos. - Disse Amanda.
Quando elas iam embora, elas encontraram com a Regina de novo, só que dessa vez a Regina falou com elas:
— Oi gente, que surpresa ver vocês por aqui. Mas o que vocês estão fazendo por aqui?
— É que nós estávamos vendo se o beco estava muito feio, se ele estivesse bem feio nós não íamos fazer nada, mas se ele estivesse um pouco bonito, nós íamos convidar você para passear conosco aqui. Você quer? - Perguntou Adriana.
— Bom, já que é assim, vamos passear agora mesmo, já que estamos aqui. Não é? - respondeu Regina.
— É que eu queria convidar a minha mãe também, e agora ela está ocupada. Você quer que amanhã de manhã nós busquemos você?
Perguntou Adriana.
— Já que você quer passear com a sua mãe, hoje você passeia comigo e amanhã você passeia com a sua mãe. - Respondeu Regina.
— Mas é que a minha mãe quer conhecer você. - Falou Adriana.
— Tá bom. Então amanhã você me busca, às nove horas da manhã. - Falou Regina.
— Tá bom. Tchau! - Falou Adriana.
— Tchau! - Despediu-se Regina.
As meninas foram para suas casas, e a Regina também foi para a casa dela. E finalmente chegou o grande dia, eram oito e quarenta e dois e as meninas já preparavam tudo do jeitinho que elas queriam. E elas torciam para dar certo. Eram oito e cinqüenta e elas disseram, "mãe, vamos lá no beco, já está na hora que nós combinamos."
E elas foram para o beco com tudo já combinado. Quando elas chegaram lá a Regina já estava lá, esperando.
As meninas também tinham levado alguns brinquedos para elas brincarem, elas ficaram lá, brincando, conversando, dançando... E de repente a Clara falou:
— Gente, eu estou com fome. Regina, você pega algumas frutinhas pra mim, por favor?
— Não precisa se preocupar, eu trouxe frutas, biscoitos, doces e salgadinhos. Está dentro de uma cesta, a cesta está num banquinho ali perto. Esperem um pouquinho que eu vou pegar. Mas alguma de vocês tem de ir comigo, esse lugar dá medo. - Disse a Regina.
— Sinto muito, mas eu estou com muita fome, eu não consigo nem levantar. Disse Amanda.
— Ai, eu também. - Disse Caroline.
— Nossa, que coincidência, sabe que eu também estou. - Disse Adriana.
— Tá bom, então eu vou sozinha. Mas se tiver algum monstro atrás de mim vocês me avisam, tá? - Perguntou Regina com muito medo.
Todas responderam: "Tá!" E ela foi tranqüilamente pegar sua cesta de comida. Enquanto as meninas pediam para a mãe delas ligar o carro, elas se escondiam no carro para a Regina não vê-las. Depois, elas saíram do beco discretamente e foram para casa.

Capítulo 5 - A descoberta do plano do beco
Quando elas chegaram em casa começaram a rir sem parar, e uns quinze minutos depois o telefone toca trim... trim... trim... E logo depois a Clara atende o telefone.
— "Alô". - Disse Clara engolindo o riso.
— Eu só queria dizer, que eu não achei graça nenhuma no que vocês fizeram comigo, para falar a verdade eu já sabia de tudo. Quando vocês estavam discutindo sobre o susto que iam me dar, eu estava ouvindo tudo, tudo mesmo, nos míiinimos detalhes. - disse Regina, pois foi ela que ligou para as meninas.
— Ai, que mentira, se você ouviu tudo, por que você ficou lá no beco sozinha? Se você soubesse da nossa idéia não teria ficado lá no beco sozinha, a nossa idéia era você ir no beco conosco e depois a gente deixar você sozinha lá, para você morrer de medo.
— É verdade, eu já sabia de tudo, já sabia que vocês iam mandar eu ir lá pegar umas frutinhas, e depois me deixar lá sozinha. Eu sei que lá não tem frutas, então, eu já trouxe uma cesta de frutas, para não precisar sair para pegar frutas, era só pegar a cesta e a gente comia as frutas. O que aconteceu foi que eu tinha que sair do mesmo jeito só que não era para pegar frutas no pé, e sim para pegar a minha cesta. Quando eu fui pegar a cesta, vocês me deixaram lá. Mas não aconteceu nada de mais, eu já tinha ido naquele beco várias vezes, já me acostumei com o local, quando eu voltei para o lugar onde vocês estavam e vi que vocês não estavam mais lá, eu logo voltei para casa. - Disse Regina.
— Então, tchau! - Disse Clara.
— Quem era no telefone? - Perguntou Caroline.
— Era a chata da Regina. Ela disse que já sabia de tudo o que tramamos. - Respondeu Clara.

Enquanto isso, na casa da Regina...
— Filha, por que você me pediu para te buscar no beco? O que você foi fazer lá? Lá é um lugar tão feio, descuidado, abandonado. - Perguntou a mãe da Regina.
— É que as nossas vizinhas me convidaram para ir no beco com elas. Mas quando eu cheguei lá, elas começaram a conversar comigo, como se fosse minhas amigas, mas depois veio a parte má. - disse Regina.
— Que parte má? Perguntou a mãe da Regina novamente.
— É que elas tiveram uma idéia, elas disseram que estavam com muita fome, e que era para eu pegar umas frutinhas nas árvores para nós comermos. Aí eu fui lá, mas quando eu voltei elas não estavam mas lá e eu fiquei lá, sozinha, naquele lugar horrível. Mas eu logo pensei em você, procurei o orelhão mais próximo e liguei para você.
— Mas por que elas fizeram isso, eu pensei que elas fossem suas amigas. Há um tempo atrás elas eram. Por acaso você fez alguma coisa com elas? - Perguntou a mãe da Regina.
— Bom, eu não sei mas eu acho que elas não devem ter gostado muito da comida que eu fiz. Deve ter dado uma dor de barriga nelas. - Disse Regina.
— Filha, eu conheço você, eu sei que se você fez alguma comida ruim foi de propósito, as únicas comidas que você sabe fazer são nuggets e bolo. O bolo e os nuggets que você faz são uma delícia. O que você colocou na comida para ela ficar ruim? - Perguntou a mãe.
— É que eu não fiz bolo nem nuggets; como estava de noite eu fiz uma sopa. Eu peguei vários legumes, tirei a casca, cortei em quadradinhos, fiz um caldo e coloquei no forno de microondas. - Disse Regina, como se soubesse fazer direitinho uma sopa.
— Filha, você nem sabe fazer uma sopa e tenta fazer, logo para uma pessoa que você nem conhece direito. Só por causa disso elas não gostam mais de você. Você já pediu desculpas a elas? - Perguntou a mãe.
— Não, mãe, eu não pedi desculpas a elas. - Disse Regina.
— Então peça agora mesmo. - Disse a mãe da Regina.

Capítulo 6 - Pedindo desculpas
Enquanto isso, na casa das meninas, o telefone toca outra vez. Trim... trim... trim... E Amanda atende:
— Alô.
— Oi, aqui é a Regina, eu sei que hoje vocês não querem nem ouvir a minha voz, mas é que se vocês ficaram chateadas comigo por causa do jantar daquele dia, me desculpem. O problema é que eu não sei fazer sopa direito. - Disse Regina.
— Olha aqui Regina, todo mundo sabe que você fez isso de propósito, se você sabia que a sua sopa ia ficar um pouco ruim porque você não sabe fazer sopa direito, por que você obrigou a gente a comer tudinho, hein? - Perguntou Amanda.
— Ah, eu não queria jogar a sopa todinha no lixo, tem tanta gente passando fome, e você acha que eu vou jogar comida no lixo, isso é um desperdício. - Disse Regina.
— Pra mim não é nenhum desperdício. O que você prefere, jogar fora uma comida horrorosa, ou ficar com uma terrível dor de barriga? - Perguntou Amanda.
— Ah, não sei não tá. Tchau! - Disse Regina.
— E agora, é a Regina de novo? - Perguntou Adriana.
— É a Regina outra vez e dessa vez ela ligou para pedir desculpas. - Disse Amanda.
— Mas desculpas por quê? Por já saber de tudo o que fizemos com ela? - Perguntou Adriana.
— Não, porque ela deixou a gente com dor de barriga, naquele dia do jantar, lembra? - Perguntou Amanda.
— Ah, lembro. Muito engraçadinha mesmo, né? - Disse Adriana.
Enquanto isso, na casa da Regina...
— E aí filha, pediu desculpas a elas? - Perguntou a mãe da Regina.
— Pedi mãe, mas elas não quiseram me desculpar. - Disse Regina.
— Mas por que, filha? - Perguntou a mãe.
— Nada, mãe; esquece. - Disse Regina.
— Mas, filha, eu não quero ficar brigada com ninguém, e nem quero que você fique, ouviu, com ninguém! - Disse a mãe.
— Mas mãe, o que eu posso fazer se elas não querem me desculpar. O que eu posso fazer? - Perguntou Regina.
— Olha, Regina eu não sei, mas se você continuar assim, você não vai poder nem descer, você não vai ter amigas para brincar... -- Preocupou-se a mãe.
— Kátia, amanhã eu vou brincar no parquinho, se elas me convidarem para brincar ou pelo menos me deixar brincar no parquinho tudo bem. Mas se elas não deixarem eu brincar aqui, nós vamos ter que se afastar delas, ou até se afastar daqui. - Disse Regina.
— Regina, não me chame de Kátia, eu sou a sua mãe, me chame de mãe. Já que você tocou no assunto de se afastar daqui, se elas não aceitarem mais você aqui, nós vamos ter que mudar daqui. - Disse a mãe.
— Tá bom, mãe, mas agora deixa eu descansar no meu quarto um pouquinho, tá? - Encerrou Regina.

Capítulo 7 - O sorvete
Enquanto isso, no quarto da Regina...
Nossa, que ótima idéia! Vou ligar para as meninas, quem sabe elas não querem tomar um sorvete comigo, eu estou com uma vontade de tomar sorvete. Vou pedir dinheiro para a minha mãe, mas antes eu vou convidar elas.
— Alô! - Disse Caroline.
— Oi, quem está falando é a Regina. Estou ligando para convidar você, a Clara, a Amanda e a Adriana para tomar um sorvete, lá na sorveteria de esquina. Vocês aceitam?
— Nós vamos pensar, daqui a pouco nós ligamos pra você. - Disse Caroline.
— Tá, tchau! - Disse Regina.
— Tchau! - Disse Caroline.
— Gente! Gente! A Regina ligou, ela está nos convidando para irmos na sorveteria. Será que a gente aceita? - Perguntou Caroline.
— Bom, nós podemos pensar. Eu acho uma boa idéia, já que não é ela que vai fazer o sorvete nós podemos ir! - Disse Amanda.
— Eu concordo com a Amanda, eu adoro o sorvete de lá. - Disse Adriana.
— É, mas ela pode estar armando alguma para a gente. Vocês não acham? - Disse Clara.
— Não, eu não acho que ela possa estar armando alguma para a gente, naquela hora ela até queria pedir desculpas para a gente. Disse Caroline.
— Vamos falar com ela que nós queremos ir na sorveteria com ela. - Disse Adriana.
As meninas ligam para a Regina. Amanda liga e Regina atende:
— Alô.
— É a Amanda, nós aceitamos o convite.
— Tá bom. Estou esperando por vocês lá na sorveteria, hoje mesmo, às 14:30. - Disse Regina.
— Tchau! - Disse Amanda.
— E aí, o que ela disse? - Perguntou Clara.
— Ela disse que está esperando a gente na sorveteria da esquina, hoje mesmo, às 14:30. - Respondeu Amanda.
E finalmente chegou a hora, 14:30. E a Regina já estava lá esperando as meninas. De repente, as meninas chegaram na sorveteria pontualmente. Caroline disse:
— Oi, tudo bom?
— Tudo, vamos tomar o sorvete? - Perguntou Regina.
— Vamos, eu vou querer um "Sundae de chocolate". - Disse Adriana.
— Eu vou querer um "Sundae de caramelo". - Disse Clara.
— E eu uma "Banana Split". - Disse Caroline.
— Eu vou querer uma casquinha de baunilha, com duas bolas. - Disse Amanda.
— E eu um copinho de banana caramelada, e não precisam se preocupar, eu que vou pagar tudo. - Disse Regina.

— Nossa, o sorvete está uma delícia! - Disse Clara.
— Ai gente, eu quero ir no banheiro mas eu não sei onde é, alguém pode ir comigo? - Perguntou Amanda.
— Eu posso ir com você, o meu sorvete já está quase acabando. - Respondeu Regina.
— Claro! Vamos lá. - Disse Amanda.
Então as duas foram no banheiro, enquanto as outras meninas tomavam seus sorvetes. Enquanto isso, na ida para o banheiro, Regina e Amanda conversavam, e de repente:
— Oh! Meu sorvete caiu todo em cima de você! - Disse Amanda preocupada, mas ao mesmo tempo pensando: bem feito!
— Não acredito, você sujou toda a minha roupa! - Disse Regina, pagando o maior mico, com a roupa toda suja.
— Desculpa, foi sem querer. Eu não fiz isso de propósito, eu juro que ele caiu sozinho.
— Ah é, você quer que eu acredite em você, depois de tudo o que vocês armaram pra mim, isso não é mais uma armação?
— Não, não é nenhuma armação. Eu juro que não, mas se você não quer acreditar, tudo bem. O sorvete estava uma delícia, você acha que eu ia jogar ele todo fora, ainda mais em cima de você. Bom, como eu já acabei de comer eu vou embora. Vamos, gente.
— Vamos, eu também já acabei. - Disse Adriana.
As meninas foram para casa e todas elas queriam saber o que aconteceu com as duas, enquanto iam para o banheiro.
— E aí, o que aconteceu lá? Eu vi vocês duas discutindo. - Disse Clara.
— O meu sorvete caiu em cima dela e sujou a roupa dela! Mas eu não joguei, foi sem querer. - Defendeu-se Amanda.
— E o que ela fez? - perguntou Caroline.
— Ela ficou dizendo que foi de propósito, e discutindo comigo. - Disse Amanda.
— Ah, no fundo, no fundo, bem feito para ela! - Disse Adriana.
— Sabe, eu também acho! - Disse Amanda.
Uma olhou para a outra, e elas começaram a rir.


Capítulo 8 - A mudança
Enquanto isso, Regina vai para casa. Chegando lá:
— Oi, mãe! - Disse Regina, com a blusa toda suja de sorvete.
— Oi. Por que a sua blusa está suja? - Perguntou a mãe.
— Nada, só caiu um pouco de sorvete na minha blusa, mas não deve manchar. Foi a Amanda que deixou cair o sorvete dela em mim. Mas eu confio nela, eu sei que foi sem querer.
— Eu sabia que foi alguém ou alguma coisa que aconteceu, eu sabia que não foi você sozinha que sujou. Não é por nada não, é só pela sua carinha, você está um pouco triste?
— É que eu sei que não foi nada que elas fizeram contra mim. Eu sei que foi sem querer, mas eu sei que elas não são realmente minhas amigas. Eu acho que nós vamos ter que mudar daqui.
— É verdade, nós temos que mudar daqui o mais rápido possível. Nós temos que falar com o seu pai.
Regina foi falar com seu pai, que se chama Antônio.
— Pai, nós vamos mudar daqui.
— Mas filha, aqui é um bairro tão bom, o verde das gramas é tão bonito, as formigas, as borboletas. Por que nós vamos mudar daqui?
— Porque essas nossas vizinhas são muito chatas, elas não deixam eu brincar com elas, e também elas não gostam de mim.
— Mas tudo tem seu motivo, não é?
— É, mas você não pode saber o motivo agora, é uma longa história.
— Mas você fez alguma coisa com elas?
— Já disse, é uma longa história.
— Tá bom, amanhã você me conta essa longa história, e talvez nós mudemos esta semana mesmo. Agora vai dormir que já está um pouco tarde.
No dia seguinte, Regina contou a toda a história para o seu pai e ele compreendeu tudo. Logo que puderam eles arrumaram as malas e mudaram do bairro. Eles foram para um bairro que se chama "Lima César" que fica bem distante dali. Mas antes Regina foi se despedir das suas vizinhas. Afinal, é a ultima vez que elas vão se ver...





Capítulo 9 - A despedida - e as novidades...


— Oi, gente, eu vou me mudar daqui hoje mesmo; vou para o bairro Lima César. Eu queria me despedir de vocês. Tchau!
— Tchau! Vê se arranja amigas lá, porque senão você vai ter que ficar só mudando de bairro, toda semana. É melhor você não ficar fazendo brincadeirinhas de mau gosto com as pessoas, e tratá-las bem. - Disse Caroline.
— Eu concordo com a Caroline. - Disse Amanda.
— E se você quer ser igual a nós, pessoas felizes, uma amiga da outra, seja honesta, legal, tenha amor no coração. - Disse Clara.
— Boa viagem, e nunca se esqueça do que nós estamos falando, vai ser muito bom para você, Regina. - Disse Adriana.
Todas deram um abraço bem forte de despedida na Regina, e sua mãe disse: — Regina, vamos, já está na hora.
E as meninas cochicharam:
— Que bom que ela foi embora, agora não tem ninguém para implicar conosco, nós vamos brincar tranqüilamente!

Adriana foi correndo para a casa do Luís, para contar a novidade para ele. Depois de ouvir a novidade, Luís disse:
— Também tenho uma novidade para contar para você: minha mãe finalmente deixou você ficar morando na nossa casa.
Adriana ficou com lágrimas nos olhos. Ficou com vontade de dar um primeiro abraço em Luís, mas ela se conteve, por causa da sua vergonha.

E assim a alegria voltou a reinar em Poripolá, onde as crianças continuaram a brincar na calçada, soltar pipa, andar de bicicleta, de patins, de skate...



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