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Cronicas-->O vinho e o fel. Têm diferença? -- 19/08/2008 - 09:37 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
O VINHO E O FEL. TÊM DIFERENÇA?

Públio José - jornalista

(publiojose@garrapropaganda.com.br)

A humanidade sempre buscou o caminho da felicidade. Até quando entra em guerra, o homem pensa está percorrendo um caminho para viver uma vida melhor. Os assaltantes, os marginais, por exemplo, enveredam pela trilha do crime imaginando atingir o sucesso, o ter, o poder, e a condição de adquirir os bens da moda, de andar como os demais. O que as pessoas, na maioria das vezes, não param para pensar é nas consequências dessa busca desenfreada pela felicidade. O jovem logo cedo começa a ter acesso ao álcool, querendo, com isso, se igualar aos mais velhos, e viver novas sensações. Conheço a história de um homem que entrou nessa muito cedo. Aos sete anos de idade já dava um show de bola (de bola não, de álcool) nas reuniões que o seu pai mantinha com os amigos, regadas à bebida alcoólica, ao ponto de ficar conhecido pelo apelido de "Tampinha", pois se iniciara na bebida - com o incentivo do pai - sorvendo seus goles nas tampinhas de garrafa de cerveja, de cachaça, de uísque...

Eram os tempos do vinho em sua vida, da alegria contagiante, inebriante, trazida pelo álcool. Os prazeres do mundo vêm primeiramente assim: com alegria, descontração, sensação de poder, de independência, fervor sexual... E depois? Bem, depois veio o fel. O homem em questão tornou-se alcoólatra ainda jovem, destruiu um património de mais de R$ 3 milhões, foi acometido de crises profundas de depressão, hospitalizado várias vezes com ocorrências de cirrose hepática, dado como morto outras tantas, enfrentando, enfim, um calvário terrível. No seu exemplo de vida o vinho não foi nenhum motivo de alegria. Ao contrário, foi a introdução, a iniciação a uma vida de derrota, de lutar diariamente contra a dependência, de confrontar enormes dissabores. Aliás, essa é uma das principais características do álcool: o início é muito bom, o sabor é altamente satisfatório ao paladar. Depois...

Na Bíblia tem histórias muito interessantes a respeito de práticas inconvenientes e perigosas como o consumo do álcool. Um exemplo marcante é o de Noé - o que construiu a arca. Certa noite Noé exagerou no vinho e embriagou-se. Ficou de pileque mesmo. Tanto ficou que tirou a roupa e passeou pela tenda inteiramente nu. Foi um alvoroço. Imaginem o ridículo da cena. Um homem velho, embriagado e nu! O costume da época proibia aos filhos verem a nudez dos pais. Todos da casa se esconderam para não flagrarem o pai em tal situação. Aí Cam, o filho mais novo, não contendo a curiosidade, viu tudo e foi contar aos seus irmãos. De costas, Sem e Jafé, também filhos de Noé, pegaram uma capa e cobriram a nudez do patriarca. De manhã, ao acordar, veio o fel. Noé ficou uma fera quando soube que fora visto nu. Aí, além da ressaca física e moral, teve que tomar uma atitude muito dura para restabelecer a sua autoridade. Amaldiçoou Cam, seu filho mais novo, certamente o mais querido, o xodó da casa. Expulsou-o do convívio da família e ainda profetizou que ele e seus descendentes seriam escravos dos seus irmãos. Foi fel pra todo lado, não foi?

Entretanto, não estou aqui exclusivamente para execrar o álcool. Existem outros tipos de vinho. A droga, a vaidade exacerbada, o consumismo sem controle. Você entra numa loja e a vendedora vem, toda solícita, lhe mostrar os últimos lançamentos da moda. É o vinho. As roupas lindíssimas, os acessórios mais ainda. Sapatos, bolsas, cintos, perfumes... Você foi à loja para dar uma simples olhadinha. Mas não resiste e sai de lá com um monte de pacotes e um grande sorriso estampado no rosto. É o vinho. Depois vem a dificuldade para pagar, o cheque que volta sem fundos, o cartão que não consegue quitar, noites sem dormir, nome no Serasa, no SPC, angústia, dor... É o fel.

E a droga? Está na moda. Trafega hoje em dia em todas as classes sociais, em todos os segmentos económicos, em todas as faixas etárias - logicamente com exceção das crianças de peito, de colo, em idade pré-escolar. É o máximo, o fino, o chique, consumir droga. As sensações inebriantes, a cabeça a mil, a sensibilidade que aflora em toda a sua plenitude, alegria, sensação de poder, apetite sexual à toda. É o vinho. Conheço também um homem que foi possuidor de cinco fazendas e de mais de três mil cabeças de gado. Torrou tudo para comprar droga. Era rico, culto, inteligente, refinado, poderoso, vaidoso e consumidor de droga. Era o vinho. Terminou mendigo pelas ruas de Salvador, pobre, abandonado, sem esperança, seu rumo. É o fel.

Está na hora de você fazer uma reflexão em sua vida, uma análise profunda de seus atos, de suas amizades, para discernir o que é vinho e o que é fel. Saber que o dinheiro, por exemplo, é uma fonte de onde pode jorrar muito prazer - ou muito dissabor. O dinheiro não é brincadeira. Pode lhe encaminhar para as trilhas da arrogància, da aridez de sentimentos. São notórios os casos de pessoas que, de tanta importància que deram ao dinheiro, somente ao dinheiro, terminaram se descobrindo miseráveis espirituais, despossuídas de amizades verdadeiras, deixando no seu caminhar um rastro de decepção e tristeza.
Repito. Já é hora de você trazer ao seu dia a dia uma profunda reflexão sobre o vinho e o fel. Pois a diferença que existe entre eles é tão somente o tempo que o primeiro leva para chegar ao estágio do segundo. Reflita, analise, pense - e tome uma atitude. O vinho - aqui simbolizando o álcool, a droga, o amor exagerado ao dinheiro, a celebração do ego, a falsidade, o individualismo, o consumismo, o materialismo - não deve dominar sua vida. Você foi feito por Deus para vencer todo esse azedume, toda essa pobreza espiritual. Baseado nisso, passe, a partir de agora, a preencher o seu interior e a sua vida com um vinho diferente. O vinho que traz a paz, o amor ao próximo, o perdão, a compreensão, a paciência. Sentiu a diferença? Esse é o vinho que devemos passar a destilar. Você concorda?


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