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Cronicas-->Ilha Grande 0 x Bangu 8 -- 30/08/2008 - 22:19 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

Ilha Grande 0 x Bangu 8

Repórter do Crime


Num país de curta memória histórica, os fatos do passado tendem a se repetir no presente, sem que a administração pública se dê conta da gravidade que isso representa. Como exemplo clássico de tal desatino, o nosso sistema prisional se mostra bastante pertinente, notadamente se levarmos em consideração o que vem ocorrendo, de forma particular, no chamado presídio de Bangu Oito.

A "FALANGE VERMELHA", que se notabilizou sob o epíteto de "COMANDO VERMELHO", nasceu entre 1969 e 1975 no Rio de Janeiro, tendo como principais líderes William da Silva Lima, Paulo Nunes Filho, Carlos Alberto Mesquita, Paulo César Chaves, José Jorge Saldanha, Eucanan de Azevedo, Apolinário de Souza e Iassy de Castro, todos encarcerados no então Instituto Penal Càndido Mendes, conhecido como Presídio da Ilha Grande ou "Caldeirão do Diabo". O "COMANDO VERMELHO" resultou da reunião de presos políticos com presos comuns na Galeria "B" do presídio da Ilha Grande, pois esses presos comuns haviam sido condenados, na maior parte das vezes, por assalto a banco, com base na Lei de Segurança Nacional, numa tentativa, por parte do governo militar, de equiparar os revolucionários de esquerda aos criminosos de alta periculosidade. Resolviam-se, assim, dois problemas numa só solução.

Desta forma, a despeito de uma convivência nada harmoniosa, floresceu entre tais grupos um respeito e admiração por parte dos presos comuns à organização, disciplina e companheirismo existente entre os presos políticos - revolucionários de esquerda - o que lhes permitia sobreviver àquele inferno. Os internos da Galeria "B", presos comuns e revolucionários, passaram então a partilhar experiências, tendo os presos comuns adquirido, através de longos e contumazes encontros, o MODUS OPERANDI das guerrilhas revolucionárias, surgindo assim uma curiosa versão da "síndrome de Estocolmo coletiva entre presos comuns e excluídos políticos", dentre eles Fernando Gabeira e José Dirceu, além de outros. Em 1994 o presídio foi implodido com 200 quilos de dinamite, mas parece que os ecos de tal explosão perduram até hoje, já alcançando o Complexo Penitenciário de Bangu (ou Gericinó). A sociedade assiste - sem se dar conta - a construção de um novo "Caldeirão do Diabo" muito mais explosivo, pois o poder público parece não enxergar o perigo e a temeridade de se misturar policiais e políticos com delinquentes do colarinho branco, onde criminosos que atuavam em quadrilhas, formadas por agentes do próprio estado, com ou sem mandato político, passaram a compartilhar espaço comum com criminosos de lesa-pátria, contra a ordem tributária, sonegação fiscal, dentre outros.

Assim, não tardará em ostentarmos o título de estado federativo com pós-graduação, doutorado e MBA em "Práticas Criminosas Mistas e Avançadas", fazendo inveja à máfia corsa francesa, à Cosa Nostra siciliana, à Camorra napolitana e à N`Drangheta calabresa.

Recente matéria publicada na "Folha de São Paulo" (03/08/2008) dá conta de que "a movimentação começa cedo. Antes das 9h, o desfile de mulheres de sapatos de salto alto toma conta da entrada do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio. Toyotas, Mitsubishis, Hondas, Citroëns e até um carro oficial da Assembléia Legislativa do Rio, todos com vidros escuros, trazem as visitantes, carregadas de sacolas e bolsas térmicas com comida." Segundo o cabo PM Faria "é um pessoal muito educado", comentava após checar a identificação de Rafaella Cacciola, filha do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. "O frenesi em frente ao complexo aumentou nas últimas semanas, principalmente às segundas e sextas-feiras, dias de visita em Bangu Oito, como é mais conhecida a Penitenciário Pedro Lino Werling de Oliveira, uma das 23 do complexo de segurança máxima. Ela virou a prisão mais VIP do Rio".

O título se justifica pela lista de presos célebres. Além de Cacciola, estão lá o ex- Secretário de Saúde do Rio Gilson Cantarino, seu subsecretário Itamar Guerreiro, Álvaro Lins e os chamados "INHOS", Ricardo Hallack, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerominho (PMDB); o inspetor da Polícia Civil, Odnei Fernando da Silva (acusado de comandar a milícia que torturou jornalistas de "O Dia"), dentre outros. "Só tem sangue bom no 8", brinca um agente penitenciário que dá plantão no Presídio Moniz Sodré, no mesmo complexo".

Mas tanta gente influente junta dá trabalho. Um policial, que prefere não ser identificado, define o clima lá dentro. "ESTÁ UM INFERNO. MILIONÁRIO, POLICIAL CIVIL, DEPUTADO, MILICIANO E BICHEIROS JUNTOS É DEMAIS PARA OS AGENTES PENITENCIÁRIOS DAREM CONTA. É MUITA GENTE PRA COLOCAR BANCA". A pressão parece ser intensa. O poder deles é grande e as tentativas de interferência se mostram perniciosas. Pois bem: se criminosos comuns já fazem aquilo que todos sabem dentro dos presídios, imaginem então o quê não poderão fazer tais honoráveis e inalgemáveis hóspedes? Já está na hora de a administração pública dar uma pronta e eficaz resposta ao problema, pois se for pagar pra ver vai correr o risco de perder o jogo, até porque o outro "time" possui exímios jogadores, e apostadores também.


Rio de Janeiro, 21 de agosto de 2008.

Alexandre Neto e Alberto Calvano


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