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Cronicas-->Lendas e mitos amazónicos -- 13/09/2008 - 21:52 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Lendas e mitos amazónicos

Por Cel Eng R/1 HIRAM REIS E SILVA

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Luís Càmara Cascudo, em sua sabedoria inconteste, dizia que no Brasil tudo estava por começar. Na verdade, ainda não começamos a conhecer nosso grande país à luz da realidade. Nesta imensidão tropical existe uma cultura milenar que precisa ser conhecida por todos brasileiros. Uma cultura totalmente nossa que deve ser preservada, respeitada e cultuada.

Estes povos, culturalmente diferenciados, aprenderam a conviver com os desafios da floresta, aprenderam suas leis e as divulgaram através de lendas, passadas através da tradição oral de geração para geração. Lendas que ensinavam o respeito às tradições, à natureza e seus elementos. Estes povos erroneamente chamados de primitivos têm muito a nos ensinar de seu conhecimento ancestral. Considerando que cada povo tem as suas lendas atreladas ao cotidiano, à fauna e flora locais podemos imaginar o número fantástico de lendas Amazónicas tendo em vista a sua enorme biodiversidade e pluralismo étnico-cultural.

O índio convivendo diretamente com a natureza foi fortalecendo esta ligação cada vez mais para garantir saúde, força, coragem, abundància e fertilidade tanto para a terra como para as criações domésticas e seus própios descendentes. Identificar nos animais características ou atributos necessários a um guerreiro, é costume de todos os povos. Indígenas de diversas culturas identificam-se com alguns animais ou batizam sua tribo com o nome deles. Nas cores dos pássaros, no seu canto, na forma peculiar dos insetos, no sabor dos frutos da flora ou no aroma e beleza de suas flores encontrou o aborígene inspiração para a criação de suas lendas.

Infelizmente notamos uma influência muito grande da "evangelização" sobre o imaginário indígena e que provocou e tem provocado alterações profundas na sua cultura e acarretado uma descaracterização cultural destes povos. Como afirma categoricamente Coutinho de Oliveira: "Todas as lendas indígenas ou pelo menos, as colhidas recentemente, revelam a contaminação do cristianismo". Nossos Indígenas foram e estão sendo espoliados daquilo que um povo possui de mais autêntico, que são seus mitos, seus costumes, sua cultura, sua identidade.

A lenda do cavalo marinho, animal desconhecido pelos indígenas de outrora, é um plágio de um mito de origem portuguesa que o cónego Francisco Bernardino de Souza tentou creditar aos nativos.

Como explicar que o código de leis, atribuído à Jurupari, o Moisés tapuio, tenha no seu escopo preceitos nitidamente ligados à moral e ética européias?

Como justificar a presença de Sumé (São Tomé), um dos discípulos de Cristo, ensinando cultivo da terra e as regras morais aos aborígenes e que desapareceu `caminhando sobre as águas`.

Quem nomeou Tupã como Deus de todos os deuses?

Como a quase totalidade dos povos da floresta era de ágrafos eles contavam apenas com a memórias dos anciãos para perpetuar o se conhecimento. Os missionários encontraram, portanto, um terreno fértil para alterar e mesmo criar novas crenças, lendas e mitos.

Num momento em que a humanidade se volta para as religiões mais primitivas, em que começamos a vislumbrar o mundo maravilhoso dos antigos xamãs, devemos evitar que a contaminação cultural de nossos povos da floresta continue a sofrer a influência cultural destes evangelizadores de mente tão estreita. Missionários, cegos pela intolerància e pelo preconceito, incapazes de vislumbrar outra realidade, outro caminho ou senda fora de seus livros sagrados para se chegar à VERDADE. Eles violentam e escravizam as mentes de nossos ameríndios. Tivessem uma visão holística da história da humanidade e veriam que tem muito, mas muito mesmo, a apreender e pouco ou quase nada a ensinar.

Com o objetivo de divulgar a sua riqueza cultural e com o intuito de resguardar sua identidade como povo, procuramos representar esta pequena amostragem do fantástico mundo do imaginário popular dos índios e caboclos da Amazónia Brasileira, coletado de obras de autores consagrados e narradores anónimos.


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