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Cronicas-->Enquanto uns choram, outros vendem lenços. -- 26/09/2008 - 09:07 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Enquanto uns choram, outros vendem lenços.

Editorial do Insituto Federalista

Publicado em 25/09/2008.

http://www.if.org.br/editorial.php

A crise dos mercados preocupa a todos, mas faz a festa da especulação, da nova, pois a passada, muitos perderam. É certo que a especulação se aplica em todos os ramos, até mesmo ao empreendedor que resolve apostar em uma determinada idéia, produto ou serviço.

"A palavra "especulador" tem sua origem na raiz indo-germànica "Spec", que significa olhar. São dessa raiz as palavras especialista, espelho, expectativa, respeito, espetáculo e, finalmente, especulador: aquele que olha à frente, vê o futuro, aquele que enxerga aquilo que outros não vêem. Toda nação precisa de bons especuladores." Stephen Kanitz em seu artigo que pode ser visto em http://www.kanitz.com.br/veja/especulador.asp

Especular é do mercado, é elemento de grande utilidade, mas, como tudo na vida, exageros fazem mal. O caso americano foi bem explicado no pronunciamento do Presidente Bush, reestruturando os fatos de forma que todos pudessem compreendê-los.

Já são calculadas perdas de US$ 1,3 trilhão e a maneira como se apresentam esses números esconde um fato para o qual não se viu nenhum comentário: quando alguns choram, outros vendem lenços. Para onde vai esse dinheiro todo, ou parte deste? Para o ralo? Incinerado? Certamente que não. O dinheiro é simplesmente recolhido por investidores, que o conduzem para outras aplicações, especialmente em títulos seguros, tais como, paradoxalmente, os do Tesouro dos EUA. E a queda do dólar beneficia as exportações americanas e poderá incentivar o mercado interno. Os preços dos imóveis desinflarão e a vida voltará ao normal.

Há que se considerar contudo, que fica provado que intervenções governamentais ou até mesmo de um banco central tido como autónomo, como é o caso do FED - Federal Reserve - têm efeitos. Basta trazer o raciocínio para o campo da Hidrodinàmica, no que se pode chamar de "teoria dos vasos comunicantes". Se os juros oficiais ficaram tão baratos com Wall Street e Nasdaq rendendo cinco ou mais vezes, se a manutenção de juros tão baixos aqueceu o mercado de construção civil e hipotecário, majorando os preços dos imóveis, a conjunção desses fatores, como explicado pelo Presidente em seu discurso, não poderia ter sido outra.

Fica o questionamento se Alan Greenspan, ex-presidente do FED, que foi o responsável pela política de juros baixos para impulsionar a economia, não sabia disso. O conhecimento de hidrodinàmica simples anteciparia a visão de tais efeitos. Elevar os juros? Talvez não fosse o melhor caminho para um país que poderia ter mergulhado em uma grave crise com a queda das Torres. A criação de instrumentos de acompanhamento dos movimentos do mercado poderia ter evitado isso tudo. Agora o leite está derramado e de nada adiantam as críticas que partem de diversos setores daquele país.

Muito menos as criticas de presidentes de paises que não fizeram a sua lição de casa, como o Brasil. Com uma das maiores cargas tributárias do mundo, regulações de toda espécie, burocracia, regras trabalhistas jurássicas e draconianas, e uma incrível concentração de poderes nas mãos de cada vez menos gente em Brasília, as alfinetadas do presidente brasileiro foram de péssimo gosto, embora se saiba que tudo é dirigido para a parte da Sociedade Brasileira que não tem condições de compreender mais amplamente os problemas, apenas enxergar e absorver retóricas palacianas. E o pior é que se aproveita para justificar mais intervenção do Estado. Qualquer economista sabe como ocorrem os ciclos económicos. Que o diga Schumpeter, que bem estudou e formulou teses sobre como ocorrem tais movimentos, propondo uma integração sociológica na Economia. A natureza humana sempre se faz revelar.

Assim, considerando o interesse dos que têm capital, novas oportunidades serão procuradas. O Brasil pode despontar como uma delas, ou seja, "vender lenços", mas para isso já precisaria estar preparado para dar segurança institucional e contratual, desregulamentar a economia e o excesso trabalhista, desburocratizar o País, e descarregar as empresas de tantos tributos. E não ceder à tentação de regulamentar mais ainda o já engessado mercado brasileiro. O que se vê, entretanto, é um Governo que demonstra o que pensa sobre investimentos e contratos, da maneira como está lidando com mais um confisco, agora pelo Equador, desta vez sobre uma empresa privada. Será mais uma para ser negociada a preços de banana como foi com a Petrobrás na Bolívia, para satisfazer mais um "cumpanheiro" do Foro de São Paulo? E com dinheiro público, pois são cerca de US$ 250 milhões do BNDS, que não é um banco privado? O Povo Brasileiro perdeu US$ 1, 2 bilhão com a subsidiária da Petrobrás na Bolívia. Agora, mais essa...
O mínimo que se esperaria de um governo que cumpre a Constituição que jurou respeitar e honrar, seria um imediato protesto, seguido de pressões de toda sorte, até que Correia cedesse. A desmoralização se consolida com o Brasil se curvando mais uma vez.

As oportunidades de se vender muitos lenços enquanto muitos outros choram estão se apresentando novamente. Há, no entanto, muito o que se fazer no Brasil, muito dinheiro estará disponível depois de a tempestade passar. Mas as lições que se aprendem no mercado, de crise em crise, de "crash" em "crash", em cada ciclo económico, vão tornando as decisões de investimento cada vez mais criteriosas.

O artigo do economista conselheiro Rodrigo Constantino, publicado nesta semana em "Análises" deve ser lido para melhor compreensão do que, de fato, ocorreu.


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