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Contos-->06.07.2020 - 53 anos do falecimento de Cego Aderaldo -- 07/07/2020 - 07:23 (TARCISO COELHO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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https://megaleitores.com.br/livro/estante/9788575314456-cego-aderaldo-a-vasta-visao-de-um-cantador-claudio-portella/57789/123/48303

https://youtu.be/zk8J-Yv-XrU

 

 

Diário da Pandemia

 

53 anos do falecimento de Cego Aderaldo

 

Aderaldo Ferreira de Araújo nasceu no dia 24 de junho de 1878 em Crato. Ainda pequeno sua família se mudou para Quixadá, seu pai Joaquim Rufino de Araújo era alfaiate e sua mãe Maria Olímpia de Araújo dona de casa.

Quando ele tinha pouco mais de dois anos de idade o pai teve uma "congestão" e ficou mudo, surdo e deficiente físico e já muito cedo Aderaldo teve que trabalhar para ajudar a família. Tentou de tudo na vida para sobreviver, foi aprendiz de carpinteiro, empregado de hotel, trabalhou em forja de ferro e numa oficina onde aprendeu os rudimentos de mecânica.

Quando tudo parecia ir bem seu irmão mais novo morreu aos 13 anos de idade enquanto que outro foi embora para o Amazonas e nunca mais voltou. Aderaldo estava agora só para prover o sustento da família.

Aos 18 anos trabalhava como maquinista de trem na Estrada de Ferro de Baturité e com apenas quinze dias do falecimento de seu pai ele ficou cego em 25 de março de 1896, ele conta:

"Como é que se conta a história de um moço que ficou cego porque tomou um copo d’água? Que mal pode fazer um copo d’água? Por que eu haveria de cegar por isso apenas? Eu havia pedido água para beber, na casa defronte a nossa: ― Dona, me dê água... Quando devolvia o copo com um 'muito obrigado', senti aquela dor horrível, um arrocho querendo sair da minha cabeça. Meus olhos ficaram logo turvos. Apertavam-se, doíam, como se estivessem cheios de espinhos de cacto. ― Meu Deus! Foi o que pude dizer. Até aí, ainda enxergava. Eu podia ver o mundo, as coisas. Sabia o que era uma manhã de sol, um dia de chuva, o chegar da noite... Mas depois disso, aí meu Deus! Meus olhos se fecharam para sempre."

Aderaldo se recusava a pedir esmolas já que trabalhou a vida toda e por se achar ainda muito jovem. Depois de um sonho em que cantava de improviso alguns versos decidiu sair pela rua cantando em troca de ajuda. Ganhava milho, feijão, arroz, farinha e até carne de bode. Enchia o saco de pano das coisas que ganhava e voltava para casa.

Depois da morte da mãe pegou a estrada e saiu fazendo suas rimas pelo sertão nordestino. Em 1914 ocorreu o famoso duelo de rimas com Zé Pretinho no interior do Piauí, o que ajudou a espalhar sua fama de cantador.

De volta a Quixadá a seca de 1915 o fez partir para o Pará, retornando quando as chuvas voltaram a cair no Ceará, foi quando conheceu Padre Cícero e Lampião no Juazeiro do Norte.

Em 1931 adquiriu um gramofone com alguns discos e saiu percorrendo sertão adentro por fazendas, cidades e vilas. Seu intento era ganhar dinheiro com a novidade. As pessoas ficavam de boca aberta com a cantoria do "bicho". Mas o que as elas queriam mesmo era ouvir a cantoria do cego.

Depois de juntar algum dinheiro, em 1933, comprou um projetor de cinema Pathé Baby e dois burros para percorrer novamente o sertão exibindo filmes. Sua tela de cinema era um lençol branco armado em alguma janela. Mas não tardou a perceber que sua sina era mesmo a cantoria e saiu novamente a correr o mundo como um trovador dos tempos antigos.

Em 1942 chegou a Fortaleza e abriu uma bodega, a fama lhe trouxe muito movimento e clientes mas a maioria queria mesmo era comprar fiado e assim ele foi rapidamente à falência.

O jeito era cantar mesmo, além de ter viajado por vários estados do nordeste, ainda foi ao Rio de Janeiro fazer suas rimas improvisadas e foi reconhecido como influência por vários artistas. Teve até música em seu nome cantada por Luis Gonzaga e vários artigos sobre ele foram escritos em revistas e jornais por Raquel de Queiroz.

Nunca casou mas criou 26 filhos adotivos, alguns dos quais lhe acompanhavam nas andanças e na música. Faleceu em Fortaleza aos 89 anos a 29 de junho de 1967.

Fontes: Trechos do livro "Eu sou o Cego Aderaldo" (1962) no site deficienciavisual.pt; Site portal.ceara.pro.br.

 

por: kenard kruel

 

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Diário da Pandemia

 

 

O Diário da Pandemia

Que inventei de escrever

Jamais teve a intenção

Que não só o meu querer

De o dia a dia registrar

Pra no futuro lembrar

O que estamos a viver

 

 

Mas é preciso dizer

Aqui não vou divulgar

Notícias de tristeza

Já que quero me alegrar

E se esse meu escrever

Nem pouco alegrar você

Mal também não lhe fará.

 

 

Caros Amigos,

 

 

A partir de 22.03.2020, passei a publicar versos meus em outras situações, retornando ao assunto em pauta apenas eventualmente.

 

 

Para lê-los ou relê-los clique: https://bit.ly/tarcisocoelho

 

 

 

Obs.: Fico grato pelas visitas, inclusive a outros trabalhos lá publicados, bem como aos comentários que tiverem a bondade de escrever.

 

 

 

Abraços a todos.

 

 

Tarciso Coelho, Crato (CE), 06.07.2020.

 

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