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Cronicas-->Mais do apedeuta -- 05/10/2008 - 22:43 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
MAIS DO APEDEUTA

REINALDO DE AZEVEDO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o Proer, programa económico feito pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso, para ajudar bancos em dificuldades. Lula disse também que em seu governo jamais baixará um pacote económico. Apenas vigiará a crise "com lupa", para se antecipar a qualquer ameaça de tempestade económica que aparecer. Lula atribuiu ainda à sua "competência" e não ao fator sorte o fato de o Brasil estar, segundo ele, estar imune à crise económica que começou nos Estados Unidos e se alastrou para a Europa.

Lula fez as declarações na cerimónia de 70 anos do Sindicato dos Químicos do ABC, realizada ontem, em Santo André. Ao se referir ao Proer, lembrou que a iniciativa custou U$ 24 bilhões, enquanto que o pacote de salvação dos bancos norte-americanos é de U$ 850 bilhões e ninguém sabe ainda ao certo o que vai acontecer. Para Lula, o Brasil tem condições de enfrentar a crise atual porque hoje seu comércio com os Estados Unidos representa 15% e não mais 40%, como antes. "Hoje temos outros parceiros e os países emergentes têm dólar estocado", disse. Apesar dos elogios ao Proer, Lula criticou a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Disse que durante a crise asiática, da Rússia e do México, infinitamente menor do que a atual, o Brasil quebrou duas vezes. Tudo isso aconteceu, segundo o presidente, porque outros dirigentes não tiveram coragem de tomar iniciativas. Ele, pelo contrário, afirnou, fez de tudo para se preparar para eventuais problemas. "Em 2003, apostei minha credibilidade política para consertar a política económica. Cortei na veia".

Comento:
Comecemos pelo mais óbvio: Lula e o PT foram críticos severos do Proer e correram o país afirmando que se tratava de pura mamata para banqueiros. Voltou ao tema na eleição de 2002. É evidente que as medidas estavam corretas, e o resultado foi o fortalecimento do sistema bancário brasileiro.

Quanto a baixar pacotes, dizer o quê? Não se é Lula sem um superego diminuto. Compreendo. Já lembrei de uma passagem de As Palavras, de Sartre, ao tratar desse assunto. O francês não conheceu o pai, que morrera. Por isso, escreve, não teve superego. Huuummm... Quem lê o livro percebe a importància do avó materno na sua infància; logo, ele teve, sim, superego - tomado aqui, leitor, com certa ligeireza, como a noção que temos dos limites, vinda da linhagem paterna ou de alguém que cumpra esse papel. Lula teve uma relação tumultuada com seu pai, como ele já tornou público (ninguém descobriu; ele contou): alcoólatra, abandonou a família para constituir uma segunda. À diferença de Sartre, tudo indica, faltou a Lula uma figura masculina para lhe emprestar a noção de autocensura: por isso, creio, ele fala o que lhe dá na cachola, sem medo de parecer ridículo. E o povo gosta...

Não vai baixar pacotes? Não vai se não precisar, cara pálida. O Real foi, sim, um pacote. E tirou o Brasil da lama. E Lula deu continuidade, precisamente, ao Plano Real. Ou digam aí uma só medida original na economia. Quando muito, e disse isso em minha entrevista à GloboNews, merece elogios por ter escolhido não mudar. As dificuldades enfrentadas pelo Brasil em outras crises, basta pesquisar um pouco, se deram porque o mundo era outro. E o país estava, ainda, na fase de construção da estabilidade.

Aliás, aquela, sim, foi uma obra gigantesca: porque se tratava de conciliar os muitos ajustes internos que ainda precisavam ser feitos com crises que nasceram em cascata. A eleição de Lula em 2002, diga-se, deve-se, em boa parte justamente à austeridade imposta pelo Plano Real. O governo de então caminhou para uma derrota sem qualquer flerte com medidas de caráter populista.

Ademais, Lula não deve se precipitar. A herança que vai deixar a seu sucessor não se pode medir agora. Aliás, eis aí um pauta da qual o jornalismo poderia começar a se ocupar. Será ela assim tão virtuosa mesmo? A evolução dos gastos públicos poderia ser o primeiro item dessa apuração. Mas certamente não o único.

Por Reinaldo Azevedo


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