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Poesias-->Orfeu, Eurídice e Hermes. -- 03/08/2001 - 15:49 (Elpídio de Toledo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
De René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke























ORFEU, EURÍDICE E HERMES.

Era estranha mina das almas.

Como silenciosos filões de prata passaram

Qual veios por sua escuridão. Entre raízes

Surgia o sangue, que prossegue até os homens,

E pesado como pórfiro apareceu na escuridão.

Nunca houve nada tão vermelho.



Eram então firmes como rocha

E insignificantes florestas. Pontes sobre vazios

E aquele grande e falso lago cinza

Suspenso, distante do fundo

Como chuva do céu sobre uma paisagem.

E entre prados, em suave e completa calma,

Apareciam pálidas riscas de um caminho

Como se tivessem cor tempos atrás.



E de um desses caminhos vieram eles.



À frente o esguio homem de manto azul

Que , calado, aparentava impaciência

Apressadíssimo, seus passos liam sem entender

O caminho. Tuas mãos pendiam pesadas

E fechadas junto às pregas do manto

E não sabiam mais da leve lira.

Dependurada à esquerda

Como rosa trepadeira em galhos da oliveira.

E seus sentidos estavam divididos:

Enquanto corria os olhos à frente e atrás

Como um cão,

Esperando ver o lugar da próxima curva,—

E farejando com os ouvidos para trás.

De vez em vez, tinha a impressão de ter sido alcançado

Pelo caminhar daqueles outros dois

Que deveriam seguir com ele por toda aquela elevação



E, então, viu que só a elevação ecoava tua voz

E o vento jogou teu manto para trás

Mas ele disse para si mesmo que eles viriam logo.

Disse isso em voz alta e ouviu o som de sua voz se perder.

Eles viriam logo, só que viriam os dois

Com passos de tartaruga. Ele tinha

Que se virar, (não seria a olhada para trás

A desmoralização deste grande trabalho

Que seria feito pela primeira vez), tinha que vê-los,

Ambos os moleirões, que prosseguiam em silêncio:





Do deus das jornadas e das mensagens ao longe

A pala do boné de viagem sobre os olhos claros,

Trazendo rente ao corpo o cajado curvo

Que equilibrava a direção dos pés.

E segurando com a mão esquerda: ela



A tão amada, qual de uma lira

Mais sons vêm do que nunca se tira das carpideiras.;

Que era um mundo de sons, em que

Tudo estava mais uma vez. Floresta e vale,

Vereda e povoado, campo e rio e animal

E em que, em volta desse mundo de sons, tudo passou

Como uma outra Terra, um Sol

E um silencioso céu estrelado.

Um céu de sons com estrelas desfiguradas. —

Esta tão amada.



Mas eles caminhavam pela mão de Deus

Os passos limitados por longas estrias no corpo

Inseguros, sedentos, pacientemente.

Eles tinham em si uma enorme esperança

E não pensavam dos homens que iam adiante

E nem do caminho que tinham por ainda subir.

Eles se apropriaram de si mesmos. E seu jeito de morrer

Cumpriam como plenitude.

Como um fruto doce e escuro,

Assim foram eles todos para tuas grandes mortes,

O que era novidade, também, pois eles nada entendiam.



Ela estava em uma nova fase de mocidade

E muito casta, seu sexo se fechou

Como uma jovem flor à tardinha,

E suas mãos estavam tão desacostumadas

Do casamento que o próprio contato com Deus

Infinitamente leve e dirigido

A adoecia como demasia de intimidade.



Ela não era mais aquela mulher loura

Decantada algumas vezes por poetas,

Não mais aquele perfume e ilha de espaçoso leito,

E não mais propriedade daqueles homens.



Ela já estava solta como longos cabelos

E espontânea como chuva que cai

E se espalha como cem partes de uma provisão.



Ela já era raiz.



E quando brusca e repentinamente

Deparou-se com Deus e com exclamação de desgosto

Disse a palavra: Ele ergueu a cabeça —,

Ela não entendeu nada e simplesmente disse: Quem?



Mas, ao longe, no canto escuro perto da reluzente saída

Permanecia de pé uma pessoa, cuja face

Não era reconhecível. Assim, ele via,

Como de uma risca de caminho num prado

O deus da mensagem, com olhar triste,

Dirigir-se silencioso para seguir a figura

Que já havia voltado desses mesmos caminhos,

Os passos limitados por longas estrias no corpo

Inseguro, sedento e sem impaciência.

**************************************************



ORPHEUS. EURYDIKE. HERMES

Das war der Seelen wunderliches Bergwerk.

Wie stille Silbererze gingen sie

als Adern durch sein Dunkel. Zwischen Wurzeln

entsprang das Blut, das fortgeht zu den Menschen,

und schwer wie Porphyr sah es aus im Dunkel.

Sonst war nichts Rotes.



Felsen waren da

und wesenlose Wälder. Brücken über Leeres

und yener grosse graue blinde Teich,

der über seinem fernem Grunde hing

wie Regenhimmel über einer Landschaft.

Und zwischen Wiesen, sanft und voller Langmut,

erschien des einen Weges blasser Streifen,

wie eine lange Bleiche hingelegt.



Und dieses einen Weges kamen sie.



Voran der schlanke Mann im blauen Mantel,

der stumm und ungedulgig vor sich aussah.

Ohne zu kauen frass sein Schritt den Weg

in grossen Bissen.; seine Hände hingen

schwer und verschlossen aus dem Fall der Falten

und wussten nich mehr von der leichten Leier,

die in die Linke eingewachsen war

wie Rosenranken in den Ast des ölbaums.

Und seine Sinne waren wie entzweit:

indes der Blick ihm wie ein Hund vorauslief,

umkehrte, kam und immer wieder weit

und wartend an der nächsten Wendung stand, —

blieb sein Gehör wie ein Geruch zurück.

Manchmal erschien es ihm als reichte es

bis an das Gehen jener beiden andern,

die folgen sollten diesen ganzen Aufstieg. .



Dann wieder wars nur seins Steigens Nachklang

und seines Mantels Wind was hinter ihm war.

Er aber sagte sich, sie kämen doch.;

sagte es laut und hörte sich verhallen.

Sie kämen doch, nur wärens zwei

die furchtbar leise gingen. Dürfte er

sich einmal wenden (wäre das Zurückschaun

nicht die Zersetzung dieses ganzen Werkes,

das erst vollbracht wird), müsste er sie sehen,

die beiden Leisen, die ihm schweigend nachgehn:





Den Gott des Ganges und der weiten Botschaft,

die Reisehaube über hellen Augen,

den schlanken Stab hertragend vor dem Leibe

und flügelschlagend an den Fussgelenken.;

und seiner linken Hand gegeben: sie



Die So-geliebt, dass aus einer Leier

mehr Klage kam als je aus Klagefrauen.;

dass eine Welt aus Klage ward, in der

alles noch einmal da war: Wald und Tal

und Weg und Ortschaft, Feld und Fluss und Tier.;

und dass um diese Klage-Welt, ganz so

wie um die andre Erde, eine Sonne

und ein gestirnter stiller Himmel ging,

ein Klage-Himmel mit entstellten Sternen —

Diese So-geliebt.



Sie aber ging an jenes Gottes Hand,

den Schritt beschränkt von langen Leichenbändern,

unsicher, sanft und ohne Ungeduld.

Sie war in sich, wie Eine hoher Hoffnung,

und dachte nicht des Mannes, der voranging,

und nicht des Weges, der ins Legen aufstieg.

Sie war in sich. Und ihr Gestorbensein

erfüllte sie wie Fülle.

Wie eine Frucht von Süssigkeit und Dunkel,

so war sie voll von ihrem grossen Tode,

der also neu war, dass sie nichts begriff.



Sie war in einem neuen Mädchentum

und unberührbar.; ihr Geschlecht war zu

wie eine junge Blume gegen Abend,

und ihre Hände waren der Vermählung

so sehr entwöhnt, dasss selbst des leichten Gottes

unendlich leise, leitende Berührung

sie kränkte wie zu sehr Vertraulichkeit.



Sie war schon nicht mehr diese blonde Frau,

die in des Dichters Liedern manchmal anklang,

nicht mehr des breiten Bettes Duft und Eiland

und jenes Mannes Eigentum nicht mehr.



Sie war schon aufgelöst wie langes Haar

und hingegeben wie gefallner Regen

und ausgeteilt wie hundertfacher Vorrat.



Sie war schon Wurzel.



Und als plötzlich jäh

der Gott sie anhielt und mit Schmerz im Ausruf

die Worte sprach: Er hat sich umgewendet —,

begriff sie nichts und sagte leise: Wer?



Fern aber, dunkel vor dem klaren Ausgang,

stand irgend jemand, dessen Angesicht

nicht zu erkennen war. Er stand und sah,

wie auf dem Streifen eines Wiesenpfades

mit trauervollem Blick der Gott der Botschaft

sich schweigend wandte, der Gestalt zu folgen,

die schon zurückging dieses selben Weges,

den Schritt beschränkt von langen Leichenbändern,

unsicher, sanft und ohne Ungeduld.

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