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Cronicas-->Era civil o regime militar? -- 16/12/2008 - 23:49 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Era civil o regime militar?

Por Carlos Garcia

Os jornais O Globo e Folha de S. Paulo publicaram reportagens a propósito do Ato Institucional nº 5, que no dia 13 fez 40 anos de edição. Os importantes jornais levantam, nas reportagens, o lado civil do chamado "regime militar", mostrando que havia mais civis envolvidos e mais civis linha-dura, inclusive adotando posições decisivas, como foi o caso do AI-5, que endureceu o regime. Os jornais mostram que, no caso, foi o ministro da Justiça, Gama e Silva, e o líder do governo na Càmara, Geraldo Freire, os civis que queriam um AI-5 mais duro e que acabaram por convencer o presidente, general Costa e Silva, a assinar o ato. Costa e Silva teria recuado, com a intenção de que tudo se resolvesse dentro do Congresso, depois que o trêfego deputado, Marcio Moreira Alves, fizera o discurso pedindo que as moças não casassem com militares e que os pais não permitissem que as crianças não participassem do desfile do 7 de setembro.

Tenho visto a História ser contada por gente que nem havia nascido em 1964 - principalmente professores. Eu tinha 23 anos e testemunhei os fatos. Todos os grandes jornais do país pediam o fim dos desmandos do governo João Goulart. Milhares de pessoas saíam às ruas em passeatas contra o governo, pedindo a derrubada de Goulart, em Belo Horizonte e Rio de Janeiro. E não havia militares envolvidos nisso. O governador de Minas, um civil, Magalhães Pinto, foi quem começou o movimento de derrubada do presidente e o primeiro a botar a tropa na rua foi o apressado general, Olímpio Mourão Filho, comandante da região militar de Juiz de Fora. Os outros militares, diante da iniciativa, se mobilizaram rapidamente. Goulart fugiu para o Uruguai, e o general Castello Branco não queria assumir o governo. Acabou sendo eleito pelo Congresso Nacional, composto por civis. O país inteiro saudou a mudança.

O general Castello Branco iria devolver o poder no ano seguinte, já estava nas ruas a campanha Lacerda 65, do governador da Guanabara. Mas não foi longe. O general Costa e Silva o surpreendeu e conseguiu maioria no Congresso para se eleger presidente. E assinou o AI-5, que ele pretendia revogar quando terminasse seu mandato. Mas adoeceu gravemente, assumiu uma junta militar, que entregou o poder para o general Emílio Médici, também eleito pelo Congresso dos representantes do povo. No seu governo, o Brasil teve um crescimento chinês: média de 11,2% ao ano, por três anos. O Brasil, entusiasmado, cantava Pra Frente, Brasil e exibia nos pára-brisas o adesivo Ame-o ou Deixe-o. Médici era aplaudido no Maracanã.

Foi o tempo dos atentados a bomba, sequestros e assassinatos políticos, assaltos a bancos e quartéis, que geraram repressão contra os que supostamente queriam derrubar o governo.
Sucedeu a Médici - os "ditadores" tinham mandato fixado por lei - o general Geisel, também eleito pelo Congresso. Geisel enfrentou a guerrilha do Araguaia, do PCdoB, estinguiu a censura e, ao sair, acabou com o AI-5. Antes, destituira o comandante do poderoso II Exército, em São Paulo, ao ter notícia de duas mortes em dependências do DOI-Codi.

O general João Figueiredo e o civil Aureliano Chaves foram eleitos presidente e vice pelo Congresso, para serem os últimos do período. Figueiredo assinou a anistia e prometeu fazer do país uma democracia. "Quem não quiser, eu prendo e arrebento", ameaçou. E entregou o poder ao civil José Sarney, eleito com Tancredo pelo Congresso nacional, da mesma forma com que foram eleitos os generais.

Quem governava, além dos generais-presidentes ? Ministros civis, como o poderoso Delfim Neto. Além dos ministros das forças militares, costumavam ser militares apenas os ministros das Comunicações e dos Transportes. Os outros eram civis, em geral. Aí, fica a pergunta: teriam os militares usado os civis ? Ou o contrário ? Na verdade, governaram em estreita solidariedade. Quando o tempo passar, e se pesquisar longe das emoções, a História encontrará a verdade.


Obs.: Comentário ao texto "Por que Médici de fato é odiado?", no endereço http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=1568 (F. Maier).


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