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Cronicas-->Simplicidade divina -- 24/12/2008 - 18:52 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
SIMPLICIDADE DIVINA

Percival Puggina

http://www.puggina.org/

Presumo que seja mania meio comum de quem escreve essa que me faz ler os textos alheios dando às frases a forma que eu lhes daria se fosse expressar a mesma coisa. Tal cisma tem duas utilidades: serve para identificar, pelo gabarito da gente, claro, o bom autor (aquele que a gente lê com a convicção de que jamais conseguirá escrever tão bem assim) e aquele cujas obras a gente abandona nas primeiras páginas porque seria necessário reescrever tudo. Esse viés da análise literária está presente, inclusive, quando leio os Evangelhos. É do que trato aqui.

Um pouco menos em São João, no qual se percebe, vez por outra, um cuidado com a forma da frase, nos outros três evangelistas ressalta uma simplicidade quase contraditória com o imenso valor do empreendimento literário a que se dedicaram. Palavras que seriam lidas por bilhões de pessoas; frases recitadas diariamente por milhões de lábios, através dos séculos; textos que seriam exaustivamente copiados a mão, depois impressos e reimpressos em todos os idiomas da terra e que se converteriam nas palavras mais lidas da literatura universal, soam como de fato são: simplicíssima narrativa de eventos sublimes. Ou seja, o excelso está no conteúdo, naquilo que é expresso, no fato relatado, e em parte alguma se percebe a vaidade do autor, o orgulho de quem quer que sua obra seja apreciada. Ou, menos ainda, a intenção do autor de fazer com que suas palavras contribuam para atribuir valor ao fato. Em outras palavras: nada do "Puxa vida, como Mateus escrevia bem!"; ou então, "Olha que beleza esta sacada de Marcos!"; nem tampouco, "Não sei se Lucas era bom médico, mas escreve bem pacas!". Toma, Puggina, que isto te sirva de corretivo para essa mania de esmiuçar os textos alheios...

Leia os evangelhos, leitor. Examine-os sob esse ponto de vista. Perceba como as frases são simples, isentas de efeitos literários e, de modo muito inusual, totalmente despidas de qualificativos. Creio que se relacionássemos todos os adjetivos usados pelos quatro evangelistas, eles formariam uma lista muito pequena. Aparecem tão somente para caracterizar uma relação positiva ou negativa com as virtudes. Nunca como forma de tornar o texto mais ou menos enfático.

Depois de muitas leituras andadas e meditações feitas, concluí que sob o ponto de vista literário os evangelhos espelham a simplicidade divina do amor. Simples, também, são as crianças. Complexo e complicado torna-se o homem pelo pecado. Não creio que haja expressão maior dessa singeleza divina do que o momento em que Deus toma nas mãos a caneta da história e escreve o nascimento de Jesus. Num perdido recanto da pequena Belém. Numa manjedoura. Envolto em panos. Apenas uma estrela concedendo a divina assinatura àquele evento. A infinita dimensão do fato parece abissalmente distante da simplicidade das circunstàncias, dissonantes de seu significado histórico. É por isso que o presépio, como representação do nascimento de Jesus, mais do que a qualquer adulto, é às crianças que encanta. Enfim, a simplicidade divina se faz muito visível nas imagens e na mensagem do Natal.

Cá entre nós, chega a ser constrangedora a quantidade de adjetivos que, mesmo sem eu o querer, recheiam este texto para expressar, minimamente, o que pretendia dizer aos meus leitores quando lhes desejo um Feliz Natal!


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