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Cronicas-->Operários da Pacheco Fernandes: Motim na Capital faz 50 ano -- 07/02/2009 - 01:24 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Alcimar Batista, soldado da Aeronáutica,
guarda documentos da época:
``A GP era matadora, despreparada´´


MOTIM E MORTE DOS OPERÁRIOS DA PACHECO FERNANDES

Pablo Emmanuel

Quando um turista vem conhecer Brasília, não tem ideia do sangue que ajudou a concretar os sensuais meandros da cidade, desta formosa capital republicana, antevista por Dom Bosco em um sonho que o fez vislumbrar até os paralelos entre os quais ela seria levantada, mas que não lhe deu amplitude maior para antever a morte de seus operários nos canteiros, como resultado da meta de "50 anos em 5".

Como a Mãe Diná não agia na época para auxiliar o sacerdote com sua bola de cristal e alertar as autoridades sobre o perigo que seria erguer uma cidade assim tão monumental, num prazo tão curto, que deveria ser cumprido a todo custo, ninguém póde imaginar que, num dia qualquer da nossa história, operários que pertenciam à empresa Pacheco Fernandes, participante das obras, se rebelassem contra as péssimas condições de sobrevivência.

Tudo era, então, dourado. Juscelino mandava realizar o sonho não só de Dom Bosco, mas dos revolucionários da Inconfidência. Até o momento em que os trabalhadores inventaram de reclamar da comida. O acampamento perdeu o controle e a guarda especial foi despachada para manter a ordem em nome do progresso que, certamente, haveria de vir.

Conta-se que, há 50 anos, mais de uma dezena de homens foi abatida a tiros pela repressão da polícia no acampamento da Pacheco. Uns afirmam que tudo é lenda. Outros, porém, que aqui lidavam, recordam-se de fatos muito tristes. Entre um depoimento e outro, houve quem dissesse que corpos chegaram a ser atirados num grande e profundo buraco no meio do Eixo Monumental, onde estavam sendo erguidos os fundamentos para a construção da Torre de TV.

Uma vez, quando perguntado sobre o evento, num documentário produzido pelo cineasta Vladimir Carvalho, Niemeyer ficou extremamente aborrecido com o assunto, pois, segundo ele, nunca teve notícias desse motim que resultou no massacre. Como Carvalho insistisse nas perguntas, os dois comunistas se desentenderam, e o arquiteto pediu: "Corta isso daí!".

Lúcio Costa também sempre negou, limitando-se a acreditar que isso é apenas folclore dos populares daquele tempo.

Lendas à parte, o certo é que os trabalhadores que vieram fazer a capital federal encontraram duras adversidades. Muitos devem ter morrido por falta de socorro médico adequado ou por acidentes fatais, como despencar de cima dos altos patamares por falta de equipamentos corretos de segurança. Outros, foram removidos para as cidades-satélites, longe dos amplos e estupidamente caros apartamentos que ajudaram a levantar.

Neste 6 de fevereiro, às 19h00, realizar-se-á na Igrejinha da Vila Planalto uma missa em memória dos mortos da Pacheco Fernandes. Será fincada uma cruz e posta uma placa.

Só na semana passada, dois operários morreram em construções de prédios em Brasília.

Coincidência? Ninguém sabe. Mas, decerto, isso não é folclore.

Leia reportagem sobre o episódio em http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2009/02/01/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=73566/noticia_interna.shtml

Leia depoimento do sargento da Aeronáutica Alcimar Batista em http://www2.correioweb.com.br/hotsites/bsb40anos/19042000/1904-1.htm


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