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Cronicas-->As comédias da educação pública -- 04/05/2009 - 16:07 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
AS COMÉDIAS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Pablo Emmanuel - Professor do DF

Gostaria de enfatizar duas coisas cómicas que ocorreram na escola em que trabalho. De uma delas, fui ouvinte e espectador.

Algumas vezes, tenho dificuldade para fazer a chamada, devido ao caos promovido por boa parte dos alunos. Quase sempre eles são indomáveis. Não querem nem mesmo responder à chamada. Quando advertidos, viram bichos.

Nesta semana, em uma determinada aula, quando consegui silêncio para trabalhar e verificar a presença da audiência, uma aluna do fundão observou: "Nossa, como a sala ficou calada".

E isto foi dito com tom de crítica ou galhofa por eu ter mantido a ordem, finalmente, porque o caos é o que reina como coisa comum. Portanto, se há silêncio, é porque alguma coisa está "errada". Essa foi a mentalidade que preponderou no pensamento da discente.

O restante do horário, eu passo mais advertindo para manter o silêncio do que propriamente instruindo acerca da minha disciplina. Quando o aluno reclama da dificuldade das avaliações (ele reclama de todas e de tudo) lança-se contra mim, apoiado pelo pai.

Por falar em pai, um deles esteve me procurando na escola, perguntando, muito curioso, o motivo pelo qual dei falta a seu filho santo, que, durante a chamada, estava envolvido numa parolagem insuportável. Nisto, um aluno do fundão me disse: "Fala mais alto, professor". Que gentileza, menino!

Se alguém fosse medir os decibéis do ambiente, eu cobraria adicional por insalubridade. A marcação chegaria a uns 100 decibéis, com certeza.

Daí o pai revoltado, apoiando o filho, disse que iria à Ouvidoria. E parece que voltará de novo, pois expulsei seu filho da sala na última quinta-feira, por não responder aos exercícios que solicitei fossem respondidos, e por baderna, juntamente com mais quatro.

Vamos ver um artigo do ECA:

Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilància a vexame ou a constrangimento: Pena - detenção de seis meses a dois anos.

Ora, então está muito bem: o aluno me vexa, me frustra o trabalho e tenta me rebaixar moralmente até ao piso da sala de aula, e eu não posso usar de autoridade, que não dói, não vexa nem constrange?

Nunca me passou pela cabeça "submeter criança ou adolescente a vexame e constrangimento". Ao contrário: em toda a minha vida profissional, tive de tolerar os mais vergonhosos constrangimentos e agressões à minha pessoa, enquanto me preocupava, de modo angustiante, em aplicar algum método razoável para conseguir desempenhar a minha função.

Se você sorri para o aluno, a coisa é entendida como folga total, "o professor é gente boa". Se você o adverte, ele se enfurece e passa a elaborar uma campanha de desestabilização emocional e moral do docente.

Geralmente, é por ser simpático e tolerante que não tenho autoridade. Se tento manter a ordem, não sou encarado como autoridade, mas como autoritário, passível de denúncia na Ouvidoria, onde o aluno e seus pais negligentes ganharão a causa contra o professor.

A advertência vem ao avesso. O professor que adverte é quem sofre a punição, e o aluno, ao saber disso, não poupa gargalhadas para humilhá-lo.

Porém, mantenho-me firme no respeito à individualidade dos alunos. Sempre fiz de tudo para angariar a atenção deles, a fim de que meu trabalho pudesse fluir com algum respeito mútuo e resultado.

Outro professor, colega meu, ao advertir um aluno, dizendo que quem ordena na sala é o professor, e não o aluno, o moleque se arvorou: "Qual é o dispositivo constitucional que diz que você é quem manda na sala?".

Quando veio o período de intervalo, o professor nos contou esta anedota. Nós rimos bastante. É a única forma de relaxar nesses momentos.

"Dispositivo constitucional..." - Pois sim! Que brilhante jurista esse garoto!

Então, o artigo 232 do ECA preconiza pena de detenção para constrangimento e vexame ao adolescente. Acontece que o menor de idade, sabendo manipular a situação a seu favor, com seu denuncismo (e ele é muito consciente disto) transforma uma advertência em um crime.

Quando denuncia, por exemplo, um professor que tentou exercer sua autoridade (não o autoritarismo) o alvo de sua reclamação se torna execrável, aos olhos da justiça, dos seus pais e da sociedade. O docente é espezinhado.

Sabe por que existem estes artigos no ECA? Justamente para o Estado, a sociedade e os pais delegarem a educação de seus rebentos a outrem, livrando-se de suas respectivas competências, como Pilatos, lavando as mãos.

Quando atendemos seus filhos em ambiente escolar, como professores, devemos sempre manter a paz interior e postura diante de badernas. Pedem-nos que suportemos, calados, suas infàmias e calúnias. Suas humilhações premeditadas.

Sobre o professor pesa a responsabilidade de manter-se sempre elegante diante de patifarias. Sempre são requeridas a paciência e a fleugma espiritual diante de insultos e intoleràncias. Ele nunca pode "surtar", chegar ao limite extremo que todo ser humano tem. Não pode.

Nós deveríamos aplicar uma pena contra jovens (não crianças) safados e seus pais acumpliciados com suas imoralidades e difamações na escola: condená-los, todos, em família, a pagarem por um ano, todo mês, 50% do salário-mínimo a instituições que cuidam de idosos desamparados e creches públicas. Por um ano.

E fazer com que os progenitores insolentes lavem com sabão as bocas de seus filhos, bem como suas próprias bocas, que levantam vozes raivosas antes mesmo de conhecerem como os fatos se deram, já que se pautam pela versão dos filhos denuncistas, excluindo a versão dos professores e da escola em geral.

Existe sempre algum lugar para que os pais procurem o direito de seus filhos. Certo. Está correto. E concordo que existam tais espaços, é claro.

Mas, o professor não dispõe de uma Ouvidoria para acusar o aluno de desinteresse e de desestruturar uma sala de aula, prejudicando aquilo que a sociedade tanto cobra: a educação.

Existe educação sem respeito? Sem ordem? Sem sistema?

Ora, francamente, bufões, arredem os pés.

Muitos de seus filhos, envenenados no sangue pela testosterona, enquanto estão na escola, só pensam em lambuzar as filhas dos outros com esperma. Já as filhas dos outros, por conseguinte, estão sequiosas por serem lambuzadas. Excelentes vetores de herpes (HPV), com direito a condilomas, pus e tudo mais.

É por tratá-los com cordialidade e afeto que recebo as mais covardes agressões.

Por que vocês, liberais tão exaltados e inconformados, tartufos protetores de Peer Gynts, não assumem uma sala de aula nas periferias violentas das grandes cidades, onde alguns alunos só faltam chegar à mesa do professor, puxando a barra da camisa e mostrando o 38 na cintura, e ainda dizendo: "E aí, professor, como é, vou ou não vou passar?"

Não sou barata para ficar sob uma sola, ainda mais de marmanjo bruto que se santifica depois de procurar desonrar os outros, principalmente os que tencionam instruir o jovem para um caminho melhor do que aquele que segue.

Eu sou um homem. Sou professor. Não aceito ser constrangido nem ser submetido a vexame. Coloquem isto como adendo ao artigo 232 do ECA e não me peçam para ser generoso, doce e passivo a vida toda.

Um forte abraço aos "bravos" professores do país, que laboram em condições muito difíceis e recebem uma ninharia para arriscar a saúde e a própria vida. O mesmo abraço vai para os alunos que me querem bem, tanto quanto lhes quero, ab imo pectore, e que me deixam TRABALHAR.

Quanto aos pais liberais, cúmplices, mal instruídos e negligentes, pedagogos da bufonaria, continuem afagando a transgressão de seus filhos. Quando acordarem, verão que eles são homens barbados, dispostos a saqueá-los e a matá-los. A detenção deles será muito superior àquela prescrita pelo artigo 232, supracitado.

"O que repreende ao homem achará, depois, mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua". - Provérbios 28:23


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