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Cronicas-->A autoridade delegada - Crónica do furto da lata velha -- 29/07/2009 - 16:11 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A AUTORIDADE DELEGADA

Texto - Pablo Emmanuel

Recentemente, foi regulamentada a profissão de flanelinha guardador de carro. Como o Estado não quer cumprir com suas funções de segurança (pois num regime liberal democrático é para isso que ele existe), resolveu delegar a terceiros a tarefa de vigilància ostensiva, como forma de criar [sub]empregos para quem privatiza espaços públicos. Vai chegar a hora em que teremos de pagar para alguém da rua entrar na nossa casa e "guardá-la", enquanto saímos dela para trabalhar.

Em Brasília, e nas grandes cidades, não existe um só espaço na rua para estacionar o carro que não esteja sob o domínio arbitrário dos chamados "flanelas". Alguns corajosos chegam até a deixar as chaves do seu carro nas mãos deles, em cujo meio há os que merecem relativa confiança e os que merecem ser enxotados da área pelas ameaças que infligem a quem estaciona o automóvel, mas se nega a pagar por um serviço ilegal.

É mentirosa a ideia do "só dá a moedinha quem quer". Há uma pressão muito forte para isso ocorrer. A persuasão é multiforme. São mais do que dois olhos sobre você. Muito mais. Não dê cinco centavos a um sujeito desse, e você verá que ele nunca mais vai tirar sua fisionomia da consciência.

Ontem, dia 28 de julho de 2009, tive meu carro furtado sob as ventas de um "flanela", no centro de Brasília. Detalhe: quando estacionei o carro, por volta das 14h50, não houve nenhum contrato verbal entre nós para que ele "olhasse" meu único património material (velho) e caindo aos pedaços, valendo ali apenas o forte motor Volkswagen.

Muito bem.

Quando retorno às 16h15, não há nem a sombra do automóvel no lugar em que havia parado. Os outros, muitos outros que estavam ao meu lado, continuavam ali, incólumes. Ao longe, o sujeito "guardador", com um pano imundo nos ombros, fazia seus cacoetes manuais diários, a fim de guiar os otários que chegavam nas cercanias.

Certo dia, quando parei no Setor de Diversões Sul (SDS), sem ao menos esperar ser surpreendido pelo profissional do quadradão, fui por ele emboscado rapidamente quando ainda desligava o motor do carro.

"Tá vigiado aí, dotó".

Para minha completa desgraça (que não tenho doutorado em nada, pelo menos não ainda), resolvi acordar com ele para largar o carro ali mesmo, sob sua "supervisão". Do outro lado, havia outro estacionamento, e ele emendou, com a seguinte advertência:

"Pode ficar `tronquilo´. Aqui ninguém rouba, mas ali daquele lado, rouba".

É preciso ser muito ingênuo ou pateta para acreditar que o flanela (coitado, uma vítima da sociedade de consumo, o que lhe dá carta branca para cometer o que quiser) não passa o serviço para as quadrilhas organizadas que furtam veículos. A capital federal tem tanto desses indivíduos que até mesmo ao lado de delegacias eles querem cercar a área destinada aos carros.

Conta-se muito por aí sobre aquela bobagem da "jaboticaba", que é uma espécie que só existe no Brasil. Certas coisas só existem aqui mesmo. Mas é porque consentimos, ou porque o poder público, que age contra nós muitas vezes, consente. Onde já se viu alguém que, de repente, chega ao espaço público e diz: "isso aqui é meu!".

Em Brasília, isso pode. Mesmo porque seu crescimento demográfico se deu dessa forma.

Eu tive meu velho carro furtado numa área bastante "nobre" da capital, onde os endereços são alfanuméricos e não homenageiam nomes de pessoas, conhecida como "Setor de Diversões Norte (SDN)".

Que interessante, para não dizer conveniente! " Setor de Diversões"! Para quem? Para mim, decerto é que não foi.


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