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Contos-->Jontinha, pelas beradinha...vagazinho... -- 25/08/2021 - 07:06 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

 

 

 


Nunca vi o Jontinha distanciado mais de dois metros de uma mesa de sinuca, sinuquinha, ou bilhar. Olhos colados no feltro verde, mesmo quando não jogava, o que era o mais das vezes pelo tempo em que vim a conhecê-lo, dos meados da década de sessenta a uns dez anos mais pra frente...

Jônatas ou Jonas de pia e cartório, o que conta é que era Jontinha demais da conta. Sei que era, como eu, também Miranda, mas provavelmente de cepas afastadas, tanto na geografia quanto na genealogia. Definitivamente, o Jontinha provinha de Mirandas mais antigos radicados em Pitangui, a Rainha do Oeste de Minas, no belo Hino à cidade hoje mais que tricentenária, do Maestro Patesko Nunes, os Nunes, por sua vez, ainda mais antigos no burgo, quiçá, Deus dirá, não me surpreendo se chegados por estas bandas auríferas de antanho, com a bandeira de Borba Gato...

O meu Miranda, ao que sei por pesquisas genealógicas do mano Beu, provém de Gouveia, cidade próxima de Diamantina. Meu avô paterno, mesmo, um Miranda, Velusiano, nascido por volta de 1859, foi um seleiro curvelano, que se radicou na Onça de Pitangui, nos tempos da Jaguaruna, ou vice-versa...

Mas voltemos ao Jontinha, como o conheci, já grisalho, de cabelos e bigodes, com aquela marca indelével amarelo-ouro velho da nicotina, que se estendia também à ponta dos dedos, que se alternavam sempre entre o cigarro sem filtro, e o taco viciado no encaçapar. E o seu mais renitente refrão era aquele...vô cumeno ocê é pelas beradinha...

Os sinuqueiros da cidade, e mesmo forasteiros, que tremessem ante aquela implacável sentença. Eu, adolescente, não passava de observador, e silente, para não perturbar a concentração dos contendores. Aliás, sem jamais ter-me dedicado a esse nobre esporte, que na Inglaterra é altamente profissionalizado, daquele país também é o ditado, um tanto irônico: um sinuqueiro, competente ou não na lida, é o exemplo mais acabado de uma juventude perdida...

Parecia grande a irmandade de Jontinha, que conheci em parte: uma irmã, Maria José, professora escolar, pia e devotada frequentadora da igreja que já deve aproximar-se, ou já distanciar-se, do centenário de existência, e os irmãos Luiz e José. Este último, também dito Zé Esperto, era o alistador militar municipal que, diferentemente do irmão sinuqueiro, preferia o copo ao taco. Luiz, homônimo de papai, de gosto sartorial mais apurado, parecia exercer algum cargo público municipal, mas não deixara de homenagear o irmão, com um filho de nome Jônatas

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