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Cronicas-->De maiêuticas e desgostos -- 25/05/2010 - 16:56 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
DE MAIÊUTICAS E DESGOSTOS
 
La vie en prose

Por Pablo Emmanuel, professor do DF

Ao término de um horário, já para a entrada do intervalo, uma menina de 11 anos, boa aluna, evangélica, veio me perguntar sobre o mundo antes de Deus, se houve algo ou alguém antes dele, se Deus foi criado.

Respondi-lhe que antes de Deus, havia Deus; que é impossível determinar sua paternidade; que, conforme a Bíblia, "ele é o que é"; e que não existe resposta para uma pergunta que não cabe.

Ela não aceitou nada disso. Um dia depois, comentou que fez a mesma indagação para a avó, que não soube satisfazê-la a contento, passando a bola para mim, de novo:

"Pergunte ao seu professor".

Eu lhe sugeri, de pronto, que esquecesse a curiosidade. Pensar demais nesse assunto poderia abalar os fundamentos do edifício em construção.

"Gelo não se enxuga, mon enfant..."

Evidentemente, não é minha tarefa pontificar sobre qualquer nodoazinha de ateísmo a uma jovem de família religiosa, que não tem fulcro para assumir tal questionamento nessa fase da vida, em que costumamos ter uma sensação de quase eternidade e o gosto de existir vai se sedimentando.

Aos 11 anos, se almeja uma resposta que não podemos encontrar nem no abismo das teologias mais remotas, só mesmo Ele há de saber até aonde a mocinha irá com a sua persuasão socrática.

Por fim, dei o caso por encerrado, solicitando que interrogasse, dali em diante, ao pastor de sua congregação cristã.

É certo que, se eu lhe contasse acerca da vida dos bonobos (simpáticos e sociáveis primatas), sobre as comunidades que formam, onde a sexualidade entre eles funciona como uma espécie de vínculo necessário além daquele estabelecido em épocas de cópula, eu seria chamado pessoalmente por seus pais ou por um séquito de evangelizadores preocupado com a minha [impossível] salvação.

Se esta criança soubesse das lágrimas que poderá derramar se, amanhã, retirar a venda negra com que nossos avós nos espremeram a fronte, e ousar morder as maçãs geométricas da Ciência, desejaria continuar como criança para sempre.

Praza a Deus que ela não tenha tanta fome, nem se engane com o perfume das macieiras.


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