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Contos-->MEU BEM -- 10/10/2023 - 08:02 (Roosevelt Vieira Leite) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

MEU BEM

Por Roosevelt Vieira Leite

A lua cheia no céu de Campos em pleno mês de setembro fazia os amantes mais amantes e as pessoas de forma geral mais apaixonadas. Era assim que se sentia Cíntia – Uma moça do povoado macota que residia em Campos a fim de estudar para a faculdade. Seu pai e sua mãe entravam com uma contribuição e o resto da despesa a moça tirava de seu emprego na loja HMC. A vida da moça da macota não era fácil. Pelo dia trabalhava dois turnos. Pela noite estudava no Colégio Monsenhor Basilício Raposo. Mesmo assim, com toda dificuldade a moça ainda tinha tempo para estudar em casa e tirar boas notas na escola. Mas o domingo à noite era reservado para Carlinhos. Este era seu namorado. O homem que estava virando sua cabeça. Carlinhos não queria nada com a vida. A manhã para ele começava as onze horas. Depois vinha o almoço, em seguida, ele ia para Rua João Alves conversar com os amigos da mesma afinidade até de tarde. De noitinha, no meio da semana, ele jogava sinuca no bar de Arnaldo. O domingo ele cedia para Cíntia que com o coração cheio de amor o abençoava com todos os afetos possíveis: “Meu amor te amo tanto”. Cíntia repetia isso sempre que podia e o moço, seu namorado, ficava calado a ouvir os favos de mel que saíam da boca de sua namorada.

Os pais de Cíntia sabiam do chamego de sua filha com este jovem. Seu Francisco deu todos os conselhos possíveis a sua filha com a intenção de fazê-la desistir do rapaz: “Minha filha ele é um vagabundo”. Apesar do conselho do pai a menina insistia em dizer: “Pai, mãe, eu o amo”. Cíntia orava fielmente pelo seu amor e por ele fazia todo o possível para vê-lo bem e contente.

As férias de janeiro na praia do Abais foi uma oportunidade para os dois se apegarem mais. Contudo, Carlinho não mudava sua mente voltada para a curtição:

- Meu amor, está na hora de você ter um emprego. Se você quer alguma coisa comigo consiga um emprego.

- Ah, como é que eu vou arranjar se não tenho estudo. Mas, Seu Freire me prometeu uma vaga na oficina dele agora em fevereiro.

- Não importa o emprego você precisa de uma profissão e aprender alguma coisa. Por que você não volta à escola?

- Meu amor eu já perdi o costume, ademais estudar só de noite, pois eu terei trabalho de dia. Tenha paciência as coisas vão melhorar.

A volta a Tobias teve um incidente. Cíntia percebe que Carlinho estava de olho numa garota de roupa bem sexy. Os dois tiveram uma discussão. Cíntia foi para sua casa triste e Carlinho fez o mesmo.

Os dois levaram a relação neste ritmo por mais dois anos. Cíntia já estava super cansada com tudo. Já havia pedido a todos os santos da igreja para dar um jeito no namorado. E nada de mudança. Conversar com ele mais uma vez não daria certo: “O que é que eu vou fazer?” Pensou a moça.  Cíntia acordou aquela manhã muito deprimida. Ela seguiu sua rotina de todos os dias. No trabalho seu chefe quis saber o porquê daquela cara fechada. Ela saiu de fininho dos comentários e brincadeiras e manteve-se assim até que uma colega de trabalho apresenta uma foto do final de semana. Na foto estava Carlinhos como namorado da irmã dela. Ela foi as alturas e logo imediatamente as profundezas do hades.

 A relação acabou depois de 7 anos de lutas e provas. No entanto, para Cíntia a história não ficou para trás. A moça fazia um esforço desumano para esquecer seu namorado. Foi ao psicólogo comportamentalista e nada, fez tratamento Reik e nada. Tentou hipnotismo e nada. A moça definhava como se estivesse sofrendo de um mal terrível. Mas a vida dá suas voltas e com Cíntia aconteceu o mesmo. O amor que era grande deu lugar a um sentimento de ódio e amor, de repulsa e atração, e isso de certo modo a fez levantar um pouco a cabeça. Foi nesta fase que aparece um rapaz, homossexual chamado Bené:

- Eita mulher você está de espinhela quebrada, juro por Deus! Esquece essa criatura. Para de querer se vingar!

- Não me reconheço. Estou na verdade em luta contra tudo que acreditei. Carlinhos é um pedaço de carne viva em mim.

- Mulher, você o quer de volta? Todinho para você?

- Quero, mas, minha revolta não deixa.

- Conheço uma pessoa que pode virar a cabeça dele para você. Bené fazia parte de uma casa de culto afro que dizia que resolvia todos os seus problemas. “Vamos a casa de pai Genivaldo?” Continuou Bené com todo o seu charme.

- Tem certeza de que isso é possível?

- Sim tenho. A casa de seu Genivaldo era dividida em duas partes. A primeira era o barracão. Este ficava na frente, logo na entrada da propriedade. A segunda ficava atrás, era a casa de moradia de Pai Genivaldo. Pai Genivaldo atendia sentado numa cadeira de palha. Ele era um homem importante em seu meio.

- Sim, moça em que posso ajudar? Bené se intromete e diz: “Ela está com o coração quebrado, Pai Genivaldo.

- eh, eu queria uma luz na minha vida. Disse Cíntia com um tom triste.

- É sobre um rapaz, num é minha filha.

- É. Os dois conversaram por quarenta minutos. Cíntia sai do recinto levando nas mãos a lista de material para o trabalho de amarração amorosa. Ela havia decidido ficar com Carlinhos sob condição dele mudar. A magia atingiria dois sentidos. O primeiro era tornar Carlos uma pessoa fiel e amorosa. O outro era fazê-lo trabalhar e estudar.

O trabalho foi realizado na mata do Cambotá. Cíntia estava presente e viu quase tudo. Era uma noite de sexta feira de lua cheia. A lua das bruxas. Cíntia foi posta no meio de uma roda de médiuns que invocavam espíritos sobre ela. Uma garrafa de cerveja foi derramada em sua cabeça. Cíntia entrou em transe e viu o outro lado.

Cíntia sob a influência de entidades espirituais se vê vestida de cigana a dançar num salão grande. A música vinha de um quarto escuro. Era música boa de qualidade. Era música cigana. Quando a moça da macota toma um pouco de consciência as pessoas do salão encolhem a estatura de 20 centímetros. Cíntia dançava com medo de pisar alguém. Um homem negro fala com Cíntia sobre seu amor. “Se você me der comida eu faço seu querer acontecer”. Cíntia parou a dança e fixou o olhar no homenzinho e disse: “Você o traz transformado?” “Do jeito que você quer”. Respondeu o homenzinho. Os homenzinhos se unem e vão atras de Carlinhos. Este estava na praia de Atalia em Aracaju. Havia uma festa na casa de um amigo. Os homenzinhos chegaram e pegaram o moço com a boca aberta e entraram na boca dele. Eram 21 homenzinhos. Deste momento em diante Carlinhos se concerta.

Cíntia sai do transe, a reunião é encerrada. Ao chegar a sua casa a moça fica a pensar como está seu amor. E decide telefonar. Fazer uma surpresa. Os dois conversaram bastante ao telefone e marcaram um encontro no outro dia. O encontro foi na casa de Cíntia. Os dois conversaram bastante tempo e tudo terminou no casal fazendo as pazes. Mas apesar de terem reatado Cíntia ainda tinha mágoa do rapaz e usou o poder da magia para mudá-lo: “Eu quero que os homenzinhos façam ele me atender em tudo”. Carlinhos passou a viver como um boneco nas mãos da moça que agora se divertia com seu namorado.

Carlinhos se tornou um homem amoroso, responsável e trabalhador. Qualquer coisa que Cíntia quisesse, ele daria ou faria. Depois do ritual o rapaz mudou por completo. Passou a trazer flores para sua amada e deixou de paquerar as mulheres. Mas, isso não dobrou o coração da moça da Macota.  Ela ainda tinha muita mágoa do namorado e isso a fez abusar do feitiço. Pelo menos uma vez por semana ela falava com o homenzinho preto. Os homenzinhos eram vermelhos, mas, o de Cíntia era o preto. Ele conversava com ela durante a noite depois do primeiro sono.

- Mas, minha fia já num tem o que quer?

- Eu sei, mas, eu tenho medo de perder tudo. E aí jogo duro.

- Mas, se você abusar o vaso quebra. O rapaz já está bom demais. Cíntia ouviu a voz do homem preto e melhorou as atitudes relacionadas ao seu namorado.

Com isso a relação do casal melhorou cem por cento. Os dois pareciam dois pombinhos apaixonados. Para onde Cíntia fosse Carlinho ia atrás. A história dos dois parecia encerrada e definitiva. Mas um prazo de um ano se passou e Cíntia começou a reclamar de seu amado: “Eita Que homem chato. Todo certinho, todo direito. Agora decidiu estudar para medicina e não quer sair de casa”. A moça Cíntia mudou seu modo de ser e também ela mudou com seu namorado. Cíntia desconfia dos espíritos invocados para ajudá-la e retorna a Pai Genivaldo:

- O que minha fia quer? Está tudo como pediu?

- Seu Genivaldo ele mudou muito. Ele é um novo homem. Todo direito, todo certo. O único defeito dele agora é arrotar alto. Depois do trabalho ele ficou com crises de arroto.

- Num é bom minha filha ter o parceiro como a gente quer?

- É e não é. Às vezes eu penso que ele é um zumbi.

- Agora, ele é o que você decidiu.

- Tem como mudar isso. Tipo controlar a personalidade para fazer alguns ajustes.

- Para tudo tem um jeito. Leve esse boneco para sua casa e guarde em um lugar secreto. Todas as segundas feiras você bate no boneco três vezes e peça o que quiser dentro do acordo do trabalho.

- Do acordo do trabalho como?

- Na mesma linha das coisas que você pediu. Cíntia agradeceu ao velho rezador e seguiu caminho para sua casa. Ela guardou o boneco vermelho em sua bolsa. Mas no trajeto para casa o boneco se mexia como se estivesse achando ruim a viagem. Em casa Cíntia guarda o boneco dentro de uma caixa no guarda-roupa.

Carlinhos precisou ir ao hospital por causa da crise de arroto. Cíntia foi com ele lhe dando apoio, mas, com uma certa má vontade, pois, ela andava impaciente. No hospital, o médico disse que era preciso um ultrassom. Após o exame feito o médico disse que o caso de Carlinho era cirurgia, pois, ele tinha vários bonecos no interior de seu estômago. “Alguém fez macumba para mim”. Disse o moço de Campos a sua amada. “Mas, quem foi meu amor?”

Cíntia, mesmo sabendo da situação de seu namorado pediu ao boneco que o acalmasse. Cíntia tudo pedia ao boneco. Ela e o boneco estavam totalmente conectados. Carlinhos fez a cirurgia. Quando abriram a barriga dele encontraram 21 homens pequenos. Todos vermelhos... 

 

 

 

 

 

 

 

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