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Artigos-->DESCENDO O MACHU PICHU -- 20/06/2003 - 23:50 (Wilson Coêlho) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Para alguns críticos, o ano de 1954 é um divisor de águas na literatura chilena. De um lado, o consagrado Pablo Neruda publicava suas Odas Elementales e, de outro, o então estreante Nicanor Parra, lançava seus Poemas y antipoemas. Estas obras foram consideradas como um novo tipo de poesia, a poesia “hablada”, conversacional, ou seja, ao alcance do grande público.

Na língua espanhola já se contava – sete séculos antes – com a iniciativa de Gonzalo de Berceo ao escrever em “romance paladino”, linguagem na qual o povo fala ao seu vizinho. Mais tarde, no auge do renascimento, tendo o romance triunfado como linguagem do veículo literário, surgem outros escritores cujo destaque é Juan de Valdés que propõe um estilo “natural” ao afirmar que sem nenhuma afetação escreve como fala. A idéia sobrevive na modernidade e, no final do século XIX, ainda temos Arthur Rimbaud em busca da “linguagem da tribo”. Em meados do século XX, quando já se considerava caduca a vanguarda, Vicente Huidobro, em carta a Juan Larrea, confessava seu desejo por uma nova escritura que “não tivesse tom literário, senão uma linguagem de conversação: não cantada, só falada, falante”. Ainda na metade deste mesmo século, Antonin Artaud reivindica a desintegração da palavra, revela o horror ao estilo e – apesar de não negar a sintaxe – condena a submissão do pensamento à mesma.

Considerando essas tentativas anteriores, não significa que Nicanor Parra estaria ai inaugurando um estilo, principalmente, porque neste momento tanto ele quanto Neruda se encontram – assim como muitos de sua geração – enfastiados da “poesia poética de poéticos poetas”, assim como o nosso João Cabral de Mello Neto que critica os poetas que pretendem “perfumar a rosa”. No caso do Chile, a diferença é que ainda que Neruda assuma uma nova identidade poética, ele continua sendo o Neruda com sua voz oracular, ao passo que, Parra já é o próprio novo que revoluciona a poesia, não é uma voz que surge na mudança, é a voz que inaugura um projeto, uma nova maneira de poetizar no mundo hispanofalante. O próprio Neruda adotará o tom e o procedimento da poesia de Nicanor Parra em Estravagario (1958). Nos anos 60, Ernesto Cardenal estará demonstrando essa influência e, tanto na Espanha como na Itália, irão surgindo manifestações de novas tendências “não-literárias” da chamada poesia atual.

A linguagem de Nicanor Parra no desempenho de seu papel de “antipoeta” é ao mesmo tempo singular e múltipla, saltando dentre a fraqueza e a ironia, entre agudezas e puerilidades. Não tem nada a ver com a montanha filosófica de San Juan de la Cruz, mas aqui o poeta reivindica e convida a seus confrades que baixem do Olimpo, quando ele mesmo se propõe descer das alturas de Machu Pichu.

Não é por acaso que existem centenas de artigos (afora este que ainda não foi contabilizado) sobre a poesia de Nicanor Parra, desde o próprio Chile, passando pela Espanha, França, Inglaterra e (pasmem!) até os Estados Unidos, rincão este que o poeta em pleno exercício de suas atribuições não-estatutárias faz uma leitura especial quando afirma que os “USA são um país onde a liberdade é uma estátua”.

Wilson Coêlho é poeta e dramaturgo.



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