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Cronicas-->Os doutores da agonia -- 18/10/2010 - 12:16 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
13/10/2010 10:16

"Os Doutores da Agonia", por Josef Barat*

Entronizados inicialmente em altos índices de popularidade - frequentemente associados à repressão e ao medo - o crescimento da insatisfação e rejeição reforçam o ímpeto repressor, o maior fechamento e o consequente isolamento

As ditaduras totalitárias, cedo ou tarde, chegam à decrepitude e entram em agonia. Seus "Guias" tornam-se figuras patéticas, ao se perceberem marginalizados do convívio com as nações civilizadas e desafiados internamente por opiniões divergentes. A intolerància com a liberdade de expressão, o desrespeito aos direitos humanos e, em particular, ao das minorias, assim como a sistemática perseguição e caça aos dissidentes, acabam por provocar a repulsa da opinião pública mundial. Entronizados inicialmente em altos índices de popularidade - frequentemente associados à repressão e ao medo - o crescimento da insatisfação e rejeição reforçam o ímpeto repressor, o maior fechamento e o consequente isolamento.

Este isolamento faz com que ditadores agónicos busquem desesperadamente apoios no plano internacional. Esta busca pode até sensibilizar alguns governantes que se identificam com os padrões morais das suas ditaduras. Mas o que os torna mais felizes é a pronta atuação dos Doutores da Agonia, que oferece sua presença para mitigar as aflições de ditadores portadores de diferentes graus de psicopatia. E é naturalmente do Brasil - país cordial e hospitaleiro - de onde vem este grupo tão cioso em oferecer tais apoios. As ações dos Doutores da Agonia têm sido criteriosamente programadas e persistentes, levando um pouco de alegria e solidariedade a ditadores rejeitados dentro e fora de seus domínios.

As ações seguem um padrão consistente e bem estabelecido. O Chefe dos Doutores diverte os anfitriões com uma postura amigável, anedotas e abobrinhas inconsequentes, fazendo-os sorrir de felicidade. O Doutor Responsável Técnico pronuncia-se sobre a importància dessas visitas, alegando sempre o valor das trocas comerciais e a inevitável afirmação de que "negócios são negócios", o que deixa os anfitriões satisfeitos pela importància a eles atribuída. O Assistente dos Doutores, por sua vez, justifica as ditaduras e a repressão com a afirmação de que esta "existe em todo lugar" e que os pobres e sofridos "Guias" são vitimas permanentes da intolerància norte-americana, tendo o seu valor justamente por serem porta-vozes do antiamericanismo. Ao final, fotos de todos sorridentes, com abraços afetuosos são difundidas por todo o mundo, mostrando o importante trabalho dos Doutores da Agonia.

A lista dessas visitas de solidariedade é extensa: Cuba, Irã, Venezuela, Síria, Gabão, Guiné Equatorial, para ficar em casos mais notórios. É, sem dúvida, comovente assistir a atuação dos Doutores da Agonia em suas visitas. Concentram-se da tal modo na seriedade das suas ações solidárias, que não desviam, um minuto sequer, suas atenções para manifestações dramáticas de dissidentes e ações repressivas dos seus anfitriões. Trabalho sério, portanto, o desses Doutores, pautados sempre pelos mais altos valores que compartilham com homens que, a despeito da decrepitude e agonia de seus regimes, merecem toda a atenção desse valoroso grupo. Pensando bem, quanto vale para esses ditadores as fotos de abraços e sorrisos distribuídas mundo afora? Isto torna mais intrigante ainda esse trabalho voluntário dos Doutores da Agonia.

* Josef Barat, economista, consultor, ex-diretor da Anac, é presidente do Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.


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