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Cronicas-->A mãe de todas as engenharias -- 19/07/2012 - 16:59 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

 

 

A mãe de todas as engenharias

Hamilton Bonat

www.bonat.com.br

Boa notícia não é notícia. As racionalmente lógicas também não. Estudantes de jornalismo aprendem, desde cedo, que um cachorro morder uma criança não atrai. No entanto, se a criança morder o cachorro…

Mas, atualmente, são tantas as manchetes sobre superfaturamento em obras públicas, que um cachorro morder uma criança deveria ser capa de revista, como poderia ter acontecido com a entrega à Infraero, pela engenharia do Exército, da pista principal do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). Pouca gente tomou conhecimento de que o Exército não só concluiu a obra com quatro meses de antecedência, como, principalmente, a um custo 30% menor do valor previsto. Foram construídas duas pistas secundárias de saída rápida, reasfaltados 1.060 m, além dos trabalhos de iluminação, sinalização e grooving (ranhuras para facilitar a frenagem). Mas como era um cachorro mordendo uma criança…

É sabido que a mãe de todas as engenharias são os exércitos. A primeira civilização a possuir uma força especialmente dedicada à engenharia militar foi a romana. Suas legiões contavam com os “architecti”, corpo de engenheiros responsável por feitos notáveis, como a construção, em algumas semanas, de fortificações de 60 quilômetros de extensão. Na costa mediterrânea da Europa, ele deixou obras que podem ser visitadas até hoje. No sul da França, construíram, antes de Cristo, um aqueduto de 50 quilômetros para abastecer a cidade de Nîmes. A ponte sobre o rio Gard, com seus 49 metros de altura, patrimônio da UNESCO, ainda resiste para comprovar a sua capacidade.

Entretanto, foi com Napoleão que a engenharia militar tornou-se ciência. Em 1747, surgiu a École Nationale de Ponts e Chaussés (Escola Nacional de Pontes e Estradas), primeira escola de engenharia do mundo, até hoje das mais prestigiosas da Europa. Grandes matemáticos foram engenheiros do Pequeno Corso. Entre eles, Gaspard Monge, criador da geometria descritiva, solução de um problema de fortificações, mantida como segredo militar durante 15 anos.

No Brasil Colônia, os engenheiros militares brasileiros absorveram e aprimoraram a arte portuguesa de planejar e construir fortificações, edificações e estradas. Algumas de suas obras ainda fazem parte da nossa paisagem, como bastiões de nossas fronteiras marítimas e terrestres. Em 1792, foi criada a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, primeira escola de engenharia das Américas, que deu origem ao Instituto Militar de Engenharia e à Escola Politécnica da UFRJ. Em 1874, a Real Academia estendeu o acesso a civis, resultando na separação do ensino civil do militar, fazendo surgir os engenheiros civis.

A universidade mais antiga do Brasil, a Federal do Paraná, que agora comemora seu centenário, teve como criadores, além do médico Victor Ferreira do Amaral, outros idealistas. Entre eles, alguns militares, como Nilo Cairo da Silva, que antes de tornar-se médico formara-se engenheiro militar, Manuel de Cerqueira Daltro Filho, Mário Tourinho e Guilherme Baeta de Faria, o projetista do prédio da praça Santos Andrade, um dos símbolos da capital paranaense.

Quem conhece o extraordinário acervo de realizações da engenharia militar brasileira ao longo dos tempos não se surpreendeu ao saber que ela concluiu a obra de Cumbica antes do prazo e a um custo menor. Mal comparando, foi o mesmo que o cachorro morder uma criança. Fazer o quê? Isso não interessa à imprensa. Seu único intuito é vender jornal. Se não conseguir isso, jornalista perde o emprego.

 

Leia os textos de Félix Maier acessando os blogs e sites abaixo:

Blog do Félix Maier: PIRACEMA - Nadando contra a corrente

Mídia Sem Máscara – Félix Maier

Netsaber - artigos de Félix Maier

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Félix Maier- Usina de Letras

Blog do Félix Maier: Wikipédia do Terrorismo no Brasil

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