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Cronicas-->Ócio X Negócio -- 24/12/2012 - 08:57 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

ÓCIO x NEGÓCIO

 Gen Div Ref Clovis Purper Bandeira

“Cobiça e prazer – panem et circenses – eis o que move as massas quando as desampara a crença da liberdade e a dignidade popular... Os homens que pretendem atualmente foros de estadistas e chefes de uma opinião formam contraste perfeito com os antigos patriotas.  Para eles a causa pública não é devoção, porém repouso apenas de atividades mais lucrativas”. 

       JOSÉ DE ALENCAR – “CARTAS DE ERASMO” – 25 NOV 1865

                O imponente Coliseu de Roma, cuja construção foi iniciada por Vespasiano, foi concluído e inaugurado por seu filho Tito, por volta do ano 80 DC.  Para marcar sua inauguração, o imperador romano decretou trinta dias de ócio (otium), durante os quais o povo festejou, dançou, embriagou-se, assistiu a combates de gladiadores, numa comemoração sem fim. Ao fim deste mega carnaval, o imperador viu que era necessário voltar ao trabalho e determinou um longo período de nec otium (sem ócio), ou tempo de trabalho, expressão de que se origina a palavra negócio, etimologicamente um sinônimo de trabalho.

Vinte séculos depois, o mês de novembro de 2012 começou numa quinta-feira. Dia dois, sexta, era feriado, e foi devidamente emendado com sábado e domingo. Assim, começamos novembro com três feriados, o que nos leva ao dia 5, na verdade o dia em que o mês de trabalho começou. Vá contando: lá se foram três dias...

Dias 10 e 11, sábado e domingo, ninguém é de ferro: cinco dias.

Chegamos então à semana áurea: 15 de novembro, Proclamação da Republica, uma quinta, convite irresistível para emendar a sexta, ainda mais porque na próxima terça comemoramos a importante efeméride de Zumbi, grande herói nacional, ou o Dia da Consciência Negra, com certeza precursor de futuros dias das consciências branca, amarela, vermelha, ruiva etc. Claro que a segunda-feira, dia 19, não resistiu à pressão e foi incorporada ao otium tupiniquim.

Atingimos, assim, a perfeição, ou seja, seis dias inteiros e consecutivos sem trabalho, incluindo o fim de semana interposto. Não percamos a conta, já temos onze dias sem trabalho no mês! E ainda falta o descanso de fim de semana, 24 e 25, quando completamos treze dias de folga.

Para completar, o Governador decretou ponto facultativo no dia 26, para que o povo pudesse, espontaneamente, participar das passeatas contra a redivisão dos royalties do petróleo do pré-sal. Total, até o momento: quatorze dias de ócio em um mês! Meio Coliseu!

Desconfio que temos, aqui, um recorde mundial ou algo parecido.

Agora, falemos sério, pois o assunto merece. O comércio, que não ganha se não trabalhar, respeitou os feriados, mas não os emendou com outros dias. Já escolas e serviço público estenderam ao máximo as regalias da ociosidade, afinal não precisam produzir nada e, se alguém não gostou de sua indolência, queixe-se ao bispo...

O grande número de dias improdutivos vai-se refletir numa sensível queda de arrecadação tributária no mês, o que pode ser facilmente resolvido por um aumento de impostos ou criação de alguma "contribuição", o que evitará a burocracia da aprovação política da medida.

Qual a mensagem que passamos para nossos estudantes? A da falta de seriedade, a da desimportância do serviço público e da educação, a certeza de que podem desperdiçar quase meio mês de trabalho, alegremente, sem que nada lhes seja cobrado. Os mortais comuns que precisam de serviços públicos, da justiça, do atendimento das necessidades normais da vida sentem-se cidadãos de segunda classe, ficam à disposição dos privilégios de uma casta de fariseus, que não precisam justificar com trabalho o salário que recebem.

Já professores e alunos não têm com que se preocupar. Nada lhes é cobrado, por que não folgar à vontade? Para os pais, que deveriam exigir a eficiência do ensino oferecido a seus filhos, o feriadão vem a calhar, pois podem viajar, até mesmo uma pequena viagem ao exterior, seis dias consecutivos são suficientes...

Assim, a grande maioria está satisfeita, embora lá no fundo devam ter a sensação de que nem tudo é tão róseo como parece à primeira vista.

Um dia, a conta chegará. De algum modo, pagaremos todos.

 

 

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