Usina de Letras
Usina de Letras
37 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 62386 )

Cartas ( 21335)

Contos (13272)

Cordel (10452)

Cronicas (22545)

Discursos (3240)

Ensaios - (10442)

Erótico (13578)

Frases (50774)

Humor (20067)

Infantil (5484)

Infanto Juvenil (4802)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1376)

Poesias (140863)

Redação (3319)

Roteiro de Filme ou Novela (1064)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1962)

Textos Religiosos/Sermões (6231)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
cronicas-->Acerca de tela.... -- 28/08/2013 - 04:08 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A cerca de tela, arame grosso e malhas largas dela, mostrava com

clareza a divisa de nosso terreiro com os lotes da vizinhança. As

galinhas, contudo, conquanto parecessem ter boa noção daquela

disposição demarcatória, tinham-na mais como uma referência, sobretudo

na hora de se recolher, na segurança que lhes oferecia o galinheiro.

No mais, pagavam e andavam praquela sinalização, e iam transpondo, a

bel prazer, as brechinhas de ocasião.

Penadas, pouco se incomodavam em se esgueirar entre a barra do telame

e a superfície do solo que entre uma e outra saliência, com

frequência, formava um colo. E nada lhes detinha o livre trespassar.

Afinal, os insetos e as folhagens do terreiro vizinho eram sempre mais

apetitosos. E lhes permitiam sair da enfadonha dieta do milho.

O problema, porém, era que tínhamos também algumas galinhas do pescoço

pelado e essas se viam desfavorecidas quando tinham que expor o

pescoço ao perigo, que jazia, se via, nas extremidades das malhas das

telas, terminadas por pontinhas de arame que, embora dobradas para

dentro, podiam, por defeito de fabricação podiam se oferecer a algum

rasgão.

E não foi sem causar compaixão que uma daquelas mais espertas

franguinhas, já se virando sozinhas, e vesprando a primeira postura,

além de despertar os olhos e zelos cobiçosos do senhor galo, apareceu

um dia com um lanho enorme que, meridianamente lhe seccionava a pele

do pelado pescoço.

Panela nela? Calma, magrela. Papai tinha outras idéias. A mim coube

segurar a bichinha, enquanto munido de agulha e linha, papai, com bom

treino em costura - chegara a meio-oficial alfaiate - fez-lhe decidida

sutura. Depois, foi só salpicar com mercúrio cromo e dar-lhe alta

ambulatorial instantànea.

E sabe mais o que conto? Nem foi preciso nova consulta para lhe tirar

os pontos. Não minto: com pouco meses já era mãe de muito pinto.
Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Perfil do AutorSeguidores: 9Exibido 98 vezesFale com o autor