Usina de Letras
Usina de Letras
36 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 62386 )

Cartas ( 21335)

Contos (13272)

Cordel (10452)

Cronicas (22545)

Discursos (3240)

Ensaios - (10442)

Erótico (13578)

Frases (50774)

Humor (20067)

Infantil (5484)

Infanto Juvenil (4802)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1376)

Poesias (140863)

Redação (3319)

Roteiro de Filme ou Novela (1064)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1962)

Textos Religiosos/Sermões (6231)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
cronicas-->Roupa suja... -- 13/09/2013 - 05:21 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A lavagem de roupas era a tarefa mais exaustiva e desgastante das obrigações

domésticas. Implicava várias fases e a mais chata delas era a esfregação. O sabão

em barra, fosse o Santa Luzia, aquele amarelinho, de pintinhas marrons, ou o

róseo Minerva, eram mesmo soda! Deixavam as mãos descoloridas e podia levar

até ao sangramento.

E à mana Labelle é que cabia essa pesada desincumbência, além de partilhar com

LaToya a arrumação da casa, e o fogão. Eu, o terceiro em linha cronológica, me

ocupava das vasilhas. E dos sapatos, onde contava com a assessoria ainda menos

interessada dos manos menores, Beu e Cashi. E ainda sobrava a pageação dos

petizes, feita em mutirão.

Com mamãe e papai devotando oito horas diárias à fapa - que era como

chamávamos a companhia de tecidos - de segunda a sábado, a chiação não achava

argumentação e o negócio, sem ócio ou sócio, era meter as mãos à obra.

Compadecido do fardo mais pesado de Labelle, papai, que à época já trabalhava na

terceira turma, das dez da noite às seis da manhã, não se fazia de rogado, e muito

menos se incomodava em fazer coisas que homem geralmente não fazia: no

quintal, com a bacia de roupa ao centro dum banco, sentava-se numa ponta, com

Labelle na outra, e botava os muques a funcionar naquela faina ingrata e

repetitiva.

E foi numa tarde dessas, ensolarada e arrastada, así como añorada, que bateu à

nossa porta algum mascate ou visitante ocasional. Atendido o chegante,

acomodado num sofá, servido um gór d´água, esperou por papai. Num par de

minutos, ei-lo que chega: quando o visitante lhe estende a mão, papai exibe às

suas, branquésimas ainda que sob uma uma napa de terra solta, fresquinha, e se

escusa: lamento não poder lhe apertar a mão, estava lidando com terra no

quintal...

O visitante não retornou. Mas deve estar ainda encabulado tentando decifrar

aquela cena: mãos tão alvas, por terra salvas...
Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Perfil do AutorSeguidores: 9Exibido 64 vezesFale com o autor