Usina de Letras
Usina de Letras
41 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 62386 )

Cartas ( 21335)

Contos (13272)

Cordel (10452)

Cronicas (22545)

Discursos (3240)

Ensaios - (10442)

Erótico (13578)

Frases (50774)

Humor (20067)

Infantil (5484)

Infanto Juvenil (4802)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1376)

Poesias (140863)

Redação (3319)

Roteiro de Filme ou Novela (1064)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1962)

Textos Religiosos/Sermões (6231)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
cronicas-->A pipeta de Teotista -- 14/09/2013 - 02:06 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A sala de Ciências era a mais interessante das dependências do Ginásio, com

aqueles armários e aparelhinhos de experimentos que nem sempre estavam ao

alcance de nossa mão, mas bastavam e asas davam, à imaginação.

O anel de Gravesande, por exemplo, aquela esfera de aço pendurada numa haste

encurvada, enquanto fria passava normalmente num aro que se lhe colocava logo

abaixo, mas quando aquecida - havia uma espécie de lamparina na base do

aparelho - babau, não passava naquele aro nem a pau.

E dona Teotista, já próxima da aposentadoria, ou dela já bem além, é que tinha a

chave daquele reino encantado - e trancado. Dominava bem a matéria que vinha

ensinando a décadas e a gerações, mas já não se via na velha mestra aquele

ardor, aquela vibração - mesmo com tanta aparelhagem à mão.

Na verdade parecia mais agastada, com a vida e com a classe que regia, a cada

dia. Tossir na sala era prenúncio de expulsão e suspensão. Raspar a ganganta

então...

Teotista desconfiava de tudo e de todos, achando que lhe estávamos a caçoar. E

era bem verdade sua suspeita, só que mais muda era a nossa desfeita. Uma

exceção apenas um dia ela abriu para o Wellington, o Cabrito, para tossir - não

berrar. Provavelmente porque a mãe do garoto, pressurosa, avisara formalmente

do estado tússico do menino. E ele tossia. Mas abusava, a gente bem percebia - e

persabia. Garantido o sursis naquele dia, o bom Cabrito não erraria. E berraria.

E passou a tosse, passaram os achaques e fomos nos acostumando àquela

periclitante convivência. Nem as idas regulares de Dona Teotista para trás do

quadro negro - que era móvel - para assungar sua saia e reajeitar as fraldas da

blusa no seu interior já nos comoviam.

Mas o dia em que ela abriu a gaveta de um armário e me mandou pegar uma

pipeta...
Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Perfil do AutorSeguidores: 9Exibido 92 vezesFale com o autor