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Cronicas-->Sessão de cinema, com Osvaldo André -- 15/10/2013 - 12:28 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

Voltas aos cines-teatros de antigamente (1)

Osvaldo André de Mello

Na obra-prima “Estrelas em sua coroa”, o dramaturgo divinopolitano Antônio

Franco explora a técnica de composição de vitral, para elaborar personagens, enredo,

trama, cenário, intercalando cacos da realidade e da imaginação. De vitral, porque a luz

que ilumina a tensão dramática é a das catedrais fechadas, em silêncio. Mas no texto há

um personagem que se constrói com um caco biográfico de Sebastião Pardini. Barrado,

num fim de semana, na portaria do Cine-Teatro Divinópolis, ainda de Itagiba de Souza,

por usar somente uma camisa social, sem o terno exigido pelas rígidas e glamorosas

regras da época. Pardini jurou então construir um cinema popular, em que o povo

pudesse entrar, vestido como bem entendesse.

Eu me lembro das grandes salas de cinema, a partir do final dos 50. O império

estava nas mãos de Sebastião Pardini: O Popular, o Divinópolis e o Arte-Ideal, última

aquisição. O fim dos 60 assistiu à inauguração do novo Cine-Teatro Alhambra, do

Acácio.

No meio fio do passeio, meninos e rapazes, expunham as pilhas de quadrinhos de

todos os gêneros, incluindo gibis e fotonovelas com Norma Bengell e Gabriele Tinti.

Para vendas e trocas.

Na entrada, compravam-se balas e guloseimas nas bombonieres, sem contar os

garotos que passavam na plateia com um tabuleiro preso ao pescoço e os carrinhos de

algodão-doce e pipoca na calçada defronte ao cinema.

Eu apreciei o footing nas casas do Pardini. Pelos corredores que quadriculavam a

plateia, entrava o público e se acomodava.

Como a luz ambiente fosse de penumbra, mesmo antes da exibição, no Alhambra,

mal iniciava a sessão, atuava o Nando Quadros como lanterninha.

Paralelamente, os rapazes, por vezes, em fila dupla, indo e vindo, passavam

pelos labirintos dos corredores, de olho nas moças, já bem assentadas, aguardando

a isca do flerte. Conforme a comunicação de olhares, ao começar o ritual da sessão,

discretamente, os rapazes se assentavam ao lado da garota flertada, e, de acordo com o

espírito da época, além de apertos de mão, rolavam beijos ousados e carícias libidinosas.

Especificamente, para isto, existiam as galerias, apelidadas “poleiros”, do Popular.

No Divinópolis, era uma atração esperar a entrada e apreciar o desfile, pelo corredor

central, do Alberto Fidélis de Melo, vestido em elegante terno de linho 130, com a bela

Nídia Gontijo, de costume claro, saia justa, meias de seda costuradas atrás, sapatos de

salto.



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