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Cronicas-->Embrapa: herança maldita dos militares -- 02/07/2015 - 15:38 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
"HERANÇA MALDITA DOS MILITARES" !!!
 
(texto de origem desconhecida)
 
Agricultura
 
Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 1500 e o Brasil descobriu a agricultura em 2000.  Durante 500 anos a agricultura foi o rebotalho nacional. Entrava no jogo do poder de sobremesa. Mesmo quando o café era o centro da economia nacional, a agricultura não passava de uma moeda de exportação.

Agora, de repente, a agricultura virou a salvação da lavoura. A indústria emperra, cresce a índices medíocres e ela dispara, comandando as exportações. Só que os neobobos de sempre pensam que aconteceu por acaso, de milagre.

Ainda esta semana, na "Veja", o pomposo Roberto Pompeu de Toledo pergunta "Por onde andará Alysson Paulinelli, que há 30 anos a revista `Time' elencou entre 150 futuros líderes mundiais" (dois brasileiros, ele e Célio Borja).
 
Esta é uma história que os felpudos sobrenomes quatrocentões de Toledo não lhe deixam saber. Paulinelli é o pai da nova agricultura brasileira.

       O que está aí nas manchetes, nas estradas, nos portos, nas gordas estatísticasdo comércio externo nasceu há 30 anos de uma visão revolucionária dele.
 
Em 73, no governo Médici, o ministro da Agricultura, Cirne Lima, doRio Grande do Sul, criou a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agrícolas).Mas ficou no papel. Cirne Lima brigou com Delfim, saiu, entrou o pernambucanoMoura Cavalcanti. A Embrapa continuou uma idéia no papel.
 
Chega Geisel em 74, manda chamar para conversar o jovem secretárioda Agricultura de Minas, Alysson Paulinelli, saído das salas de aula e da direção da Universidade Agrícola de Lavras, e diz a Geisel o óbvio: a agricultura brasileira só sairia da mesmice de 5 séculos de extrativismo se sofresse uma revolução tecnológica.
 
Geisel o convidou para ministro:
 
           - Vamos fazer.
 
Paulinelli chamou o presidente da adormecida Embrapa, Irineu Cabral, e o diretor de Recursos Humanos, Eliseu Alves, e estabeleceram o rumo:

       - Não queremos cientistas para resolver problemas da ciência,mas pararesolver os problemas da produção.

        Pegaram uma verba de US$ 200 milhões e escolheram, nas melhores universidades brasileiras, 1.600 recém-formados e os mandaram para fazer mestrado ou doutorado nas melhores universidades agrícolas do mundo: Califórnia, França, Espanha, Índia, Japão, etc. Estava plantada a semente da maior revolução já feita na agricultura da América Latina.
 
Eliseu Alves, logo o Eliseu Alves, que havia chegado dos Estados Unidos como uma referência mundial como cientista e como gestor de ciência etecnologia, assumiu a presidência da Embrapa e implantou linhas avançadas de trabalho:

                    1 - Criou 14 Centros de Pesquisas, em 14 regiões do País, para pesquisar 14 produtos (exceção do café, que tinha o IBC, e do cacau, que tinha aCeplac): soja em Londrina, no Paraná; mandioca e fruticultura em Cruz das Almas, na Bahia; milho e sorgo em Sete Lagoas, Minas; vinho em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul; feijão e arroz em Goiânia; gado de leite em Juiz de Fora; gado de corte em Campo Grande; seringueira em Manaus.

                    2 - Criou quatro Centros de Recursos Genéticos para o cerrado, em
Brasília.

                    Não foi milagre. Trinta anos depois, o investimento da Embrapa em aprendizado externo e pesquisas internas explodiu a agricultura brasileira.
 
Não foi milagre, foi competência, visão correta da ciência e do País.
 
Paulinelli voltou para Minas, seus estudos, suas aulas, suas assessorias. Eliseu Alves está em Brasília, com seus estudos, suas pesquisas, suas consultorias, ainda hoje o grande guru da agricultura brasileira.
 
Praga agrícola: ontem a SAÚVA, hoje o MST!!!

 

 

Leia as últimas postagens de Félix Maier:

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