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Crônicas-->Gravação* -- 23/08/2021 - 15:40 (Benedito Pereira da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

Gravação*



TRADIÇÃO 



Como é ter uma profissão considerada extinta 



Marcados para sempre



"Por desinteresse dos jovens, falta de cursos de formação e, em alguns casos, pouca procura pelo serviço, alguns ofícios não se renovam no DF nem no país. E correm o risco de desapararecer." 



Se nos anos 1960, em Brasília, José Macedo, 81 anos, gravava canetas, relógios, bandejas e placas com grandes homenagens a políticos, chefes de Estado e casais, hoje, ele conta que o que mais faz é gravar medalhinhas de animais de estimação. Ele garante que tem muita  gravação dele no Memorial JK. "Gravei para o Eisenhower  (presidente dos EUA) na época do regime militar, para o papa João paulo II em sua segunda visita ao Brasil, para a rainha Elisabeth, para Honestino Guimarães. Também fiz as medalhinhas dos filhos de João Goulart e de Nelson Piquet", enumera.



Atualmente, tanto os serviços são menos procuados quanto os colegas de profissão são raros. A maioria dos clientes é antiga. Os novos aparecem indicados por eles. Quando começou, o ofício também era raro: "Era novidade, então as pessoas ficavam encantadas. Naquela época, era chique ter isqueiro, caneta, canivete, tudo gravado". Aprendeu tudo na relojoaria Portinha de Ouro, nome que guarda com carinho. Lá, consertava-se relógio,  caneta, isqueiro e ele foi treinado pra gravar nomes de nesses objetos. Pela bela letra ele culpa a professora Antonieta, do primário, de quem se lembra: "Ela pegava no pé dos alunos de caligrafia. Eu era um dos melhores".



Macedo foi o primeiro calígrafo do Conjunto Nacional. A história dele, no entanto, passou por diversas cidades até chegar a Brasília. De Euclides da Cunha, no sertão baiano, foi para Feira de Santana, também na bahia, depois para Salvador. Foi garçom, porteiro e vendedor de jornais. Decidiu, então, tentar a vida em São Paulo. Seguiu os passos de uns camelôs que havia conhecido. Eles lhe garantiram emprego. "Comecei a gravar os produtos que eles traziam para vender", explica. Na capital paulista, chegou a ser responsável pela gravação de todas as medalhas da Corrida de são Silvestre: "Demorei mais de um mês e já estava tonto de gravar a mesma coisa". Até chegar à capital de JK, ainda se aventurou em Ubraba e em Goiânia, ms foi aqui que se encontrou. Hoje faz prte da história da cidade. 



[Neste site, veja, também, Crônicas, "Gravador Macedo", inserta às 09:02h de 24/12/2013.] 



* Brasília, DF, 23/08/2021 (CB, 21/09/2014, Revista do Correio, ano 10, nº 488, pp. 10 e 11.



 



 


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