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Cartas-->DELMIRO GOUVEIA, ONDE EU NASCI... -- 20/07/2022 - 17:51 (Renato Souza Ferraz) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

DELMIRO GOUVEIA, ONDE EU NASCI...



RENATO FERRAZ



 



 



Minha cidade era pequena, pacata e bastante acolhedora.



Quem a conhecia ficava com saudade e prometia voltar.



Eu não posso precisar, mas creio que Delmiro Gouveia-Al



devia ter uns 10 mil habitantes em 1960



Todos os moradores se conheciam, como se fizessem parte de uma mesma família.



Alguém que não fosse morador e por lá aparecesse, era logo reconhecido.



As duas ruas principais eram calçadas.



O asfalto ainda não havia estreado por lá...aliás, eu nem sabia o que era.



Havia apenas alguns carros na cidade.



Portanto não existia nenhuma sinalização



e em certas horas imperava um silêncio de paz e tranquilidade incomum!



A bicicleta era um meio de transporte bastante usado,



e eu logo cedo aprendi a andar na mesma.



Como tudo era perto, os trajetos eram feitos a pé.



O único ônibus interurbano a passar por lá, vinha da capital do estado, Maceió.



O motorista já entrava na cidade buzinando,



em clima de comemoração de campeonato de futebol.



Havia um trem que passava pela cidade, acho que duas vezes por semana,



que também entrava buzinando o tempo todo.



Ele vinha de Petrolândia-Pe e ia para Piranhas-Al.



Meu avô materno, Seo Vicente Balbino, morava em Petrolândia e era feirante;



vendia seus produtos nessas 3 cidades.



Eu tinha 7 a 10 anos nessa época e via meu avô no trem para lá e para cá



Na minha cabeça ele era o seu proprietário.



Vez ou outra eu ia com ele passar dias na sua casa em Petrolândia, com minha avó.



A feira livre que movimentava a cidade, era aos sábados.



Vinha feirante das redondezas e a cidade ficava animada e bastante movimentada.



O apito da fábrica de tecidos, em horários pré-estabelecidos,



funcionava como relógio de ponto. Tocava 3 vezes ao dia.



Meu pai era operário da fábrica e nós morávamos na vila pertencente a mesma.



Era na rua 7 de setembro, depois mudei para a rua ao lado, a 13 de maio.



Quase em frente à minha casa ficavam o mercado público e o comércio local,



com os principais pontos de prestação de serviço de uma cidade,



como a prefeitura, a padaria, o cartório, a barbearia, a delegacia, a cadeia pública etc.



No alto, ao lado do mercado, havia sido instalado o serviço de som local,



com vários alto falantes espalhados para ter maior alcance da cidade.



Tinha uma grande audiência porque todos eram atualizados com as notícias locais.



Era o serviço de som PRPC de Delmiro Gouveia.



Tudo era anunciado ali, casamento, morte, aniversário,



Tinha também pertinho de casa 2 cinemas e um clube.



O segundo clube ficava mais distante.



O campo de futebol ficava um pouco mais afastado



e aos domingos eu ia assistir ao jogo com meu pai.



Assim como o campo de aviação,



onde o único avião que pousava era o do dono da fábrica de tecidos local,



uma das maiores da região e do estado.



A praça Delmiro Gouveia, em frente ao Cine Real, era a mais movimentada.



Nessa época a música predominante era da jovem guarda,



com Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Roni Von, Paulo Sérgio e outros cantores famosos.



Eu estudei na escola da fábrica, até quando fui morar em Paulo Afonso-Ba, NO ANO DE 1.969.



A serra de água Branca ficava há umas duas léguas e eu nas férias ia passar dias lá



num sítio de um casal com 8 filhos, amigos de meus pais.



Quando chovia, enchia o riacho da passagem,



o açude sangrava, e muita gente tomava banho naquelas águas barrentas.



Havia 2 igrejas na cidade, uma capela pequena e a outra já mais moderna e maior.



Final de ano era o parque de diversões e o circo que animavam a cidade.



A gente ia para lá brincar, paquerar e se divertir.



Tinha 3 sorveterias e os vendedores de picolé no carrinho passavam buzinando e oferecendo na porta.



Até alguns pedintes eram conhecidos e seus nomes familiarizados.



Existiam muitas histórias sobre cada um deles e as crianças em geral,



como eu, tinham medo quando os viam ou ouviam falar e contar as histórias.  



 



 


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