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Discursos-->Abertura da 2a Jornada Ibero-americana de Cineclubes -- 16/07/2006 - 20:51 (Athos Ronaldo Miralha da Cunha) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos


Discurso por ocasião da abertura da 2a Jornada Ibero-americano de Cineclubes


Senhor diretor do Centro Técnico Audiovisual as Secretaria do Ministério da Cultura José Araripe Júnior

Senhor Diretor da Agência Nacional de Cinema Leopoldo Nunes

Senhor Secretário de Captação e Relações Internacionais neste ato representando o excelentíssimo senhor prefeito municipal Jérri Machado

Senhor Presidente da Federação Internacional de Cineclubes Paolo Minuto

Senhor secretário Latino Americano da Federação Internacional de Cineclubes Juan Carlos Arch

Senhor coordenador geral do Festival de cinema de Santa Maria Luiz Alberto Cassol

Senhoras e senhores

Santa Maria está em festa.
Pulsa no coração do Rio Grande o cinema, cineclube e o cooperativismo.
Durante a semana passada tivemos o 5o Santa Maria Vídeo e Cinema e no final de semana a Feira Estadual do Cooperativismo.
O festival de Cinema foi coroado com enorme sucesso, mais de 300 pessoas estiveram assistindo as projeções na praça. O Teatro Treze de Maio sempre esteve com a lotação esgotada.
Durante os três dias de cooperativismo mais de 100 mil pessoas prestigiaram a feira da diversidade e da socio-economia solidária no parque da Medianeira.
E durante essa semana temos a 26a Jornada Nacional e o 2o encontro Ibero-americano de cineclubes.

E o que tem a ver feira do cooperativismo com cineclube?
Acho que tem muito a ver. Ambos são simbolizados pelas palavras cooperação, solidariedade, união em busca de um único objetivo.
Inclusão cultural e social são termos que resumem e dignificam esses empreendimentos.

Quando nos repontamos ao festival temos que prestar homenagens as pessoas que se dedicam para o sucesso do evento, nesse sentido gostaria de citar a pessoa do Cassol. Luiz Alberto Brisola Cassol é um entusiasta do cinema e do cineclube. O Cassol respira e transpira cinema e nos cativa e empolga. Assim, saúdo todos os demais que estão intimamente envolvidos com o festival e com a jornada.

Cinema e cooperativismo tocam fundo nos conceitos que são caros à Cesma e a nós que militamos nesse meio e ainda teimamos falar em cooperação. Por vezes, ainda, recitamos a palavra utopia, tão fora de moda nesses tempos de políticos desacreditados, promessas vãs e atitudes inconseqüentes.

Mas podemos afirmar que a cultura da cidade se apropriou do festival de cinema e que em pouco tempo será um dos mais importantes e noticiados do estado. Porque esse festival é construído de forma participativa e cooperada. Ninguém é dono e todos estão envolvidos e comprometidos.
E isso é muito bom e interessante. Nada é melhor que o conjunto. Nada é mais importante que o trabalho em equipe.
O sucesso está intimamente conjugado com uma idéia de união, um objetivo definido. Aquela velha história de sonho que se sonha junto é realidade nesse momento.
E isso nós conseguimos com a cooperação e o trabalho solidário. E, principalmente, dedicação. Não consigo outras palavras para exprimir esse sentimento.

Recentemente em cadeia global tivemos um exemplo de como não se deve trabalhar em equipe. É evidente que estou falando da seleção Canarinho da dupla Parreira & Zagallo. Gênios multimilionários em estado de êxtase não conseguiram evoluir para uma equipe de futebol.
Os homens de Neanderthal com seus porretes fariam alguma coisa mais interessante nos gramados da Alemanha.
Ficou comprovado que glamour e vaidade não combinam com solidariedade e perseverança.
Os nossos craques estão associados a bancos, refrigerantes, telefonia celular, carros e a materiais esportivos. E nós, simples e mortais torcedores, só queríamos associá-los ao futebol. Santa ingenuidade a nossa.
Em 1970 não havia todo esse mercantilismo. Marketing mal se conhecia. E o cara que tentou levar vantagem em tudo acabou proclamando lei de Gerson.

Mas o que importa nesse momento é o cinema, o cineclube e o vídeo. E essa jornada Ibero-americana que hoje inicia.

Nós temos claro da importância do cineclubismo para a inserção e difusão da cultura e da educação. Temos um carinho especial pelo Cineclube Lanterninha Aurélio que também está engajado nos princípios solidários e de cooperação. E tem uma equipe de colaboradores dedicada e perseverante sob a coordenação do Paulo Teixeira que também é um apaixonado pelo cinema.

Temos muito que discutir sobre cineclubismo. E com a participação de cerca de 60 cineclubes de 15 estados brasileiros e com a presença de cineclubes de 10 países temos certeza que os debates serão profícuos.
Ansiamos por leis que regulamentem as atividades cineclubistas, queremos discutir a democracia dos meios de comunicações. Queremos ações dos poderes constituídos. Enfim, queremos educação e cultura e, logicamente, juros mais baixos. Não que eu seja um admirador do vice-presidente.

Gostaria de encerrar falando um pouco sobre cooperativismo. Especificamente sobre a cooperativa dos Empregados da Viação Férrea. Para os amigos que ora nos visitam devemos dizer que Santa Maria foi um importante entroncamento ferroviário e que há muito tempo virou ruínas.
O Rio Grande do Sul e Santa Maria de modo especial têm raízes profundas no ideário cooperativista.
Não foi por acaso que nessa terra de Ymembui prosperou uma das maiores e mais bem-sucedidas cooperativas da América Latina. A Cooperativa dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul que chegou a constar com mais de 45 mil associados sob a liderança de Manoel Ribas.

Inspirada na tradição cooperativista dos ferrinhos de Santa Maria, hoje, essa cidade possui inúmeras cooperativas desde profissionais liberais aos catadores de materiais recicláveis.
A Viação Férrea do Rio Grande do Sul foi um patrimônio dilapidado pela ganância do liberalismo. Uma potência transformada em ruínas pelo longo da vias férreas. Por isso que nós devemos ter o máximo de respeito com as instituições públicas.
Atualmente, restam fantasmas vagueando por carcaças de vagões nos trilhos rejeitados pelo descaso de governos inescrupulosos. Descaso e incompetência administrativa são palavras que definem a atual estágio da Viação Férrea.

Hoje, a viação férrea é apenas uma lembrança e a cooperativa dos empregados, nacos de saudade de octogenários ferrinhos na praça.

Termino com o exemplo da cooperativa dos ferroviários para que seja feita uma profunda reflexão acerca das instituições. Se hoje o festival de cinema e a jornada de cineclube são eventos que primam pela participação, colaboração e atitude solidária é um reflexo da vitoriosa experiência dos ferroviários que ainda será inspiração de muitas cooperativas que estão por vir.
Muito do que somos e do que a cidade é devemos aos trabalhadores ferroviários. Os nossos saudosos ferrinhos.
Muito obrigado.





Santa Maria 13 de julho de 2006.

Athos Ronaldo Miralha da Cunha
Presidente da Cesma



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