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Contos-->Cabelo verde -- 12/01/2002 - 16:49 (Aline Toledo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Quando ele a viu pela primeira vez, não conseguiu desgrudar os olhos do cabelo dela. Aquelas mechas verdes devem ser de uma mulher moderna, sempre disposta a ousar, pensou.

Foi conversar com ela. Estavam no ponto e ... adivinha? Estavam esperando o mesmo ônibus.

“Onde você mora?”

Não, ela não estava indo para casa. Ia para a aula de dança do ventre.

Dança do ventre. Confirmado. Ele estava diante da sensualidade em pessoa. Essa moça deve ser uma loucura na cama. Resumindo, uma deusa.

O ônibus chegou. Ótimo. Havia lugar para que eles se sentassem lado a lado.

O caminho era longo. A viagem demorava um tempão, mas, naquele fim de tarde, o trajeto pareceu surpreendentemente curto.

Não, não vou fazer nada na sexta-feira.

Ponto!

Pode me ligar.

Ela deu o telefone.

Será que era o número verdadeiro?

Ele só soube quando chegou em casa e ligou. Uma mulher, devia ser a mãe, respondeu: “Ela está na aula de dança.”

Ele até hoje se pergunta que conversa inventou para conseguir o telefone.

Deu certo. Primeiro encontro. Tudo saiu às mil maravilhas. Ele perguntou se ela queria esticar, ir para um lugar mais sossegado.

Não, era muito cedo para isso. Eles precisavam se conhecer melhor.

Ela não só captou a mensagem como respondeu na lata.

Vários encontros. Para ele, era como se fossem vários primeiros encontros.

Sexo? Nada.

Um dia, ela contou que era virgem. E as mechas verdes no cabelo? E a dança do ventre? E a ousadia, a sensualidade, a mulher que enlouquece qualquer homem? Cadê?

Bom, virgem. Era algo especial ser o primeiro homem na vida de uma mulher.

Ele tentou com mais empenho. Nada.

Virou uma questão de honra para ele.

Ela ficou magoada. Percebeu que não passava de mais uma. Uma conquista.

Assim, ela terminou o namoro e chorou antes de dormir.

Ele não se conformou. Telefonava todo dia, toda hora. A mãe dela, com pena, até pedia para ela dar uma chance.

A mãe não sabia de nada, ela pensava.

O tempo. Só o tempo cura as feridas. Não é o que todos dizem? E um amor? Um amor só se esquece com um novo amor. Certo? Errado. Ela namorou vários outros rapazes, mas não se esqueceu dele. Ele fazia com que ela se sentisse especial - uma mulher diferente, ousada.

Só o tempo cura as feridas. E só um outro amor para apagar uma desilusão amorosa. Certo? Errado. Várias mulheres passaram pela vida dele. Mas nada de esquecer aquelas mechas verdes. Ele até chegou a pedir para uma namorada passar uma dessas tintas que saem quando se lava o cabelo. Que cor? Verde! Não, a menina não quis. Tudo bem. Fazer o quê? Não é qualquer mulher que gosta de ousar.

Quer saber, ele viu que virgindade não quer dizer falta de ousadia, de sensualidade. Isso estava nela, não nas mechas verdes, não no seu corpo.

Telefonou de novo. É, depois de tantos anos.

“Eu estava olhando a agenda e vi seu telefone. Bateu uma curiosidade de saber como você está. E aí? Tudo bem?”

Após um constrangimento inicial, os dois começaram a tagarelar e contaram tudo o que haviam feito enquanto estiveram separados.

Estavam solteiros no momento. Resolveram se encontrar de novo.

Vários encontros. Ela contou que não era mais virgem. Tudo bem, o cabelo não tinha mais mechas verdes também, aliás, corte e cor bem comuns.

Mais encontros.

Já estavam naquela fase que o papo sempre é bom, e o silêncio também. A mãe dela sempre dizia que, quando um momento de silêncio não incomoda mais um casal, é porque os dois estão de fato se entendendo.

Mais encontros.

O sexo aconteceu naturalmente.

Sabe, nada como o tempo para mostrar para a gente o que realmente pesa na balança, ele pensou.

Mais do que uma conquista. Ele gostava dela de verdade. Ela gostou dele desde o começo. A diferença é que, também desde o início, ela soube disso.
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