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Textos_Religiosos-->Amor X paixão: uma discussão sob a ótica bíblica -- 26/06/2010 - 13:10 (Aléxis Rodrigues de Almeida) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Introdução

Muitos provavelmente se lembram de uma antiga coleção de figurinhas denominada "Amar é...", lançada inicialmente da década de 70 e relançada pelo menos mais umas duas vezes. Nela podíamos encontrar frases como: "Amar é trazer-lhe os chinelos quando ele chega cansado" ou "Amar é servir o café na cama quando ela está indisposta". Essa foi uma forma divertida que os autores encontraram para tentar descrever o que é o amor, a partir de ações pontuais e corriqueiras. Muitas frases expressavam com precisão ações naturalmente desenvolvidas por pessoas que amam; outras tentavam relacionar amor com paixão e coisas afins.

Mas afinal, O que é amor? Que sinônimo você daria para a palavra amor?

No dicionário Houaiss podemos encontrar diversas definições, que trazem tanto conotações religiosas quanto outras menos espirituais. No primeiro caso o amor é apresentado como sinônimo de Deus, por ser este o princípio de uma coesão universal. Por outro lado, o amor é apresentado como o próprio "ato sexual" ou até mesmo como "ambição, cobiça". Fico me perguntando como uma palavra pode ter sentido tão amplo a ponto de incluir no bojo de sua definição expressões tão antagônicas quanto Deus e cobiça.

Uma outra definição apresentada no Houaiss e amplamente usada em nossa sociedade é a que apresenta o amor como uma "atração baseada no desejo sexual; afeição e ternura sentida por amantes", atração esta que é conhecida popularmente por paixão. Assim, se Maria ama João, então Maria está apaixonada por João. Ou ainda, se esfriou o amor entre Pedro e Ana, então é porque já não existe paixão entre os dois.

Mas, se amor é paixão, e paixão é desejo carnal, como explicar o amor pelos filhos, pelos pais, pelos amigos? Ou como explicar o amor pregado por Jesus: "amai ao próximo como a ti mesmo e a Deus sobre todas as coisas"? Para responder a essa imprecisão na conotação do termo, há os que buscam outras definições como aquela empregada pelos gregos em que há o amor filos, o amor eros e o amor agape. Segundo essa classificação, o amor filos seria o amor entre familiares; o amor eros, aquele sentido ou praticado pelos "amantes", ou seja, a paixão; e, finalmente, o amor agape seria o amor com o sentido empregado no contexto bíblico.

Há muito que venho tentando entender em que momento na história do pensamento universal se deu tal associação, que procura apresentar o amor como sinônimo de paixão, ou paixão como uma faceta do amor. Dessa confusão conceitual, percebem-se outras tantas confusões cotidianas quando se trata de amor, principalmente no contexto bíblico. Assim, ouvimos muitas vezes alguém falar: Cristo ensinou que devíamos amar nossos inimigos, mas como isso é possível? Como posso abraçar ou viver ao lado de alguém que me fez mal? Novamente o amor é visto como sinônimo de relação física: estar próximo a alguém, para abraçá-lo, acariciá-lo, etc. Curiosamente, no livro de Juízes, Dalila dispara contra Sansão: "Como dirás: Tenho-te amor, não estando comigo o teu coração? Já três vezes zombaste de mim, e ainda não me declaraste em que consiste a tua força", demonstrando quão enraizado está esse pensamento que associa amor a paixão.

Mas será que é esse o verdadeiro significado da palavra amor? Será que amor é mesmo sinônimo de paixão? Tenho firme convicção de que não é esse o significado que Cristo quis nos ensinar.

E se não é esse o significado, qual será então?

Curiosamente, a paixão é apresentada sutilmente pela mídia como sinônimo de amor ou até como algo de qualidade superior ao amor. Este último normalmente recebe o sinônimo de estagnação, monotonia e aprisionamento. Muitos são os filmes e novelas que retratam situações em que um determinado personagem, normalmente estereotipado por uma mulher casada, deve optar por abandonar um relacionamento estável em troca de um verdadeiro "amor", normalmente representado por um homem atraente e gentil.


PAIXÃO É INSTINTO

Há alguns anos foi lançado um livro de nome "amor é prosa, sexo é poesia". Não li o livro, mas confesso que fiquei satisfeito em ver que mais alguém compartilha da idéia de que amor é diferente de sexo.

Quantos relacionamento duradouros entre casais são destruídos por uma paixão!

São muitos os relatos: "Quem poderia imaginar? fulano... casado há tanto tempo. Homem respeitado, bom para a esposa e para os filhos. Como pôde virar a cabeça desse jeito?" Tenho certeza que muitos já ouviram algo do gênero.

Na história temos casos de guerras iniciadas por uma paixão. Quem não conhece a história bíblica de Davi. Enviou um homem para a morte na frente de batalha porque desejou sua mulher.

Paixão é um instinto animal. O desejo, que nasce dos olhos, lança uma nuvem densa sobre o cérebro, que passa a trabalhar intensamente na construção de uma trama para enredar o alvo da paixão. Em alguns casos o corpo todo padece, aprisionado numa parede de fogo levantada por um desejo incontrolável. A menina que não quer mais se alimentar é porque está apaixonada, é porque está "amando".

Mas se assim é, então não há saída. Todos, então, estamos sujeitos a cair na armadilha? A Bíblia, do Velho ao Novo Testamento, está repleta de advertências sobre o assunto. Cristo chegou mesmo a dizer que para adulterar basta olhar com segundas intenções para o outro ou a outra. Ele sabe que o desejo, quando alimentado, é a raiz de tudo. "Aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair", é o que diz Paulo na carta aos Coríntios. Não é possível evitar que um pássaro voe sobre você, mas é possível impedir que ele faça um ninho em sua cabeça, diz um antigo provérbio.

A paixão é algo que nasce de fora para dentro. É uma reação instintiva despertada por algo que nos atrai e que, devidamente alimentada, controla nossas emoções, nossa razão e, principalmente, nossas ações.

Definitivamente não se pode confundir tal sentimento com o amor.


AMOR É ATITUDE

Ao contrário da paixão, o amor é algo que tem que ser construído conscientemente dentro de nós. É algo que, a despeito de tudo que lhe seja contra, deve se mostrar inabalável em seu propósito de fazer o bem àquele que é o alvo do amor. Por isso o amor não pode ser considerado um sentimento, mas sim uma atitude. Uma atitude que devemos buscar manter independentemente do que possa vir em sentido contrário. Como diz o salmista: "Porque por amor de ti tenho suportado afrontas".

A partir desse ponto de vista, podemos tentar entender alguns mandamentos bíblicos bem como procurar um melhor e mais preciso sinônimo para a verdadeira conotação dada por Deus e por Cristo em toda a Bíblia.

O amor é algo que vem de dentro e que se mostra em ações concretas, mas não motivadas pelo objeto alvo do amor. O amor é independente da coisa amada. É uma atitude deliberada de fazer o bem, mesmo que não haja contrapartida. É a entrega sem esperar nada em troca. Como está escrito em Romanos: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores".

Amar é basicamente uma atitude de profundo respeito. Segundo o dicionário Houaiss, respeito é um "sentimento que leva alguém a tratar outrem ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência". Assim, amor é uma atitude que se reveste de todas as ações necessárias para se respeitar e se honrar a outrem.

É interessante notar que se desmistificarmos um pouco o termo amor e, em seu lugar, usarmos uma expressão mais comum tal como a palavra respeito, podemos entender claramente os reflexos do amor em nosso dia-a-dia. Assim, por exemplo, se eu respeito muito meu filho, vou corrigi-lo sem agredi-lo. Se eu respeito muito meu cônjuge, vou procurar fazer tudo que estiver ao meu alcance para agradá-lo e vou procurar fugir das paixões que se apresentam diariamente.

O trânsito brasileiro é um dos melhores laboratório para a prática do amor. Como é difícil obedecer às leis de trânsito! Como é raro testemunhar atitudes de benevolência! Como é fácil ver agressões as mais variadas possíveis. Fico pensando como a simples atitude de respeitar a todos tornaria as coisas mais fáceis. Ceder a vez em via de acesso congestionada. Não parar em local proibido. Obedecer a velocidade máxima das vias. Não tentar "dar o troco" quando alguém fecha a passagem. Dar passagem para alguém que quer mudar de faixa. Manter uma distância segura do carro que vai à frente. Simples atitudes de respeito para com o outro. Ações que devemos desenvolver, independentemente de quem seja o outro.

Extrapolando um pouco, ouso dizer que se houvesse respeito de todos por todos não haveria necessidade de leis. Cristo resumiu essa questão quando citou o grande mandamento: "amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo". É isso! Seria a única lei necessária. A lei do amor. Como diz a carta aos Romanos: "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei".

CONCLUSÃO

A paixão é um sentimento instintivo muitas vezes avassalador, que pode até destruir vidas. É um sentimento que nasce de fora para dentro e que é motivado pela beleza e atratividade do objeto da paixão. A força desse sentimento só pode ser controlada por outra força em sentido contrário. Por um firme propósito de não permitir que nada nem ninguém permita que venhamos a ferir outrem. Por uma atitude de absoluto respeito pelo outro, ou seja, pelo amor.
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