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Contos-->Medo do futuro -- 20/01/2002 - 17:40 (Adelio Rosa) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Amanhã de sexta-feira estava nublada e o dia prometia ser chuvoso na mata. Os animais recolheram-se e a vida parecia suspensa, entregue ao cinza do céu. No casebre, Thaimi olhava para o tempo, triste pelo nublado dia. Sua mente levou-o a recordações do passado presente, onde sua família se fora. Lembrou da Tiara, sua irmã, menina de 10 anos, jovem bonita e alegre, como amanhecer de um domingo de sol.
O Mestre, sentado em sua cama, conhecia os pensamentos de seu discípulo e sentiu a profundidade da dor que Thaimi vivia naquele instante. Nada disse. Mahatma sabia que aquela dor seria fonte de vida para Thaimi, embora naquele momento, o discípulo não compreendesse isso.
- Mestre, estou triste e confuso, quando deveria estar alegre e feliz. Depois de muito sofrimento, estou hoje protegido por sua força e recebo de graça seus ensinamentos. Mas mesmo assim falta-me alguma coisa. O que procuro? Porque esta angústia?
Mahatma levantou-se, foi ao fogão preparar o seu chá de ervas. Tirou da bolsa um saquinho pequenino contendo um pó branco, deixou sobre a mesa e preparou o seu chá.
- Tens medo do futuro?
Thaimi mantinha os olhos no dia cinzento, enquanto a mata mantinha-se recolhida à pausa do alvoroço de pássaros e outros animais.
- Sim. Tenho medo de no futuro não encontre minha irmã e tampouco possa encontrar a felicidade.
- Para o homem pequeno o futuro é desconhecido. Ele vive à mercê de seus desejos, com sustentação em fantasias e fantasmas. É um louco que se atira em devaneios.
E prosseguiu o Mestre:
- Um homem saiu de sua cidade com destino a outra cidade bem distante. No caminho passou por diversas dificuldades e ao final, foi desviado de seu roteiro inicial, indo parar numa região totalmente desconhecida. Lamentou muito o ocorrido e acabou culpando as dificuldades encontradas no caminho. Assim age o homem que teme o futuro. Sai para o nada.
- Mas como deve fazer o homem para não temer o futuro?
O Mestre pegou o saquinho com o pó branco e entregou ao discípulo. Indagou:
- Sabes o que é isso?
- Não
- Pois vou lhe dar isso como o meu maior presente.
- O que tem aí dentro, Mestre?
Abra e descubra. Se souberes usar, vai temperar sua vida. Mas se tu não souberes como utilizar, esse pó poderá trazer-lhe a morte.
Dizendo isso, o sábio deixou o casebre, seguindo em direção à mata. Deixou Thaimi intrigado e temeroso, observando com fixação o saquinho com pó branco.
O discípulo passou a tarde inteira entre a curiosidade de descobrir o que seria aquele pó e o medo de encontrar a morte, caso o tocasse ou inalasse.
A tarde passou e o discípulo não abriu o saquinho. Deixou-o sobre a mesa. Quando a noite se aproximava, o sábio retornou da floresta e encontrou Thaimi deitado sobre sua cama. Passou a mão pela mesa e descobriu o saquinho com pó branco. Thaimi dirigiu-se ao Mestre:
- Senhor, não tive coragem de descobrir o que há no saquinho. Fiquei temeroso pelas suas palavras, mas gostaria de saber o que é esse pó branco. O medo provocado pela força de minhas palavras não deixou você descobrir o que há no saquinho. Assim é o medo que os pequenos homens têm do futuro. É um medo tão forte que impede você de perceber que o seu futuro é o resultado de suas ações sobre os objetivos.
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