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Contos-->Nosso único dia na semana -- 20/02/2002 - 12:36 (Aline Toledo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Para a maioria das pessoas, a quarta-feira é o dia do equilíbrio: fica bem no meio da semana - não é aquela euforia de quando o fim de semana se aproxima, mas também não é aquele marasmo da segunda-feira, quando todos têm vontade de desligar o despertador e continuar dormindo durante dias.

Eu, no entanto, considero a quarta-feira o dia do desequilíbrio. O dia em que a ansiedade toma conta de todo o meu ser e fico lutando comigo mesma. E a luta é tão desigual! É o único dia da semana que tenho para vê-lo. Na aula de Inglês. Eu deveria ter coragem e mudar de turma, abandonar o curso, deixar o país. Mas não consigo resistir. Preciso vê-lo. Já é uma necessidade ouvir sua voz rouca me perguntando como foi o meu dia, se tenho um tempo para conversar, tomar um lanche, um cinema, talvez.

Então, percebo que sou importante para ele. Que ele guarda com carinho nossos bons momentos.

Toda quarta-feira é a mesma coisa. Ele chega atrasado na aula e senta do meu lado quando há um lugar vazio.

Isso me consome. Não quero mais e, ao mesmo tempo, sinto que não posso viver sem ele. Sem aquilo que acho que ele sente por mim.

Eu não sinto mais nada. Só a necessidade. O vício. Ele, ele, ele. O tempo todo. Quando acordo, no banho, nas horas mais tranqüilas do trabalho, no almoço, vendo televisão, ouvindo rádio no carro. Ah, o carro - o carinho na nuca, aquele jeito de dirigir só para não soltar as mãos, os beijos nos semáforos fechados, as buzinadas, eu com vergonha e ele rindo até não poder mais.

Nunca o tive por inteiro. Não suporto viver sem ele, mas não é possível dividi-lo com ninguém. Com ela. A primeira e última. Eu sou apenas mais uma no caminho.

É apenas a ela que ele ama. Ele faria qualquer por ela. Somente por ela. Não por mim. Por mais ninguém. Ele procura o amor dela e, como não encontra, distribui todo seu carinho e sensibilidade para as mulheres que cruzam sua vida. Sem compromisso. Ele me avisou. Eu não acreditei. Hoje acredito. E sofro.

Toda quarta-feira não aprendo uma palavra de inglês e me perco de mim. Luto a minha luta desigual contra meus sentimentos. Acabo me esquecendo de mim e me entregando. Talvez a gente se entenda tanto porque sofremos a mesma falta de amor. Amor não correspondido. Amor que falta aqui e sobra ali.

Mais uma quarta-feira de luta. De sofrimento e de êxtase. De dor e prazer.

Toda quarta-feira penso em fugir, mas me entrego porque isso faz com que me sinta viva. E pronta para o resto da semana. Para o fim de semana. Para a próxima semana. A próxima quarta-feira. Vivo para esse dia.
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