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Contos-->O Invejoso e o Orgulhoso -- 21/03/2002 - 00:37 (Alessandro Ramos) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Vou contar uma estória para vocês. Desculpo-me, antes de mais nada, pela forma que começo, pois contarei como as estórias que conto de forma verbal para amigos que conheço. Não sei ainda por que faço isso, mas é assim:

Havia uma fazenda pobre perto do fim do mundo. Digo fim do mundo por não estar com muita paciência para dar a essa fazenda uma localidade. E na verdade é um elogio chamar aquele casebre caindo aos pedaços de fazenda. Como tinha um terreninho até que bom, os donos criavam galinhas, alguns gados e porcos, além de algumas verduras e legumes para temperar o prato, quando preparavam algum desses animais para lhes servir de comida.

Os porcos ficavam soltos num lamaçal improvisado pelo proprietário. Passavam o dia rolando e guinchando alto na lama, felizes da vida, recebendo lavagem regularmente, além das coisas que fuçavam.

Mas nem todos esses porcos estavam contentes. Um deles não estava. Ficava afundado como podia naquele lodo, olhando todos os outros porcos. Ele se sentia o rei da cocada preta, pois era o maior de todos os porcos, e lógico, não queria se misturar com aquela plebe imunda. Os “súditos” nem davam bola para o Porcão, afinal, na próxima ceia ele seria o eleito para o prato principal, já que por ficar tanto tempo parado só engordava. Imaginem a cara do esnobe suíno quando pegou no ar uma conversa dessas entre dois leitões! Ele ficou desesperado, pôs aquela banha toda para mexer e correu desajeitado sem rumo para longe da dita fazenda.

É lógico que o Porcão ficou indignado! Onde já se viu? Aqueles porquinhos avacalhando daquele jeito com o todo poderoso! Andava xingando seus parceiros de lama, aqueles vagabundos que não sabiam ser porcos de valor, se mesmizavam fazendo o que todos esperavam de um porco, não tinham um pingo de tato para se dignarem a tentar ser algo mais, um porco soberano como seus parentes javalis, suínos de pedigree, fortes, grandes e robustos. Oras... o Porcão queria ser como um de seus gloriosos irmãos de aparência, por isso ficava parado criando banha: para ser grande. E aqueles pirralhos ainda o chamavam de vagabundo...

E o chateado quase-futuro-bacon vagou, vagou, vagou e vagou. Vagou tanto que nem se tocou para onde foi. Mas foi, é claro, apesar de não adiantar andar tanto se não sabe para onde vai. Já que estava sem rumo, parou para descansar um pouco na beira de um lago que encontrou. Bebeu água, se banhou um pouco na terra aguada do leito e ficou parado filosofando sobre sua solitária existência. Claro que não queria admitir, mas no fundo sentia falta de seus camaradas de focinho engraçado, afinal, sem eles, não tinha mais de quem pensar mal. Mesmo assim decidiu fazer daquele lugar sua nova morada, sua propriedade, mesmo tendo por direito o domínio de todos.

O pobre Porcão já estava extremamente entediado com aquele lugar chato, quase se preparando para ir embora, quando viu no céu um ponto branco voando para aquela direção. Era uma grande ave, toda emplumada de penas bem tratadas, deslizava no ar com a glória de uma divindade, esnobe que só vendo. O Porcão estranhou tal figura que surgiu assim de repente. Já tinha visto alguns passarinhos sem graça para lá e para cá, mas nunca um bichão voador daquele tamanho!

A ave pousou perto do leito do rio, ergue gloriosa a cabeça, e com passos de um imperador se caminhava em direção ao cada vez mais irritado Porcão. Sim, irritado, pois sentia que seu domínio, que não era seu, mas dizia ser seu estava sendo invadido por tamanha ameaça. Levantou seu corpo gordo, e caminhou lento em direção ao pássaro.

- O que você quer aqui, porca criatura dos ventos?
O pássaro riu irônica e freneticamente quando Porcão disse aquelas palavras, irritando ainda mais o suíno mal humorado.
- Ousa me chamar “porco”, seu porco! Veja como está imundo, e como esse seu nariz é ridículo! Eu, em minha plumagem magistral já voei por ares que você nem imagina.
Agora Porcão ficou realmente furioso, com tamanho insulto injustamente desferido.
- Estou pouco me importando com os ares que você já poluiu com toda essa sua arrogância estúpida, certamente nem dessas terras é, e creio que abandonou seu povo por ser ignóbil demais perante aos seus superiores semelhares.
- Do que está falando, comedor de sobras encardidas, invejoso por ter que se contentar com a lama por não poder voar? Sim, abandonei meu povo das terras distantes, mas por eles serem inferiores demais para a minha magnitude, não conseguiam, aqueles coitados, voar tão bem quanto eu, e deixei-os para trás, para que não se sentissem tão humilhados perante minha presença. E você? Fugiu com medo de virar lingüiça?
Com tamanha (e verdadeira) ofensa Porcão ficou mais irado que a reunião de todas as iras que já sentira na vida. Bufava, seus olhos fumegavam, de tanta raiva tremia.
- Eu te arranco todas as penas, maldita galinha sub-desenvolvida!
Avançou furioso sobre a ave, para o terrível ataque, mas a ave, que pode ser metida mas não é burra, levantou rápido vôo, circulando acima do irritado Porcão, e continuando a zombaria.
- E aí, lingüiça não enrolada! Por que não abana seu rabinho e vem me pegar? Acho que teria sido melhor você ficar no prato, heim? Melhor ser comido do que ouvir isso!
- Desça que eu te arranco uma por uma das suas penas, abutre descolorido!
- Abutre não tem cor, ô idiota! Além de porco é burro, é?
- Pois seja pássaro e desça aqui para ver o burro, ou é apenas uma doninha mariquinha?
A ave desceu num vôo rasante, bicando forte o cocuruto do Porcão, e voltou para o ar soltando grandes e gostosas gargalhadas.
-Ué, presunto estragado? Desci e ainda estou com todas as minhas penas!
- Então desça e fique que eu arranco elas, codorna metida a besta!
E o pássaro desceu novamente, dando outro golpe na cachola do suíno, voltando para o alto em seguida.
- Ô projeto de bacon! A sua cabeça tá sangrando!

Mas Porcão não respondeu, baixou a cabeça e ficou parado. A ave não parou de zombar e gargalhar, e novamente mergulhou para outra bicada no suíno. Porém, dessa vez Porcão, preparado para tal coisa, levantou sua cabeça e agarrou no ar o pescoço emplumado do inimigo, jogando-o atordoado no chão. Pulou por cima e arrancou todas as penas da desesperada ave a dentadas, provocando grande dor e sangramento no coitado.
Cuspindo penas, Porcão sorriu triunfante.
- Taí, junte suas penas agora, bicho imbecil!
Chorando a ave respondeu sentida.
- Não adianta arrancar minhas penas! Mesmo assim continuará sendo um porco fedido, e nunca irá voar! Eu já vislumbrei a vista aérea por mais tempo que você ficou emporcalhado na lama. Sua inveja não te dará asas!
Tocado pelo recado, Porcão tentou revidar.
- Pois paga agora pela sua arrogância, e seu fim será apodrecer no solo depois de ser devorado por hienas, besta orgulhosa!
A orgulhosa ave não sabia mais retrucar, e disse a única coisa que podia:
- Invejoso!
- Orgulhoso!
- Invejoso!
- Orgulhoso!
- Invejoso!
- Orgulhoso!
- Invejoso!
- Orgulhoso!

E essas duas criaturas, que em seus defeitos se atracaram sem motivo algum de maneira tão feroz, passaram dias e dias repetindo a mesma palavra um para o outro. Quem disse a última palavra só o bando de hienas que chegou para devorar os imbecis ficou sabendo...




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