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Poesias-->A INVENÇÃO DA DANÇA -- 16/07/2002 - 13:02 (Anibal Beça) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos


A INVENÇÃO DA DANÇA



Anibal Beça





Ouvir era ser ouvido

para a palavra pousar

na partilha da harmonia

de partitura espontânea

dos gestos das coisas simples:

o curvar-se até o chão

no apanhar frutos caídos.;

altear-se até os galhos

buscando seca madeira

matéria morta, gravetos

para o fogo do aconchego.



Um cotidiano de música

pelos seus corpos regidos

a descobrir movimentos

de uma nova fantasia:

sons dos ossos em atrito,

músculos partejando água:

lagos na pele porosa

para afogar seus vislumbres.



De tudo saía música

somados a outros sons

de seu entorno silvestre.

Certo que o mudo silêncio

de melodia serena

cantava pelos seus gestos.



Mas se farta a melodia

padecia a percussão

parceira mais efusiva

que se apurasse no toque

quebrando a monotonia:

uma lição para as mãos

na companhia dos pés..



Na busca contemplativa

dessa intenção ao acaso

não sabida mas sabendo-se

oitiva de uma atenção.

no perceber acurado:

tarefa para os ouvidos.

casulo de muitas sombras

sede de santas sevícias.



Então do choque das pedras

das chispas de seu encontro

veio o fogo do barulho

acompanhar o trinado

dos que voavam sem rumo.;

dar compasso ao vento solto,

que afina a fala das folhas.



Segredo em solo silvado

o verde traz seus recados

código do sol cifrado

para a noite das estrelas,

que sabe muito de luas,

e de seus iluminados.



Dos passos dos pés ouviram

as distâncias das campinas

o silêncio de cavernas

o murmúrio das cascatas

a surpresa das montanhas

o mistério azul do mar.



O sabor das maravilhas

degustado em seus espantos

foi-se mansamente em susto

enredar-se aos movimentos.

O verbo dado estendia-se

na imitação do já visto

e era ancho de se ver

a beleza revelando-se

na graça leve dos corpos.





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