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Artigos-->O outro dia -- 22/09/2006 - 11:19 (HENRIQUE CESAR PINHEIRO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos








Interessante. Muito interessante nossas vidas. Acho que o termo é esse mesmo. O assunto que abordo, veio-me ontem à lembrança quando assistia ao filme O Homem Aranha. Em determinada parte do filme há a festa de formatura da turma. Lembrei-me da minha, que não participei.



Há vinte e cinco anos, formava-me em Ciências Contábeis. Eu e mais quarenta e nove companheiros, se a memória não me falha. Dos quais, muitos ainda sei o nome completo.Lembro-me, como se fosse hoje, do último dia de aula. Não propriamente de aula, mas da última prova.



Naquele sábado à tarde. Num dia um pouco cinzento de dezembro de 1980, encerrava-se, para muito de nós, nossa passagem pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas Morais Júnior. O dia, volto a dizer, pois para mim foi alegre e hoje uma lembrança longínqua e melancólica de uma época maravilhosa, passados estes anos todos, estava cinzento. O movimento nas ruas do Centro do Rio de Janeiro praticamente resumia-se a nós, alunos da Faculdade.



O Rio de Janeiro, no Centro da cidade é um burburinho de gente de segunda a sexta. No sábado o movimento diminui acentuadamente pela manhã e à tarde restringi-se a meia dúzia de transeunte.



Aquele cenário de descanso e abandono, sempre me fascinou. Sou apaixonado pelo Centro do Rio de Janeiro e também por dias cinzentos, chuvosos. Aquele cenário parecia que tinha sido especialmente encomendado para mim. Estava maravilhoso e como me trás sempre uma lembrança agradável, aquela nostalgia de nossos de tempos de juventude, quando tudo era sonho, o dia, realmente, na época combinava com nossas alegrias, especialmente para mim.



Assim, era aquele sábado à tarde. Terminada a prova de Contabilidade Nacional, lembro bem da matéria, a euforia era geral pela tão almejada conclusão do curso superior, exceto para um colega.



Antônio Vergasta de Oliveira, era um sujeito muito, mas muito inteligente, porém péssimo aluno. Durante todo o curso nós o levamos nas costas. Naquela época, diretor de uma empresa, ele necessitava apenas de um título superior para galgar outros vôos e passara quatro anos estudando conosco. Muitos trabalhos e muitas provas, por nós feitos, foram apenas assinados por ele.



Sujeito, sempre alegre, brincalhão, naquele dia era a imagem do desespero. Como tinha convicção de que ficara de recuperação, triste, sentado no batente da escala que dava acesso à entrada do prédio da faculdade, lembro, perfeitamente, de suas palavras dirigidas a alguns colegas: “nunca mais saio da faculdade. Fiquei de recuperação, como não sei nada da matéria não vou fazer a prova de recuperação, porque tenho vergonha das besteiras que direi ao professor”.



Teve tanta sorte, que não precisou falar nada. Explico. Na época, dependendo do resultado que o aluno precisasse seriam necessárias duas provas. Uma escrita e outra oral. Ele obrigatoriamente teria de fazer as duas. Como ficaram muitos alunos de recuperação não seria possível se fazer prova oral devido ao tempo que teria para sabatinar cada um dos alunos. O professor optou por duas provas escritas. Obteve média melhor do que a minha que passei direto.



Pois bem, naquele dia foi o último contato com a turma.



Por motivos bestas e bananais que hoje considero, recusei-me a participar da festa de formatura e da solenidade de entrega dos diplomas, que recebi sozinho depois, das mãos do secretário da faculdade, só porque o paraninfo da turma era um ministro do Governo Geisel, Alisson Paulineli.



Depois dali, nunca mais vi meus ex-colegas, exceto três: Vagner, Arlindo e Arlito. O último, mantemos uma amizade até hoje. O primeiro tive alguns contatos durante os seis meses seguintes que permaneci no Rio de Janeiro. Depois que vi para o Ceará perdemos o contato. O segundo, em 1998, pude contatar com ele, trocamos algumas correspondências e só.



Quanto aos demais, falei por telefone uma vez com o José Maria, com Paulo Roberto e Dorival Milano. Tentei falar com o Wagner, mas em vão.



E aí está outra coisa interessante. Os dois últimos não se lembravam de mim. O primeiro não mostrou qualquer interesse em se encontrar comigo, que estava no Rio de Janeiro quando do telefonema que lhe dei.



Como disse os dois últimos não se lembravam de mim. E eu, como um dos bons alunos da turma, por muitas e muitas vezes, por puro coleguismo, colocara os nomes deles em trabalho que eu tinha o trabalho, com trocadilho mesmo, de fazer. O último, passou os quatro anos da faculdade grudado em mim. Estudávamos e fazíamos trabalhos escolares sempre juntos.



Mas, o interessante é que cinco anos de nossas vidas passamos juntos. Lutando, batalhando, sonhando e depois sumimos para sempre e ficam apenas algumas lembranças que nos dão um pouco de melancolia. E quando encontramos essas pessoas parece que nada aconteceu. Que acabamos de nos conhecer. Muitas vezes, o tratamento é totalmente frio, distante.



É. A vida é interessante. Nós pensamos apenas no que se passa agora. O ontem morreu para sempre, independente do que tenhamos vivido.



Henrique César Pinheiro

Novembro/2005



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