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Artigos-->NÓS NÃO PODEMOS FALHAR UM DIA -- 21/03/2007 - 20:34 (HENRIQUE CESAR PINHEIRO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos


Gosto muito da vida do interior e observar as pessoas do lugar. Muitos sem a menor preocupação com coisas materiais, a não ser, e olhe lá, com as necessidades diárias. O que nós, principalmente dos grandes centros, criticamos e rotulamos como falta de ambição. Falta de querer ser gente na vida.



Na realidade, isso eu não entendo assim, mas como uma forma de vida totalmente desapegada a bens materiais. Não digo quando se trata de irresponsabilidade. Mas, muitos vivem apenas aquele dia-a-dia, onde tudo é bom, sem ambições maiores, sem maiores preocupações.



As pessoas trabalham e no fim do dia vão para suas casas, ou ficam pelas ruas da cidade conversando animadamente sobre os acontecimentos diários. Não demonstram preocupações com o porvir. Vivem hoje, e isso basta.



Esse comentário me veio à mente, porque outro dia estava na minha cidadezinha aqui no interior do Ceará e um amigo, que trabalha no pesado mesmo, me convidou para uma pescaria. Como era no meio da semana eu me encontrava de férias e sabia que ele tinha que trabalhar naquele dia, perguntei se ele podia ir, já que teria de faltar ao trabalho.



De imediato ele retrucou de forma bem humorada e demonstrando total despreocupação: “... e nós num pode faiá um dia...”



Achei realmente o máximo. Para nós um dia de trabalho é sagrado e não faltamos por qualquer motivo, quanto mais para ir a uma pescaria. Isso seria o cúmulo do absurdo e taxado de irresponsabilidade. Além da perda do dia, ou seja, da remuneração, nós estaríamos apegados ao empregado preocupados em mantê-lo. Ele não, queria ir pescar e foi, ou melhor, fomos e passamos um dia maravilhoso na beira de um pequeno açude. Pegamos muitos peixes e comemos assados, ali mesmo na beira do açude com farinha e umas cervejas. Ele com coca-cola, pois não bebe nenhum tipo de bebida alcoólica.



No caso do meu amigo, ele simplesmente ignorou tudo isso. A diária e a manutenção do próprio emprego. E olhe que ele vive uma vida de dificuldades, ou seja, o que ganha dá apenas para seu sustento e de sua família. Não se tratava de nenhum um irresponsável que deixou de trabalhar para beber cachaça. Aliás, como disse, ele nem bebe. Mas de um caso de espontaneidade. De desapego ao material.



Essa lição de vida deveria ser seguida por toda a população mundial. Para que serve o acúmulo de riquezas? Se fôssemos menos apegados ao dinheiro, pode ter certeza, o mundo seria outro. As guerras seriam mais raras. A violência não grassava como acontece no dia-a-dia. E nós seríamos, muito, e muito mais felizes. Não nos mataríamos por drogas, por qualquer vintém, por um par de tênis da moda, por uma bicicleta. Nossa preocupação seria apenas suprir nossas necessidades mais prementes.



A ambição que tomou conta da alma do homem transformou o planeta numa panela de pressão que poderá explodir a qualquer momento. Seja pelo aquecimento global, seja por uma guerra mundial por mercados econômicos. Aliás, nós não queremos admitir, ou melhor, os donos do poder não admitem, mas já vivemos uma guerra por conta disso. Vivemos uma guerra por drogas. Vivemos uma guerra de seqüestros. O terrorismo toma conta do mundo. Mas será que os terroristas os bandidos não estão certos? Os poderosos não querem abrir mão de nada, então temos aí este estado de coisa em que nós somos as maiores vítimas da irresponsabilidade, da ganância do poder, mas que nós mesmo acoitamos, quando também não abrimos mão de nosso bem estar e por conta do mercantilismo, do capitalismo do querer mais vamos em busca de bens supérfluos e desnecessários, em muitos casos, à nossa existência. Levados que somos pelos apelos propagandísticos dos meios de comunicação, comandado por inexcrupulosos que invandem nossas casas e colocam na cabeça das pessoas esta necessidade de ter e não de ser.



Pensemos mais em faiá um dia de trabalho, assim acho que poderemos dar uma sobrevida ao nosso planeta e a nós mesmo. E não seremos atraídos pelo ganho fácil, pela vontade de aparecer, por ser famoso. Ser famoso, mas por conta de nossas aptidões e não por conta do dinheiro, dos bens materiais.







HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO

MARÇO/2007

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