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Artigos-->ASSIM COMO O GERÚNDIO O LIMBO TAMBÉM FOI EXTINTO POR DECRETO -- 04/10/2007 - 18:54 (HENRIQUE CESAR PINHEIRO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
VATICANO DECRETA O FIM DO LIMBO PARA NÃO-BATIZADOS



A Igreja Católica Romana enterrou definitivamente o conceito de limbo, o lugar para onde os bebês, que não fossem batizados, iam quando morressem, de acordo com séculos de tradição e ensinamentos religiosos. A medida foi tomada por iniciativa do papa Bento XVI, que com todas sua arrogância, seu poder, sua pompa ao se auto proclamar representante de Deus, decretou o fim do limbo.

Com a extinção do limbo, por decreto, pois com certeza padres, cônegos, bispos, arcebispos e o próprio papa não foram lá acabar com ele na porrada, ou seja, derrubar sua estrutura física, pois mesmo sendo uma instituição destinada a guardar almas deve ter seus limites, suas restrições estabelecidas de modo a não permitir a fuga delas, se é que eles existem: o limbo e a alma.

Foi uma decisão unilateral, porque se Deus existir, Ele disso não participou. Entretanto, o assunto desperta nossa atenção por vários motivos. No próprio texto que justifica a decisão papal consta: “A esperança de salvação para bebês que morrem sem ser batizados", e diz ainda ter a graça, preferência sobre o pecado, e a exclusão de bebês inocentes do Céu não parecia refletir o amor especial que Cristo tinha pelas crianças, afirmou o Serviço de Notícias Católico, de propriedade da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos. E diz mais: “O limbo, que vem da palavra em latim para "borda", "limite", era considerado por teólogos medievais um estado, ou lugar, reservado aos mortos não-batizados, incluindo gente de bem que havia vivido antes da chegada de Cristo.” Assim como, acrescento eu, pessoas que nunca ouviram falar do tal Cristo nem antes nem depois do suposto nascimento dele.

Mas o decreto papal chama atenção mesmo por sua incoerência, assim como do próprio limbo. Ora, o maldito pecado original foi criado para amedrontar incautos e a igreja conseguir adeptos na época de seu surgimento. Coisa sem a menor lógica. Como se pode acreditar ser condenado por Deus, um ente supremo, justo e bondoso, por um crime não cometido. O tal pecado original deveu-se ao fato de Adão e Eva terem comido a fruta proibida do paraíso. Como se pode ser condenado a se pagar pelo roubo de uma simples maça? E a pena estender-se a todos descendentes da raça humana que não tomaram nem participaram do acontecido? O pecado já vem com as crianças no nascimento, que nasceram com essa mancha carregando-a para todo o sempre. É maldade pura, das piores. O Satanás não teria feito coisa pior, mesmo sendo o Satanás. Nem o homem, com toda sua maldade, também não pensou numa pena tão cruel, principalmente com crianças, pois a maioria dos que morrem sem ser batizados são crianças, afora é claro os que professam outras religiões.

Mas que culpa tenho eu, se meu pai cometer qualquer crime, qualquer delito? Para amenizar as coisas inventaram Jesus Cristo que veio nos salvar dos nossos pecados. Até que os pecados da humanidade são grandes, mas para nos salvar deles não precisa ou não precisaria de ninguém, bastava a própria humanidade se redimir. Por outro lado, também usando a lei da compensação, foi criado o limbo. Uma espécie de cadeia eterna mais suave do que o inferno. Eterna porque morrer pagão vai pra lá e de lá não sai mais. Ou haveria um período de tempo para as pessoas permanecerem no limbo? A igreja é omissa quanto a isso.

Ora, manter uma história dessa é coisa para boi dormir e as pessoas acreditam até hoje. Uma lenda das mais imbecis. Mesmo que não fosse, imagine os povos da América, da África, da Oceania que somente - e muitos ainda não tomaram conhecimento do cristianismo anos depois - por volta de 1500, portanto, mil e quinhentos anos após da vinda do “salvador”, sem falar nos que morreram antes dele, e olha que não foram poucos, serem condenados por um pecado não cometido e do qual muitos não têm o menor conhecimento. É duro. Impiedoso. Monstruoso melhor dizendo, digno das maldades atribuídas ao Satanás, se existir, acho ser melhor do que Deus, pois quem manda alguém para o inferno é Deus e não o Satanás. Quem criou todos os castigos foi Deus, e olhe que não são suaves, e não o Satanás. Portanto, o monstro é Deus o Satanás seu executor.

A igreja católica, com minúsculas mesmo, dá absolvição de pecados quando alguém confessa a um padre seus pecados e diz-se arrependido, que depois manda a pessoa rezar pai e nossos e ave marias, mas mantém na cadeia que morreu pagão e volto a afirmar principalmente crianças, sendo que muitas não tiveram qualquer chance de se “redimir”.

Afora tudo isso, o pior ainda está por vir, por conta das religiões cristãs, pois todas são infalíveis e as donas da verdade, mas no caso da católica, a infalibilidade é do papa, representante de Deus na Terra. Veja quanta imbecilidade. Mesmo que houvesse esse direito porque ser dado a uma determinada pessoa em detrimento de outras? Por causa de suas crenças? Ora, se Deus quisesse um representante deveria dar direitos iguais a todos, depois cobrar a posição de cada uma e a partir do comportamento individual de cada indivíduo determinar, na frente de todos, que era o escolhido para representá-lo, e não um grupo dizer se auto proclamar portadores da verdade, e muitas vezes por serem contrariados exterminar sumariamente seus adversários. Exemplos deste comportamento temos muitos: inquisição, cruzadas, e tantas guerras religiosas que se tem notícias.

Aqui não vamos nem entrar no mérito de outras questões, mas vamos ficar especificamente neste assunto. Se o papa é infalível e agora, o agora cabe bem, decretou a extinção do limbo, mantido por séculos por outros representantes da divindade suprema, com o pomposo nome de sua santidade, todos os outros eram falíveis, e apenas agora - repete-se o agora para ficar claro que a determinação foi recente mesmo, Deus reconhece a infalibilidade papal, e corrige o erro dos demais papas, que neste caso, por conseguinte, eram todos falíveis. Portanto, todas encíclicas, escritas antes do atual papa, não servem de nada, pois escritas por homens normais que usurparam o poder divino para si, e somente agora foi restabelecido. Por outro lado, se os papas anteriores a Bento XVI estavam certos, o atual é um usurpador, um tirano, portanto, deveria ser banido da igreja, pois está indo de encontro aos ditames divinos.

Muitos dirão que os ensinamentos de Deus sofrem modificações devido ao entendimento, as circunstâncias de cada época. Mentira. Se Deus é Deus nada vindo dele dever sofrer aperfeiçoamento, pois se supõe sempre perfeito. Aliás, esses são os ensinamentos básicos de qualquer religião, que Deus é um ser perfeito. Portanto, seus ensinamentos não poderiam nunca ficar ao sabor de interpretações pessoais, nem de grupos.

Por outro lado, pela própria declaração da igreja de que Jesus amava as crianças e delas seria o reino dos céus, a igreja não o reconhece como filho de Deus. Se Jesus pensava assim, como os semi-deuses poderiam manter a decisão de mandar para o limbo crianças não batizadas. Mesmo que ele não fosse Deus, era o primeiro-ministro Dele, portanto, suas ordens deveriam ser cumpridas rigorosamente. Em política meia-palavra é lei. Ao declarar seu amor às crianças, os representantes divinos na Terra já deveriam entender que ele estava acabando com o limbo naquela época. Ou melhor nunca deveriam ter inventado tal coisa, pois o limbo é posterior ao suposto nascimento do filho de Deus.

Com a sua decisão, o papa reconhece a divindade de Jesus, extingue o limbo, mas não corrige erros. Se ele o extinguiu, inocentes viveram milhares de anos sem poder desfrutar do convívio divino, por conta de determinações terrenas de outros papas. E aí a confusão se acentua. Com a extinção, os que estavam no limbo foram para o céu sem precisar de ser batizado. Aí, o sacramento do batismo está extinto também pelo decreto, visto que sua função era justamente tirar do batizado a condição de pagão e dar-lhe passagem para o céu.

De qualquer maneira, seja qual for a resposta a igreja fica em xeque. Se o limbo nunca existiu todos os papas anteriores a Bento XVI era falíveis e mentirosos, portanto nenhuma criança foi para o limbo. Se o limbo existia o mentiroso é Bento XVI, a não ser que Deus, mais uma vez, tenha voltado atrás em suas decisões e revendo seu código de ética reconheceu a injustiça cometida por séculos e reconsiderou sua decisão, mas somente depois penalizar crianças com anos de privação e sofrimento. Muita maldade num ente só.

De qualquer sorte, acho melhor não acreditar nas coisas divinas e muito menos papais, pois meu sofrimento e de muitos que nisso não acreditam será bem menor. Se houver recompensa após a morte, que duvido, não tem qualquer importância se viver sem religião, conquanto, Deus, sendo piedoso e sábio, saberá distingui entre os bons e os ruins independentemente de se acreditar ou não Nele e em religiões.

HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO

OUTUBRO 2007

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