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Contos-->Eufemismo para um amor bandido -- 12/06/2002 - 10:30 (Adelio Rosa) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Não há na eufonia poética de Willian Blake ou nos hermenêuticos escritos de Schelling Hegel, luzes que possam lançar algum avivamento sobre as razões de um amor não correspondido. Não há, em toda a face do universo, ser capaz de explicar onde se escondem os deuses que tecem as linhas vertiginosas de uma paixão sem razão, daquelas que se sente uma única vez para se morrer eternamente.
Mariana abraçou Beto e apesar do esforço sobre-humano não foi capaz de deter as lágrimas
que banharam sua face como as chuvas ganham os céus nas noites de outono. Nos braços do amigo, a moça triste tecia seu desabafo, num choro silenciosamente triste, profundo, alimentando pela angústia e sofrimento dos mortais acorrentados à dilacerante dor do amor sem sentido, o amor bandido.
E como um monge, desprovido de qualquer pretensão, o amigo Beto a ouvia em silêncio e em silêncio a ela ele dizia.
Desde que viveu conto de fábula no universo mágico e estonteante de seu grande amor, Mariana renegou sua própria vida, para viver a vida de alguém que vida não lhe deu. Num primeiro momento, acariciada e beijada pela brisa suave e macia da paixão, paixão que transcende o próprio universo, Mariana foi eleita e posse tomou do reino das almas superiores.
Mas logo, no vassalo do furor da tempestade da indiferença, a bela moça ao infernou desceu e nele, condenada eterna, se rendeu.
Como brinquedo velho e sujo, Mariana deixou-se acorrentar na insensatez dos que se viciam na alma alheia, dos que são tragados pelo carrasco da ilusão. A bela moça triste, que um dia
sonhou erguer reino de felicidade, era agora o retrato vivo de alma sem sentido.
Mais uma vez, na insana tentativa de amenizar a ferrenha e fatal corrosão daquele amor
sórdido, ela deitou-se aos pés do amigo, ainda único ser que lhe devota paciência em ouvir seu clamor. E seguindo as voltas que o mundo dá, lá estava ela, novamente remoída pela tragédia desse amor aflito, insano, porém bonito.
Ali, envolvida pela compreensão e paciência do amigo, aquela moça fazia cair toda uma
muralha construída para proteger um sentimento que estava muito além de sua razão.
Ninguém entendia que nas vezes em que se humilhou e humilhada foi, ao mendigar um pouco de atenção, falou alto sua alma, calou-se para sempre sua razão. Ninguém entendia que nas vezes em que se perdeu nas noites de insônia, Mariana deseja apenas um pouco de carinho do
homem que se ama. Também não entenderiam os outros que razões Mariana tinha para, nas
noites frias, desejar com sofreguidão o calor dos olhos de sua eterna paixão.
Como estrela sem brilho, como folha seca de outono, Mariana não entendia por que amava
tanto quem muitas vezes fingia que não a conhecia.
E nos descaminhos que a vida dá, Mariana, 25 anos, uma moça triste como a saudade,
peregrinou pelas vias da maldição, buscando desesperadamente quem lhe desse qualquer tipo de explicação. Como adolescente ingênua, penetrou e se deixou encantar, pela doce ilusão que os magos do desconhecido nos ofertam quando queremos o amor conquistar. Freqüentou com avidez as gloriosas e hipotéticas rodas baianas; bebeu com altivez a marafa das oferendas e depositou sua felicidade nos braços de uma cigana. Pelo amor daquele homem, que num dia de lua poética a fez mulher, Mariana foi inferno ofertar o que o diabo quiser.
Mas nos mistérios da vida, onde se conquista o mundo e se morre por uma pequena ferida, Mariana não encontrou respostas e nem conquistou sua paixão pretendida. E, na fronteira entre a loucura e a própria morte, Mariana deixou-se prisioneira de uma prisão que maltrata e humilha qualquer guerreiro forte.
Desabafada, aliviada por algum momento daquela indigna dor, enfim Mariana deixou os braços do amigo Beto, um amigo de longa data, que acabou samaritano de mais uma triste história de amor.
Indo ao longe, tendo em seus sonhos o homem por quem aos poucos morria, Mariana mais uma vez não percebeu que seu amigo Beto também chorava, também sofria. Se ela, pelo menos uma vez para trás tivesse ocorrido, perceberia que seu amigo chorava pelo amor de Mariana, um amor não correspondido.
E assim resta o consolo de entender que quem ama um amor não correspondido tem suas razões, mesmo quando à própria razão tal amor não faça o menor sentido.
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