Usina de Letras
Usina de Letras
55 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 60367 )

Cartas ( 21289)

Contos (13387)

Cordel (10358)

Cronicas (22277)

Discursos (3194)

Ensaios - (9716)

Erótico (13520)

Frases (48255)

Humor (19555)

Infantil (4830)

Infanto Juvenil (4180)

Letras de Música (5497)

Peça de Teatro (1345)

Poesias (139367)

Redação (3119)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2438)

Textos Jurídicos (1949)

Textos Religiosos/Sermões (5812)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Cronicas-->ENTRE NÓS E O PÃO DE AÇUCAR -- 13/04/2002 - 23:07 (Alexandre da Silva Galvão) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
ENTRE NÓS E O PÃO DE AÇUCAR
(Dedicada ao meu grande amigo Denílson)

O sol e o Pão de Açúcar invadiam a nossa mesa. Eu e o Denílson dividíamos a responsabilidade por uma belíssima conversa fiada, enquanto esperávamos a hora da seção do nosso filme. Ele com um copo de cerveja e eu com um copo de 700ml de Vaca Preta (sorvete com Coca Cola). Era véspera do último Natal do milênio. Era véspera da tão esperada volta para casa (em todos os sentidos). Nessas condições não há conversa fiada que não seja bela, nós falávamos de mulheres, de saudades, de coisas passadas e de coisas futuras. Porém, um acontecimento interrompeu-nos.
_Puxa vida Denílson, eu queria ser o Rubem Braga pra escrever sobre aquilo ali.
_Tenta Alexandre! ...
Pois é, e na véspera a Melissa ao ler uma mensagem de Natal que eu enviei pros colegas (e que, com uma inconsciente maldade, demorei a enviar pra ela) encheu o meu ego de folhas ao chamar-me de poeta. Puxa vida, que maldade Melissa, qualquer coisa que eu lhe tenha feito não merecia réplica tão cruel, agora esse meu ego ridículo rasteja de humilhação. Agora eu vejo que jamais serei poeta. Jamais saberei colocar cores e melodias nas palavras, jamais saberei pintar canções que beijam, com mãos trêmulas, faces molhadas.
-----------------

Atrás do vidro, entre nós e o Pão de Açúcar, desprezando a presença de ambos, aquele casal de garotos roubou, com descaro e agressividade, Deus só para si, deixando a mim, o Denílson, o Pão de Açúcar e até mesmo o Sol com cara de órfãos. Após aquele abraço em que as lágrimas desesperadas escorriam carregando consigo as sujeiras da alma do mundo os dois se afastaram alguns centímetros e se contemplaram, e respirando em soluços se contemplaram, e do tamanho do sol se contemplaram, e do tamanho do Pão de Açúcar se contemplaram, e continuaram se contemplando até a definitiva cristalização em dimensões humanas. Saíram de mãos dadas levando o mundo no peito e as estrelas no olhar.
-----------------

Voltamos, meio desconcertados, à nossa velha conversa fiada, agora divina conversa fiada, engoli outra deliciosa Vaca Preta de 700ml e fomos assistir a uma adorável porcaria americana.
No fim da tarde despedimo-nos:
_Vai Alexandre, O Grande, conquistar o seu mundo interior e fundar a sua Alexandria.
_Vai Denílson Odisseu acordar a sua Penélope com beijos.

Até mais Pão de Açúcar, guarde em seu covil mágico todos os meus amigos para me devolver quando eu voltar.
Comentarios
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui