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Poesias-->Poemas de Xinayba -- 25/08/2002 - 10:34 (Antonio Xinayba) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Povo do Brasil



Querido povo do Brasil

Lute, podemos ser independente

Uma luta civil é importante

Vamos provar que somos úteis

E mobilizar nossa gente

Mostrar que ninguém é imbecil



Toda nação brasileira

Precisa urgente acordar

E parar de se entregar

A gang da política estrangeira

Comandada por imperialista

Que só sabe escravizar



Nesse mundo de miséria

A grande indústria da riqueza

É de quem promove a pobreza

Enche a vida de tragédia

Lança as modas com beleza

Destruindo a natureza

Por Tudo, brasileiros de toda parte

Que ama a pátria e quer liberdade

Faça a hora com solidariedade

Não fuja de nenhum combate

Aonde for pregue a igualdade

E divulgue os preceitos da unidade.





Presidente FHC



Infelizmente presidente FHC

O mundo inteiro está falando fácil

Que o nosso grande Brasil

É o paraíso livre dos ladrões

O impero a céu aberto da corrupção

Sem falar na mentira da globalização

Então Fernando "Henrico" apagão

É preciso parar logo com tanto roubo

O brasileiro, verdadeiro, não faz isso não!

Veja seus barbalhos metendo a mão



Assim como tudo está acontecendo

A nação e todas suas autoridades

Estão sendo coniventes com muita coisa suja

E viram motivo para chacota lá fora

No Brasil a política fede mais que bosta

Como brasileiro filho da Paraíba

Sinto vergonha e fico muito revoltado

Vendo o nosso Brasil, nosso pobre povo

Na miséria sendo explorado e gozado

Em tudo que é piada internacional



Portanto dá um jeito nisso FHC

Prenda todos os que estão roubando

O Brasil e o povo todo merece

Fale com os generais, sargentos e soldados

Que o melhor é investigar os escândalos

Tipo Proé, Caixêgo, Sudam, Sudene, CPMF

Grilagem de terra, pasta rosa, reeleição, Finor

Telefonia, seca no Nordeste CPI e FMI

Isso e mais, FHC urgente você tem que apurar

A podridão é grande ninguém vai conseguir abafar



Então FHC, cadeia ainda é pouco

Para os autores de tanta roubalheira

Seu time não joga pela nação brasileira

Ele está repleto de politiqueiros anti - patriotas

Também capachos dos dominadores estrangeiros

Depredadores do desenvolvimento brasileiro

Eles estão atrasando e roubando o povo

FHC prenda já todos esses pilantras

Faça como Bolívar não seja nunca um lambe bota

Governe para os brasileiros das cidades e da roça.

Humanidade malvada





Não existe mais vida

No deserto de nevada

Êta humanidade malvada!

Centenas de explosões atômicas

Detonadas por pessoas insensatas

Reduziram tantos sonhos a nada

Agora, lindas crianças

Brincam de guerra

A grande indústria da violência

Entra via satélite em nossas casas

E educa seres inocentes

Dizendo serão pessoas decentes

Para destruir a própria vida



Acho muito triste falar

Do futuro que acontecer

Se continuarem tudo explodindo

e mundo inteiro poluindo



Sadio quem vai conseguir viver

Nesse mundo que merece ter

Uma humanidade melhor

Não essa que assiste tudo calada

Que não ver a vida perdendo de goleada

Mais acredita que vive bem informada

Que controla seus assassinos na terra

Mais é um telespectador passivo da guerra

Que está destruindo a vida toda no mundo.







De Antonio Vieira Xynayba

























Somos culpados





Todos precisam saber

se esse mundo está ruim

fomos nós que o deixamos

ficar assim

então somos culpados

pois não paramos de dizer sim

também aos políticos safados.



Agora, quem quiser viver

ter uma vida melhor,

um grande futuro comum,

não pode ficar parado,

pedindo esmola a beira da estrada,

e a vida inteira reclamando,

chorando, sem fazer nada.



Atenda, o mundo está lhe pedindo

se você gosta, mesmo, das crianças,

da praia, dos mares, das florestas,

dos rios, das montanhas,

das flores e dos frutos das plantas

as futuras gerações merecem boas heranças,

faça muito protesto pela vida.







De Antonio Vieira Xynayba





























Moda Consumista







Tenho certeza camarada Minc

você não é um produto da moda

nem um falso mito do poder plim-plim

você só precisa reconhecer agora

há ecologistas na beira da praia

há ecologistas dentro da mata

que não dão valor a vida de uma lagarta.



O importante dessa história

não é a diferença da ideologia

nem ser o dono da glória

talvez seja a moda consumista

que divide povo ambientalista

diminui a luta pela ecologia

e aumenta o poder da hipocrisia.



No mato, na cidade também tem gente atoa

convivendo com o mundo poluindo numa boa.

Pior mesmo foi na terra do cavalo de tróia

mataram um homem por causa da indiferença

isso mostra que temos que nos unir e agir.

Fazer crescer a idéia socialista

só assim conquistaremos a vitória

a natureza é vida não é coisa individualista.







De Antonio Vieira Xynayba



























Xynayba II





No meio da roda perdida

uma força anti-humana

com mente de ratazana

está reprimindo tanta vida

e levando a minha ternura

para dentro do seio da ditadura

e de um poder que deriva

sem nenhuma perspectiva.



Agora nem sei o que vai ser

daqui pra frente nessa estrada

o que eu vou fazer

com tanta vida revoltada

que meteram dentro de mim

e para o povo não vejo saída

em todo Brasil impera a violência

do poder Plim-Plim.



Por isso ouço tantas vozes

me falando sem parar

pega Xinahyba para torturar

Xinahyba é ecologista e subversivo

Xinahyba tú não te pertence

Estão te seguindo noite e dia.

Então acaba logo contigo

ou a polícia te prende.



As ameaças, as injustiças

deixaram Xinahyba paranóico

ele acabou com o sossego da família

Xinahyba não vive drogado

Mais só vive vendo a polícia

Ninguém quer recebe-lo em casa

Noite e dia sonha amarrado

Dependurado no pau de arara.





De Antonio Vieira Xynayba









Che Guevara





Jaz em todas as Américas

jaz na América Latina

um homem da libertação

um homem de verdade

que deu a própria vida

pela libertação dessa terra.



Toda América Latina

violentada desde menina

está marcada pelo sangue e a coragem

de um homem que lutou pela América

e morreu em pé por ela.



Teu sangue circula pelos rios

campos, mares, cidades

das Américas

pregando igualdade e liberdade

para toda América Latina

marcada pelo teu sangue, Che Guevara.



Homem das Américas

ser comum Universal,

comandante e amante natural,

el louco pela vida

da causa mais linda

que jamais será perdida.







De Antonio Vieira Xynayba

























Nós duas pessoas





Não sei onde está você agora?

imagino tanta vida pra vida

com nós duas pessoas sorrindo

um beijo, um abraço, um tapa

uma caminhada pela praia

debaixo de um sol radiante

com todo céu azul lá em cima

cair na água feliz contigo

mergulhar nadar e correr perigo.



Seria bom demais pense

deitar na areia juntinho de tí

fazer carinho um no outro

até o prazer da vida explodir

enlouquecer os corpos da gente

isso vale mais que tudo, que vende por aí.



Essa noite está quente, é noite de lua

menino nasce forte, menina cresce linda

morena acredite na deusa da sina

andar nu não é pecado, faz gozar

pecado é andar armado e matar

vamos viver unidos em comunidade

lutar mais por liberdade.



Numa casa de tantos cômodos

vejo mil espaços sobrando

estou só, longe de você que tanto quero

tá bom eu entendo, encheram o mundo

de motivos e problemas sem vida

pouca gente ver os limites das coisas vivas

miro na lua e vejo o fim de tudo isso chegando.







De Antonio Vieira Xynayba













Teresópolis Simples





No alto, sentindo a vida macia

na FESO, vi uma linda morena

há tanta vida no seu silêncio,

há tanto amor na minha morada

e muita terra sem reforma agrária

martelando minha mente noite e dia.



Vivo em ti, cidade bela

Teresópolis simples, morada natural.

Tuas paisagens verdes me encantam

teu céu de cristal azul é esplendoroso

tem o feitiço da morena sensual.



Cheia de beleza, serra querida

por que estão acabando com a vida

de meninos e meninas lindos

que nem começaram a viver?

Vamos nos amar com mais ternura

deixar nossos corpos flutuarem no prazer.







De Antonio Vieira Xynayba







































Conflito Geral





O grande conflito geral

cria o homem bélico artificial

já rola pelos quatro cantos do mundo

de Jesus á Lutero, Vandré e Boff.

As coisas estão se somando

certos acontecimentos parece que estão avisando.

Ninguém está sentindo a verdade se aproximando.

Aqui no Brasil, a violência e a corrupção campeiam.

Conseguiram desmoralizar de vez a política.



Lembrando Deus, aviso a todos os homens:

O mundo não merece tamanha traição

armada pelos homens, imagem semelhante

agora as explosões do fim estão pipocando.

Eu, trabalhador sem terra, não entendo

a vaidade gananciosa de certos seres humanos

que não levam em conta as verdades

ditas pela dura realidade.



Vendo tudo isso me vem a lembrança:

Se meu pai visse eu escrevendo tanto,

ia dizer novamente caneta de pobre

é cabo de foice e de enxada,

isso que você está fazendo, meu filho,

nunca deu camisa a ninguém.

Vamos colher o feijão e o milho.

Leitura não vai encher seu bucho também.



Pai camarada José Vieira do Ò,

no dia em que eu escrever um livro,

vou denunciar toda a desigualdade do povo,

mostrar para muita pessoa grandona

que caneta de pobre também é tudo.

Ás vezes os bons resultados dependem muito

de quem a está usando no mundo

coragem não me falta, por isso estou lutando.







De Antonio Vieira Xynayba





Revolta Santa do Trabalhador





O salário não dá nem para comer

a máquina não sabe que eu quero viver

mas a vida pulsa para valer

e quem sofre quer logo saber

quem gosta de viver sem nenhum prazer?

Quanto custa trabalhar

noite e dia sem parar

somente para mal sobreviver

e ainda ter que aturar

todas as violências do poder.

Contra tudo isso lute com consciência

pelos seus direitos de cidadania

pelo menos espalhe essa mania

pois o patrão que não negocia

contra seus empregados usa polícia

deveria ser culpado pelo quebra-quebra e a correria

fome, injustiça, tanta riqueza em campos violentados

latifúndios, sem terras, arames farpados

e bandos de homens sem liberdade, super armados

gritaria, corre-corre pelas ruas da cidade

pare, acirra. Greve geral, geral...

o poder armado não é natural

mas a solidariedade gera a igualdade.

O barulho das máquinas

todas as noites, todos os dias

não pode sempre lhe silenciar

operário perca o medo de se manifestar

mostre a todos que só sabem lhe explorar

que a revolta santa do trabalhador

é toda contra um capitalismo usurpador

todo premeditado para a riqueza do rico aumentar

que também trama para o pobre não se organizar

por isso é só unido que o povo vai se libertar.





De Antonio Vieira Xynayba













Réquiem para Verme





A tarde se vai, o sol está sumindo,

se pondo no horizonte poluído da Praça 15.

Estou voltando de mais um dia de trabalho,

corpo cansado, mãos feridas de tanto ralar,

e cabeça cheia de problemas que sozinho não posso resolver.

A noite densa se aproxima trazendo um mundo de assombrações.

Da vontade de correr sumir no mundo.

De fazer qualquer coisa e não sei o quê, nem porquê?

Nada tenho e nada sou também, mas tudo pela vida preciso fazer,

Talvez, uma moda para todo o povo se embriagar,

Mas, estou entre as paredes frias da vida, com a mente fervendo.

O corpo doendo e não há meios de me libertar.

- Ah! se tivesse agora... nesse momento difícil.

Uma cachaça para beber ou um mato para queimar

e cobrir com fantasias alucinantes

esse corpo frágil que quase não me pertence,

que é mais das leis do mundo do que meu mesmo

que está aprisionado pelos erros da humanidade consumista.

O que fazer para espalhar minhas idéias camponesas

como poeira por sobre a terra?

E em todas direções desse mundo cão.

E se fosse como as chamadas ervas daninhas?

Quem sabe, seria um caso sem resolução

ou um grande problema com solução.

Deite Verme, descanse a caveira ossal em um porre total,

e na calada do tempo repouse em paz com o saber e a certeza

de que até os cabelos de vossa “ nossas” cabeças,

estão todos fichados nos porões do poder atrasado e

tudo que se move está cronometrado no SNI.

Portanto não tenhas medo de tudo que possa vir,

como falou o bigode Ceará nada é eterno e com o passar do tempo

contentemo-nos com os chás das ervas nordestinas

que possamos em encontrar no quintal alagoano

de Luiz Vanderley.

Vamos mascá-las tranqüilamente na sombra da lua

como faziam os primitivos em sua sagrada inocência,

assim sendo, nada dessa humanidade irá nos deteriorar.











Homenagem minha ao irmão Verme

Tudo Esta Natureza





Tudo está na natureza

basta você saber procurar

desfrutar no clima sem estragar

depois é só viver com ternura

acima de tudo toda vida preservar.



No lindo jogo da vida

ninguém precisa ser ninguém

a vida com liberdade é linda

veja isso quando tiver com alguém

mesmo sozinha sinta todo prazer da vida

imagine ser uma estrela

sendo amada por um planeta.



Morena ponha vida na cabeça

você faz parte da natureza

defenda-se de qualquer maneira

viver livre é a maior riqueza

mire-se no exemplo da natureza.



Mas antes de arribar

morena de novo volto a lembrar

tudo nasce da natureza

dela não podemos abusar

por sua causa “justa causa”

que é a mesma de nossa vida

temos obrigação de lutar.







De Antonio Vieira Xynayba





















Severina Nordestina





Severina mulher e paraibana

falou a verdade geral

é uma estudante conscientizada

e filha de general

gosta de viver livre a vida

não gosta de nada da política

acha errado pagar a dívida

defende um socialismo humano

para o Brasil e a Paraíba.





Severina tu tens toda a força

és estrela somente mulher

revolução cheia de amor

estrada certa da libertação

tesão popular das multidões

abrigo amante dos corações

flor fêmea da grande nação.



Vi em você Severina nordestina

que com risos rosados falava

a verdade da camponesa sem terra

que noite e dia sobrevive ameaçada

só porque quer ter um roçado

para plantar as sementes da vida

e colher os frutos da terra lavrada

para se alimentar com os filhos e marido

longe da elite de visão atrasada.







De Antonio Vieira Xynayba





















Teresópolis





Teresópolis olhando teus granitos,

senti a força da vida tão menina,

o gosto de um prazer infinito

brotando dos lábios de um amor magnífico.

Vi em teu Éden de pedra toda ira divina.

Gritei: o azul do teu céu é mais lindo

aqui vejo o sol sempre brilhando

sonho nos braços do nevoeiro e da neblina.

Canto, sou mais um amante da vida

respiro amando o teu ar sempre puro.



O Dedo de Deus eternamente apontando

ouve , Maria Morena, moça apaixonada

que delira olhando a tua beleza,

a vida goza ouvindo o silêncio de teus gritos

clama contra a violência do homem predador

que, alheio, sem amor à natureza

prefere o vício e os conflitos

gerando, pra vida, um mundo cheio de dor.



Pobres homens terrestres, Teresópolis

escravos do dinheiro e da moda passageira

amantes das máquinas e das megalópoles

que poluem todas as belezas naturais.

Feitas pelas mãos de Deus na tenda amada da vida.

Eles não conseguem ter paz nem ternura

para sentirem as ondas dos prazeres celestiais

que exalam de tuas montanhas naturais,

que formam em volta de ti, Teresópolis,

uma via-láctea de corpos sensuais.







De Antonio Vieira Xynayba

















Dura Conclusão II





Pelo que está acontecendo no mundo,

cheguei a esta dura conclusão:

Não existem direitos humanos

Nem brasileiros, nem americanos.

O que existe mesmo, de montão.

É desemprego, sem-teto, sem-terra,

sem-saúde, desumanidade e usurpação.



Dentro dessa tensa situação,

vendo tanta fome e violência

no Brasil, em toda a Terra

diante do rolo compressor da globalização

e sentindo o peso da arapuca neo-liberal,

eu pergunto a meus irmãos:

- O que adianta ter razão?



Enquanto rola muita discussão,

vejo que está na moda e nas leis dos poderosos

toda forma de crime contra o povão.

Até quando vai continuar tanta espoliação?

Falsos projetos, falsas reformas políticas,

escândalos, métodos violentos dos governos

sempre geram um clima bom para a subversão.



Agora mesmo, em toda a nossa nação,

o velho atraso social é muito real.

A anti-cultura ocupa a mídia nacional.

O Brasil verdadeiro não tem espaço na televisão.

Por tanto, o entreguismo, a alta corrupção

São milhões de tambores subversivos

batendo forte dentro do meu coração.





De Antonio Vieira Xynayba

















Mundo Meu, Mundo Teu





Maravilhosa e esplêndida é a vida:

Tudo isso e aquilo de belo ela tem,

a vida é tudo, filha suave do nada.;

ela é como uma flor nua no mundo,

tem tudo que a gente gosta, tanta ternura.

Estão porquê procuramos decifrá-la

Em nossos sonhos cheios de fantasias?



Minha percepção nativa sensorial

consegue ver a imagem refletida no espelho

daqueles que procuram encontrar fácil

o seu perdido invisível tão estranho,

um pobre sofrido no sonhado mundo encantado.



Estagiando com tudo que vejo, que sinto,

andando pelas estradas dos problemas sociais,

transando, bebendo e comendo corpos sadios,

perco-me em meus pensamentos velozmente

em busca daquilo que não consigo distinguir

nesse mundo violento onde estou sobrevivendo.



Saio de mim, penetro em ti, em teus pensamentos,

é como ter certeza de paz e esperar fadigado

após um longo dia de muito trabalho.

Que a noite chegue logo trazendo liberdade

e nos envolva com seu manto sagrado!



É como mergulhar em um sono profundo

e se despertar em um outro mundo distante

longe de tudo, longe dessa estafante realidade

que é nosso mundo, ontem puro e limpo

hoje sujo, disputado, armado e bombardeado.



Métodos errados de homens piraram a época,

ninguém sabe ter, nem sentir a natureza,

uma simples presença amiga cheia de vida,

isso é não saber sentir o perfume da flor.

É não saber sorrir, amar ou chorar,

é ser uma insignificante presença parada

diante de uma criança desesperada carente

que chora pedindo socorro e alimento,

pobre criança sem amor, sem carinho,

doida para sentir a ternura de um afeto

da mão de uma pessoa amiga.



Naveguei com meus pensamentos,

nos mares de outro mundo nadei,

cruzei fronteiras e cheguei pedindo paz.;

exausto da longa caminhada e duras batalhas,

deitei-me nas relvas de campos estranhos

e fiquei a fitar toda a beleza do infinito



passando por cima de uma cordilheira,

e peguei-me imaginando em tantos mistérios.

Aí, a música angelical de um pássaro

Envolveu-me com sua suavidade feliz adormeci.



Não posso afirmar nem mesmo dizer o que fui ontem,

o que eu sou hoje, agora,

nem mesmo o que vou ser no futuro.

Espero nunca ganhar nome de frívola

do tempo ou das leis arbitrárias.



Estive em lugares exóticos e inquietantes

e em ti assim como eu no mundo perdido,

vi tua imagem operária com toda a humildade.

Sentada você fitava os horizontes,

rosto sereno, olhos brilhantes no espaço

em busca de alguma coisa

além das montanhas, da distância,

talvez alguma resposta humana

para suas perguntas socialistas,

as mesmas de todo o povo que sofre

nessa terra que eu não consegui plantar livre.



No despertar, senti o cheiro da terra,

o sabor do orvalho da noite de lua cheia,

em meus lábios secos nasceram vários sorrisos,

a simplicidade, a naturalidade da vida

e seus repentinos momentos alegres

que com felicidade cultivaram minha amizade

por você, morena camponesa,

vida minha assim, vida tua assim.



Quando senti seu corpo livre no meu,

Te comparei a uma árvore florida

Fincada lindamente no terreno árido

Que o sereno da noite alimenta

Com sua umidade grátis e planetária.

Você estava livre como árvore imaginária

Por mim, pobre sonhador da liberdade,

Seus cabelos voavam nas ondas do vento,

Seus braços giravam suavemente lindos.;

Você precisa estar alegre com tudo nesse mundo,

Suas mãos seguravam com todo o carinho

Um lírio amarelo do campo.



Sua presença só mostrava vida

e o sol da manhã te fortificava

com o calor violeta de seus raios doces

pois és toda a vida pura nesse mundo

e a coisa mais desejada que existe aqui

entre nós do lindo planeta terra.



Por isso quero você dentro das nuvens

e juntar tudo com a liberdade dos astros

para ir, para vir em todas as direções,

vamos ressuscitar todos valores humanos

praticar mais o “ Amai-vos uns aos outros”

sem nenhum medo de lutar pela terra prometida.



Assim como a luz do sol eu queria ser,

para que todos não sintam frio debaixo de mim

e sob a minha sombra todos descansem felizes.

Que cada corpo semelhante ao meu e ao teu

seja uma fonte de vida sadia e natural

onde todos possam matar a fome e a sede,

a tristeza e ter amor amplo sem precisar pagar.

Quero ser um longo caminho sempre aberto

Para que todos o percorram com tranqüilidade

Em seus dias de alegria e solidão.



Agora e sempre peço a meu Deus força maior,

mais coragem, mais saúde, mais esperanças

para nunca parar de buscar a vida

pelas estradas, pelas ruas, pelos campos áridos e férteis

desse mundo que nós temos que salvar.

Oh! Deus, fazei com que sempre seja simples

Como a brisa solta no tempo verde.

Deus de todos nós, mais um pedido desesperado:

Intervenha livremente nas mentes, nos corações

dos homens que pensam serem sozinhos donos disso tudo,

estale no mundo um regime onde todos possam viver

em paz, com liberdade, fartura e amor.





De Antonio Vieira Xynayba

















































































Nem vírus nem vermes





Nem vírus nem vermes

são culpados de tudo

os defluxos vem e se vão

e a gente fica e vai ficando

com nossos sintomas

maltratando nossos corações.



Criamos a dor de repente

e como não sabemos, sentimos

ela é solitária e invisível

e nem adianta tomar cachete

a dor é companheira todos os dias

é coisa crônica do consciente.



Vermes e vírus filhos de Pichilinga

parem de acender a luz

claridade não espanta pesadelo

ficamos com ele que é sempre o mesmo

as vezes sem saber da origem do Cafute

temos pesadelos a todo instante.



Mesmo sem a ordem do chefe

não posso perder a esperança

a mira está me mirando

de perto ou de longe

não posso esquentar com sua presença

somos todos alvo certo da mira.



Sem vontade posso seguir

antes de tudo antes de cair

falta de apetite é doença

quando tem comida o remédio é comer

e tentar viver em qualquer favela

com poder ou sem poder.





De Antonio Vieira Xynayba











Irmão Nordestino





Porque irmão nordestino

o nosso Nordeste continua atrasado

essa terra fértil esse bravo povo

vive em plena miséria no mundo

sentindo fome e sede sem cobrar nada

abandonado pelos mentirosos da política

que dão sustentação a esse sistema

o mesmo que mantém a indústria da seca.



Dentro dessa politicagem atrasada

a minha mente nordestina peleja

tenta, mas não consegue fazer

um pequeno resumo de tanta miséria

essa ampla pobreza, essa tamanha dor

está matando esse sofrido povo

que sobrevive a toda sorte de abandono

pedindo somente a nosso Senhor.



Será que os homens que estão lá em Brasília

filhos inteligentes dessa terra tão sofrida

também dessa pátria chamada Brasil

desse continente de solo rico por natureza

nunca vão ter vergonha na cara

vocês já tem açude poços Amazonas

bangalôs dentro de suas fazendas

tudo as custas da pobre gente nordestina.



Então vejam a aridez dessa terra abandonada

acabem logo com a rica indústria da seca

em nenhuma parte ela pode continuar estalada

o povo nordestino quer educação e autonomia

não quer a tutela da esmola da emergência

nem a política rabugenta do sistema capitalista

a cachorra magra filha da doutrina imperialista

premeditada pela suja política escravagista





De Antonio Vieira Xynayba









Bóia Fria





Lá vai bóia fria correndo

fumando e de foice vai passando

sem saber o que vai na vida acontecer

parece que vai comer qualquer coisa

quente ou fria ele não pode escolher

bóia fria só tem um direito na terra

para o patrão trabalhar e produzir.



Lá vai bóia fria danado

revoltado, calado vai sonhando

nesse mundo todo armado não pode gritar.

Pouco adianta bóia fria camarada

sonhar com a liberdade

e com a ternura da mulher amada

pensar em feijão com arroz e farinha

com um ovo ou uma rapadura da usina

um tico-tico de carne assada

também com uma salada envenenada

com agrotóxicos da pesada.



Na realidade brasileira

a marmita de bóia fria

anda vazia como a sua barriga

roncando sempre colada no espinhaço

a carestia do custo de vida não permite

bóia fria melhorar o rango

a comida todo dia é a mesma

sem gosto de nada e toda fraca

sem sustança que não consegue matar

a fome de nenhum operário.



Todo dia chova ou faça sol bóia fria trabalha

quando chega a noite no barraco

cansado está mais morto que vivo

bóia fria não tem força nem para pensar

aqui no Brasil as leis não lhe protege

talvez em outro planeta quem sabe?

seus direitos sejam todos respeitados

bóia fria não faz nem política sagrada

seu divertimento é ouvir futebol

trabalhar arduamente para engordar o patrão

e morrer viajando em cima de caminhão.





De Antonio Vieira Xynayba





















































































Branco Errado Índio Certo





Branco industrializa a pobreza

enche as cidades de violência e sujeiras

derrama tudo que é lixo no mar

contamina a saúde de todo mundo

e queima florestas inteiras

pelo dinheiro destrói a camada de ozônio

comete os maiores crimes na terra

usa a política arte de governar a vida

como um negócio sujo e politicagem

e ainda espalha que o índio é selvagem.



O chamado homem civilizado

faz tudo que é ruim no mundo

mas sempre acusa o irmão índio

que ainda não construí um satélite

não possuí bombas atômicas

nem arsenais de armas biológicas

coisas que hoje fazem as geleiras se derreteram

o homem branco é quem tem tudo isso na terra

então, o índio não é um ser selvagem.



Por tudo mais chega de culpar o índio

não suje seu ambiente deixe-o viver em paz

ele é um ser natural nativo.

Somos nós brancos os verdadeiros bárbaros

e temos que aprender muito nessa vida

com os povos indígenas primitivos

afinal precisamos reconhecer agora

que não temos nem vergonha na cara.



Em todas partes do mundo

também em todo o Brasil

que fabrica foguetes, míssil e fuzil

agrotóxicos, minas e torpedos teleguiados

quem vive rezando e matando é o homem branco

o índio da floresta vive livre numa boa

plantando, pescando, caçando e brincando

enquanto o branco gasta milhões fazendo cadeia.



SOS Yanomamy, vamos todos preservar

as serras da mesa, Paríma e Pacaraíma

sagradamente pertence aos índios

as tradições culturais as riquezas minerais

e suas belezas naturais etc e tal.

Ninguém tem, o direito de roubar

Salve os Caiapós, Carirís, Terenas e Wapixana

Basta de política assassina dentro da Amazônia.





De Antonio Vieira Xynayba











































































Jardim das Samambaias





É tão lindo amor,

bom demais, bom demais,

o encontro de perdidos

no jardim das samambaias



Eu, você, a vida nua,

muito verde e a lua,

pura lua, minha e tua

no jardim das samambaias.



Entre beijos e abraços,

as carícias de nossas mãos,

o calor de nossos corpos

aquecem todos os pólos,

enchem de amor o cosmos.



Tudo acontece lindo.

Eu, você, dois perdidos,

estamos felizes nos braços da vida

cheirando a riacho e a mato

no jardim das samambaias.





De Antonio Vieira Xynayba







































Bóia Fria Abandonado





A cachaça feita com cana

e a tinta do vinho tinto

tem o sabor da fina uva

faz alegria da mente

enlouquece toda a gente

da classe trabalhadora.



Como bóia fria abandonado

falo, falo, por falar

para não ficar em vão

a situação do nosso povão

perdido no mundo da corrupção,

bóias frias de estradas,

nunca parem de arribar.;

a busca da vida é latente,

alimenta suave o cérebro

com o saibro da liberdade.



De quando em quando sei lá,

o mundo clareia para nós.

Somos tudo, somos nada.;

Severino, João e Raimunda

discutem muito o frio

da guerra mais do que fria.

O Xinahyba sempre ouve

cânticos lá do sertão

bebe cana e água tônica

para esquecer a explosão

em cima da multidão.







De Antonio Vieira Xynayba

















Terra Somente Terra





Terra que alimenta noite e dia,

ouça, você é a casa de todos nós

peço a você terra que sou

mais uma ajuda para viver livre

perdoe-me em lhe pedir de novo

mas essa corrupção do Brasil

revolta a minha vida aqui na terra.



Terra continue alimentando

as forças humanas ainda vivas

quero a ajuda delas também

pois preciso ganhar todas as lutas

em prol da vida humana na terra

hoje ameaçada pelas máquinas.



Terra, daí-me inspiração naturalmente

além da que eu tenho todo instante

encarne em mim, na minha mente,

a sabedoria que me faça um sábio maior.

Terra, conceda que eu conceda a humanidade

um conhecimento de paz e amor

aonde sempre reine a solidariedade.



Terra somente terra, faça com que eu consiga

ser entendido por todos teus filhos

os governantes que venham a ti governar.

Terra, fortaleça tudo o que protege você

aumente o volume dos gritos

de todos os que gritam por você.





De Antonio Vieira Xynayba





















Nativo ou Índio





Urgente já é hora já é tempo

de acabar com essa falsa história

a de que o índio é um selvagem do mato

que mata o branco de flechada

põe vivo na fogueira para assar

depois bate tambor dança e canta

comendo churrasco de branco

fazendo na floresta uma festa.



Essa história é mentirosa

infelizmente foi inventada

pelo violento branco civilizado

que já matou e vive matando

milhões de índios em todo mundo

para o homem branco robotizado

que gosta de dinheiro e da moda

a vida, simples sadia não vale nada.



A justiça e a lei do homem branco

sempre acusa o índio de viver errado

e diz que o branco é certo.

Estão aprenda safado civilizado

o índio vivia em paz sossegado

tinha saúde tudo com liberdade

não invadia nenhuma cidade

para pegar mulher ou filha de branco.



Branco mesmo com computador

continua fazendo ouvido de mercador

não sabe que índio não bota sujeira

na água de civilizado branco

não joga veneno nas plantas de branco

nem põe fogo nas mansões de branco

nativo não quer ouro nem prata de branco

nativo quer somente o respeito de branco.



Índio nunca sai por aí matando

só ataca quando é atacado e ameaçado

índio anda nu cheio de beleza

respeita fielmente a mãe natureza

sabe dá valor aos rios, aos mares, a seus peixes,

as fontes, as flores e as abelhas

tudo isso são suas maiores riquezas

na nave terra, que é toda sua vida.





De Antonio Vieira Xinaiba Militante Social.

















































































Pão da Escravidão





Com simplicidade a vida é toda gostosa

como fica boa uma comida cozinhada

em um fogão de lenha da Caatinga

feijão xerém, mungunzá e umbuzada

angu, cuscuz, cabeça de galo e buchada

ganham de todas comidas da moda

feitas com todos os requintes da gente fina.



Viver no sertão é muito fácil

basta não faltar a chuva

a enxada aqui produz fartura

faz melhor, muito mais vida

que um fuzil imperialista

aqui a gente come em prato de barro

tudo que colhemos no roçado.



Já pensou o camarada Glauber Rocha

Com Celso Furtado, Julião e Darcy Ribeiro

Lampião, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro

Juntos cantando de baixo de uma latada

e levando um bate-papo brasileiro

com a galera que mais trabalha

e sobrevive mais que abandonada

carregando este imenso Brasil nas costas.



Nas cachorras magras ou frente de trabalho

tem levas de famintos trabalhando por quase nada

em cima de um solo tão rico da nação

vejo meus irmãos de enxada e foice nas mãos

como pode tanta gente nordestina

continuar acreditando no pão da escravidão

sem lutar pela verdadeira libertação.





de Antonio Vieira Xynayba















José Vieira do Ó





Novamente cheguei na Paraíba

em meu nordeste querido

tento entender esse mundo

chego até brigar com a vida

mais vejo meus irmãos indo e vindo

no mais completo abandono.



Para José Vieira do Ó

nada de novo nada de velho

o Nordeste continua na mesma

eu me pergunto porque deus?

escolheram a região nordestina

para ser sempre assim

um quadro de miséria e terra de ninguém.



Para o verdadeiro nordestino

fã de forró viola e sanfona

tanto faz esta longe ou perto

aonde nasceu a onde vive agora

ele acompanha e procura saber

tudo que acontece na terra querida.



Eu sempre agir assim

nem a distância nem o tempo

as belas fantasias da vida

não fizeram esquecer o meu povo

meu Nordeste o meu Brasil

e a minha bandeira civil.



Agora voltei com minha alegria

rever tudo que já conhecia

digo que aprendi no sul maravilha

vim sonhando, estou lutando

e a vida se acha pior na Caatinga

árida fértil e abandonada.



A seca é um fenômeno natural

não é atraso de toda região

nem é a mãe da grande corrupção

a maioria dos políticos e que são safados

exploram seus próprios irmãos abandonados

e geram mais problemas sociais para a nação.

Wladimir Hérzóg





Que se regozijem os poderosos em seus castelos de força, em seus falsos pedestais e redutos de iniqüidades vis os dias seguem suas trajetória ... os tempos passam ... e não acabam as imagens dos tristes acontecimentos desse dia pintado sem cores vivas sobre uma tela fria.

Os fios dos nossos pensamentos não demorarão a partir. assim como a mais rígida fortaleza rodeada de soldados que ao bailado do tempo não tardará a ruir.

Perseguiram-te como perseguiram aos profetas de Deus e na calada da noite tentáculos armados impiedosos e sanguinários do teu humilde convívio te sugaram, te arrastaram Wladimir deixando trilhas de sangue a colorir as mentes obscuras das hienas sedentas de violência em seus infernos sem paz criando cicatrizes profundas que nem o tempo desfaz longe estavas e a cada momento te distanciavas mais os companheiros não puderam seguir tuas pegadas nem acompanhar teus passos pois o labirinto e os abismos dos inimigos da liberdade eram íngremes demais em nosso consciente humano teu vulto se projetava constantemente, transportando-nos à nítida realidade que jamais pensasses viver perspectivamente em nossos pensamentos chegamos a te ver caminhando com humildade, dignidade e muita coragem por entre corredores vigiados, infectos sórdidos e úmidos a transpor horas tensas a passo lentos e apressados o tenebroso túnel que te levaria a essa ida sem regresso que te afasta a cada minuto a cada momento e cada vez mais também dos que te feriram, te odiaram e te oprimiram, pois quanto mais te distanciares dessa fronteira desprezível

Mais próximo estarás das mentes e das faces operárias e onde quer que estejas ... tudo sejam momentos de paz e ternura, que no lugar das perguntas que te atormentavam no silêncio da noite agora você tenha os cânticos celestiais a aplacar o teu sonho no infinito e o amor pelo teu povo a te fazer feliz entre as nuvens e as estrelas dos céus e que tua política humana sejas um bálsamo de lembrança constante para todos nós que nunca podemos te esquecer que tal também perdoamos os algozes que te fizeram sofrer e entregalos todos a justiça reta do homem da cruz a única justiça Wladimir Herzog que nunca falha.







de Antonio Vieira Xynayba

























Réquiem para Tito





Pelos caminhos do mundo, vago sozinho

e quanto mais caminho, no cerco me aninho,

cada minuto que eu sobrevivo

as dores da vida aumentam e tudo se faz imenso

em meus sentimentos e em meus problemas sem emendas

tudo está armado.; seguindo ou perseguindo-me

e na prática somente dor, na ciranda me rodeia, norteia,

assalta e de mãos pro alto sem nada, nesse circulo estou.



Todos que viram ou não viram, por favor ... vamos ...

façam movimentações, esqueçam as luzes reluzentes,

peçam socorro e pense na escuridão, chamem atenção

precisamos agir e peço com clemência sua compreensão,

para que rapidamente alguma coisa seja feita pela vida

antes que aconteça conosco o que aconteceu

com o irmão dominicano Frade Tito

que foi torturado e morreu enforcado na solidão.



Me elevo na vagância, voando no avião

ficar aqui não me deixam... estou indo sem liberdade

só meu pensamento fala a Deus meu Ceará

as miras das reluzentes carabinas miram-me.

E parado, sonhando, prostrado por sobre um muro frio do tempo,

sinto a presença constante do pelotão de fuzilamento

aceito essa morte premeditada no silêncio assassino do sistema.

Mas não acato as ordens dos falsos donos do poder.







de Antonio Vieira Xynayba



























CABEÇA DE PONTE





Você pode fazer de si próprio

a cabeça de ponte da libertação

use a sua imaginação no tempo

e a natureza como maior exemplo

ferida ela muda sem constituição

mostra que a revolução de um homem

ninguém faz somente pensando

é importante participar de tudo no mundo

desistindo das lutas você mesmo some.



Se você quer mesmo mudar

isso que construíram pra vida

e evitar o atoleiro da poli-fome social

em pleno Brasil você comece a gritar

convoque um protesto contra a dívida

combata todo poder neo-liberal

tanto na ida como na despedida.



Se você anda assistindo novela

e violentando a menina da favela

você é um verdadeiro parasita

torcedor viciado dessa sociedade hipócrita

você deve parar de tudo isso aceitar

que sexo pra rico é coisa fácil

que pra vida de pobre tudo é difícil

defenda os direitos de viver e gozar

e perca o medo de se libertar.









de Antonio Vieira Xynayba





















Pobre Gente





Eu só quero lhe dizer

eu só quero lhe avisar

pare logo de reclamar

também não vale somente rezar

quem faz o que Deus não quer

vive como deus quiser.



Nessa vida noite e dia

tem muita gente rezando

tem muita gente clamando

pelo pão nosso de cada dia



Eu também louvo a Deus

essa vida tão difícil

aqui em nosso Brasil

onde a justiça não existe

nem defende a pobre gente

que trabalha noite e dia.



Refrão: Quem faz o que Deus não quer

vive como Deus quiser.













de Antonio Vieira Xynayba































Vontade de Viver





A melhor coisa da vida

é deixar a vida acontecer

ter certeza e sentir prazer

ninguém é dono da vontade de viver

pois não adianta esperar

que tudo aconteça feito

o que a vida deseja

tem que ser na hora.



Quando estou feliz

eu penso que sou uma flor

ou uma briga cheia de amor

capaz de encantar

os olhos do mundo

que só vive a me olhar.



Amar no tempo sem fome

sorrir solto na estrada

a pé com a namorada

ou montado numa bicicleta

sem pressa, sem cigarro

com os cabelos misturados

entre dois corpos grudados

deitados nas asas do vento.



Certo é viver com certeza

tudo não é tanto faz

a Paraíba é uma menina teimosa

terra minha terra de Adriana

um dia ela rebelde disse nego

o povo sabe dessa história

sabe que a bandeira preta e vermelha

nasceu antes do Campinense e Flamengo.







de Antonio Vieira Xynayba







Humano Direito





Essa vontade de viver a vida

livre como milhões de astros

me faz correr mil perigos

flagela o meu corpo fácil

porque roubam tanto no Brasil

e vão embora em falsas nuvens astrais

parem de navegar pelos

os cosmos humanos do meu cérebro

ele já capta demais

todos os problemas sociais.



Dentro da maior apoteose de escândalos

me disseram que errar é humano

senti-me no mundo todo abandono

vi o povo perdendo suas esperanças

pensei todo poder tem corruptos mandando

e será que o ser humano

é assim mesmo atrasado?

e quando nascerá no mundo

um verdadeiro humano direito?

espero que seja um humano sem mandato.







De Antonio Vieira Xynayba







































Nordeste árido





Como pode o Nordeste

suportar tantas mentiras

e viver tanta miséria

o nordestino sofre demais

enfrente mil dificuldades

e ainda sem reclamar nada

as safadezas premeditadas

cometidas por políticos

sem vergonha na cara.



O Nordeste é uma terra rica

como é todo esse imenso país

mais as maldades dos homens

noite e dia plantam lá

sua indústria de enganar

todo mundo sabe que existe solução

pra seca do Nordeste árido

desaparecer do cenário mundial

só que isso não interessa

os mercadores da miséria.



Em cima da fome e da sede

do bravo povo, povo nordestino

rola um mercado paralelo

que enche de dinheiro público

muitas bolsas de valores

de uma rede de famílias ricas

que sempre mandam na região

as custas de mão de obra barata

e de muita desinformação.



Se não fosse o cacto palma

o xique-xique a algaroba e a rapadura

os pobres de todo Nordeste

já tinham sumido do mapa

levando em seus corpos fracos

muita vida desnutrida

o Nordeste não precisa de esmolas

mas de soluções práticas e diretas

como as palavras de Vandré

os hinos de Dom Helder Camara.





De Antonio Vieira Xynayba



















































































Amazônia





A devastação da Amazônia

é outra vergonha nacional

contra o coração da natureza

estão cometendo o maior crime ambiental

todos seres humanos da terra

tem que declarar guerra

a quem está roubando tanta riqueza

matando a flora, a fauna e a beleza.



A linda Amazônia está ameaçada

toda sua rica vida primitiva

também está sendo estuprada e arrasada

isto já faz mais de 500 anos

cresceu mais com a invasão portuguesa

agora tragédia ecológica é brasileira

e um falso progresso humano

está destruindo a mãe natureza.



Tento mais não consigo entender

a agiotagem pobre do dinheiro

que rola no mundo inteiro

os homens que estão no poder

com seus sistemas sorrateiros

que concentram todas as riquezas

as custas de todas pobrezas

somando o atraso dos falsos brasileiros.



Assim a Amazônia e toda a terra

talvez esteja dando o último suspiro

as belezas dos animais e da floresta

entre o Atlântico e o Pacífico

e muita coisa ainda desconhecida

estão sumindo nas fumaças das queimadas

tudo é a ganância do homem civilizado

que está criminosamente poluindo o mundo.







De Antonio Vieira Xynayba









Poema ou escrito absurdo





Estou aqui na Paraíba querida

resistindo como um cacto na terra

morrendo e sobrevivendo feito gente

pelos caminhos por onde caminho

mal sei de mim nesse mundo

ouço o Papa Sebo, sinto o sol quente

mas não ouço o Papa João Paulo II

tenho a vida e sinto coragem

longe do ouro do Vaticano

moro perto de Cuxixóla

sonho com Harlem e a Rocinha

como terminará o Irá de Aiatolá?

nunca gostei desse romance

entre Washington e Teerã

por causa de outras causas

o imperialismo do Tio San

e o fanatismo antigo sem vida

está apontando seus tentáculos

não sou contra o amor civilizado

mas sou contra as desigualdades sociais

e a favor dos que morrem desarmados.



Hoje os palestinos querem uma pátria

a mesma coisa que Israel quis ontem

nunca ninguém vai saber de tudo

nem os apóstolos foram tão burros

veja se o petróleo, é dos árabes

e a confusão que muito poder cria

tem homem e mulher por aí

que não fazem outra coisa na vida

esqueceram o puro sexo dos anjos

ligaram-se na moda e na orgia

é verdade a natureza hoje sobrevive

talvez provavelmente com a proteção divina

tudo são milagres invisíveis dos céus

que também estão protegendo a China

com muitos eventos armados acontecendo

não sei porque estou gritando melhore essa vida

enquanto milhões morrem sem comer um grão

os homens do G-8 estão discutindo estratégias de guerras

também há homens defendendo a paz e

melhora para todos os povos da terra

só que predomina a construção de mísseis teleguiados

de armas biológicas e alimentos transgênicos

todos homens poderosos são santos e bonitos

eles vivem as custas do atraso e do suor da pobreza.

Eu continuo teimando na Paraíba

talvez não seja eu que estou falando da vida

sejam os espíritos de Bolivar Gaytan e Cretan

é tão fácil fumar e beber

importar tudo o que se quer comer

ter gabinetes escritórios confortáveis

para tramar contra a vida dos mais humildes

praticar mil atos desumanos

distribuir notas na imprensa controlada

e dizer que está trabalhando

fazendo tudo a favor dos pobres mais fracos

como está fazendo o Tio San.









De Antonio Vieira Xynayba













Guerras Santas



A morte está em toda parte

interesses gananciosos dos homens

fazem aumentar as piores doenças.

No mundo inteiro, o medo já é infernal.

Seres individualistas, desumanos,

financiam uma indústria mortal.

Estão espalhando no planeta Terra

e até em outros corpos celestes

seus engenhos destruidores e venenosos.

Alguns já fizeram muitos estragos

Matando vidas e desesperando povos.



O homem precisa ver logo e urgentemente,

que está semeando coisas perigosas demais,

esses gases serín, isocionato de metila,

os cloros e outros gases carbônicos.

Os resíduos nucleares todos são mortais.

Os mostrengos teleguiados e biônicos.

Agora, também, os seres clonados

E os estranhos alimentos transgênicos,

com tudo isso, homem está entrando num beco sem saída,

vai se acabar como o pior lixo do mundo

e morrer com um poder que pra vida não vale nada.



Saibam: Não adianta a propaganda dizer,

que tudo isso é progresso para a vida.

Lembrem-se, outros monstros da humanidade

já tentaram impor a mesma coisa no mundo

urbano, Hitler, Stalin, Goebbels e Mussolini.

Nostradamus disse que todos estão tremendo nos túmulos,

assustados com medo de uma guerra atômica.

Copan e os deuses gregos Apolo, Artemes e Zeus,

estão organizando varias reuniões de paz lá no céu.

Ninguém entende as loucuras dos homens da Terra,

que se matam pelo poder fazendo guerras santas em nome de Deus.



De Antônio Vieira Xynayba







Léa



Léa mora no alto do morro,

dentro de um pequeno barraco.

O lugar é o mata cavalo,

mas Léa não tem nenhum burro.

Sobrevive a sol e neblinas.

Vê amanhecer e anoitecer,

rodeada de muitos problemas.

Mesmo assim, seu corpo de mulher

não perde a vontade de viver.



Léa sabe ter certeza de que

a força maior desta vida é Deus.

Na lua, no mar e na terra,

entre os homens explorando gente.

onde tiver um sopro de vida,

assim como para Léa e a sua família,

Deus também estará presente.



De manhã, ainda no escuro,

mulher, na picada filho, nos braços

é Léa, é Deus, é a vida sofrendo,

lutando no mundo de políticos safados,

e apesar dos perigos das armas,

sem liberdade e sem igualdade,

Léa reza pelas nossas almas.

No seu rosto de mulher trabalhadora,

tem toda a imagem da felicidade.



De Antônio Vieira Xynayba





































































Liberdade de imprensa



Os dias passam tão rápidos,

que falta velocidade na gente

para acompanhá-los no tempo.

Hoje, dia da liberdade de imprensa,

o dia é comemorado,

a informação com liberdade não

a censura ainda corta a arte da vida,

tem piquetes de meganhas armados

nas portas e nas porteiras

dos jornais das revistas

com ameaças não deixam

a verdade sair inteira.

Só sai mulher pelada

futebol e receitas de beleza,

coisas que interessam ao sistema.



A realidade do Nordeste

continua longe das primeiras páginas.

Aqui, politiqueiro deita e rola,

o sofrimento do povo vira piada..

Renato Aragão, Chico Anísio e outros

não aproveitam o espaço que tem na mídia

para denunciar a indústria da politicagem.

A realidade da periferia e da pobreza nordestina

não pode continuar sendo distorcida.

Por Deus, eu peço o fim de tanta sacanagem.



Para quem sabe que pra tudo tem um jeito

dói muito, muito, dentro do peito,

ver a fome, a sede matando irmãos camponeses,

dizimando todos os tipos de vida na Terra,

e ainda aturar as mentiras das autoridades

também dos chamados governos populares

pela vida a imprensa não pode se calar

nem ficar omissa diante de fatos reais

a indiferença fortalece o pensamento único

transforma os jornalistas em mercadorias

sem valor, sem moral e sem humanidade.

A serviço de homens tiranos desumanos

que usam a comunicação para enganar a população,

matam a verdade com promessas e escravidão.

Violentando todos os seus direitos humanos.



de Antônio Vieira Xynayba

































Problema humano





Eu, Antonio Vieira, Lurdes Vieira e todos nós,

No mundo, sabemos ou não sabemos?

Será que muitas decisões se tomam na vida?

Eu não tomei nenhuma, não sei quando tomar.

Sou feito de erros e defeitos humanos,

Mas não permaneço neles. Por isso, sou humilde assim,

Otimista, para que os problemas da vida

Não me tirem a vontade linda de viver.

Procuro fazer e dar o melhor de mim,

Viver tudo de maneira simples

Sem passado, sem futuro, só a liberdade à paz e o presente.

A saúde do corpo me é fundamental.

Também procuro fingir que sou livre

Mas ando acorrentado com os problemas do mundo,

E pior com os meus problemas também.

Olho para os meus semelhantes e entendo

Que muitos como eu também sabem fingir, e

Que atrás de um sorriso quase sempre se escondem

Um “desespero, o tédio, a angústia e a frustração”.

Já cheguei odiar tudo e todos, odiei a incompreensão,

A indiferença e a hipocrisia de toda a humanidade.

Senti-me perdido e preso por muros, batendo em portas invisíveis,

E pensei na morte como solução para o meu problema humano.

Procurei penetrar dentro de mim em busca do meu eu perdido,

Mas, nada existia em mim, tudo era só tristeza, só vazio...

Procurei penetrar, então, no íntimo das pessoas

E sentir de perto o peso dos seus problemas.

Percebi que os meus não pesavam tanto,

Que minha mente tinha que suportá-los.

Nos meus semelhantes, eu me encontrei.

E sentindo os problemas dos outros, aprendi

A conformar-me com os meus, e tudo vou superando,

Pois existem muitas pessoas com problemas maiores do que os meus.

No entanto, estão lutando para mudar a situação.

Apesar de tudo elas conseguem cantar, dançar e sorrir.

Por que então procuramos apagar de nossa face

A beleza de um sorriso que faz tanta gente feliz?

O certo, neste mundo difícil é tentar ser livre,

Livre para pensar, livre para saber quando falar, quando calar.

Vale a pena ter fé acreditar em Deus noite e dia,

Mas sem nunca querer ser o pai da verdade.

Quanto ao amor, a felicidade depende de todos nós.





De Antonio Vieira Xynayba































Sexo da Terra





Urgente outra vez volta a gritar

Estão violentando sem nenhum amor

A vida linda e o sexo da terra

Os povos do mundo inteiro

Precisam logo se conscientizar

Que o poder das armas e do dinheiro

Junto com a violência do modismo

Serve mais pra vida toda depredar



A explosão da usina de Tchernobyl

Matou e contaminou milhões de vidas

Em várias partes da terra

Gerando câncer em adultos e crianças

Esse trágico acidente nuclear

Não fez ainda o chamado ser humano

Criador dessa tamanha desgraça

Tomar vergonha na cara.



Sabemos que por toda parte do cosmos

Flutuam nuvens venenosas de isótopos

Gases radioativos que penetram em nossos corpos

Existe milhões de ogivas para nós apontando

Mais para saúde e a educação dos povos

A conversa é que falta sempre recursos

Assim estamos construindo nossos abismos

Ouvindo gritos silenciosos e rajadas de metralhadoras.







De Antonio Vieira Xynayba





























































Horizonte Azul



Sentado no vento que passa

A olhar o horizonte azul

Da linda América do Sul

Vejo os últimos raios do sol

Se perderem entre as montanhas

Parece que estão indo tão rápidos

Como se fossem tragados

Por forças estranhas do cosmos

Ou por imensas garras mentais.



A noite se fez presente

Envolvendo todo o universo distante

Cobrindo com toda sua escuridão

As humildes choupanas e mocambos

Os lampiões se fizeram presentes

Cortando a imensidão da noite

Com seus tênues raios de luz.



E o céu com todo seu esplendor

Mostra a sua face radiosa

E as estrelas com seus brincos

Brilhando como diamantes de mil quilates

Trouxeram uma mensagem de paz

E de tranqüilidade serena sem fim

Para os poetas e amantes sonhadores.



E tudo em mim se fez silêncio

Peguei a rememorar o passado

Vê de novo aquele infinito horizonte azul

E embarquei nas asas do tempo

Das minhas fantasias reais

Pensei nos que se amam com liberdade

E aconchegados dormem lado-a-lado alados.



Pensei várias vezes e sentia a paz tão gostosa

E lembrei-me da violência da guerra

E dos que morrem inocentemente

E dos que matam somente cumprindo ordem

Por um objetivo sem fundamento.



Pensei nos ricos desumanos

Que esbanjam suas fortunas

Em galantes conquistas a curto prazo

E lembrei-me dos humildes abandonados

Que rezam em volta de mesas vazias

Rogando pelo pão de cada manhã.





De Antonio Vieira Xynayba

























Lob Geral





Lob, Lob lugar comum.

Vida solta ao ar livre

Onde o rico não tem pressa

Onde a moda faz presença

Tudo o que Paris veste

Longe da Paraíba e do Vietnan

Vem direto para o Lob

Como as borboletas que passam.



Raquete em mãos macias

Ninfas de saias curtinhas

Bate na bola com carinho

A bola e o sol tudo é lindo

A juventude cresce limpa

Enche de brilho e beleza

Os olhos sensuais do corpo

Com a dança louca das pernas

E coloridos das calcinhas.



Meu coração humano natural

De militante social, imagina

Tudo podia viver livre na terra

O mundo todo feliz

Todos os animais em plena paz

A terra o cosmos coberto de amor

Muita vida pura e somente ternura

Com liberdade sadia como no Lob Geral.







De Antonio Vieira Xynayba



























































Zé Paraíba





Para todo lugar deste mundo

Vai Zé Paraíba trabalhar, trabalhar...

Zé sobrevive no naufrágio real.

É obrigado a aceitar as metas do sistema

Decretadas e impostas todo instante

Pelo poder do holocausto neoliberal.

Zé anda amuado, sempre revoltado

E enchendo o pote de cachaça,

Criando quizumbas nos botecos.

Foram tantas, que um dia, de cabeça lascada,

Acordou de porre preso na delegacia

E perguntando ao delegado engravatado:

Que foi que aconteceu na favela?

O delegado acendeu um cigarro importado,

De cara feia frangindo o couro da testa,

Respondeu: - Não vou soltá-lo tão cedo

Você é um vagabundo pilantra e biriteiro,

Só vive bêbado, desobedecendo à lei,

E agora vai mofar aqui dentro da prisão.

Zé, em poder se defender da acusação

Engoliu seco, bem calado,

Tanta incompreensão do irmão policial

Sustentado e pago com seu suor.

No Brasil é assim a polícia só prende pé rapado,

Mas Zé, sozinho, não pode fazer nada.

E na maior tristeza do mundo,

No Rio de Janeiro, vendo o sol nascer quadrado,

Chega a lembrar de mil coisas:

Da família e da terra tão distante.

Sabe que o seu crime foi só beber demais,

Chamar a polícia e os políticos de ladrões,

Tudo para esquecer o abandono da realidade.

Zé também ouve no rádio, chega ver nos jornais

Que a corrupção política sumiu com bilhões.

Zé não se conforma, fica puto com tudo dessa vida.

Dentro de um cubículo sujo e completamente derrotado,

Nem a propaganda do falso futebol

Consegue distrair a mente do Zé Paraíba,

Que sem querer, perde a fé e a esperança,

E organiza com outros presos sangrentas rebeliões

Assustando a elite desumana e dinherista,

Que é a mãe de Zé, Escadinha, Pit-Bull, Meleca e Parasão.

Ela é a verdadeira culpada pela violência dentro e fora das prisões,

Porque não distribui a renda, nem investe na educação.





De Antonio Vieira Xynayba



























Nordeste Desertificado





Em todo Nordeste desertificado

Politicamente atrasado e roubado

Na beira da praia e no serrado

Tem muito latifúndio cercado

Fazendas escravos criações de gado

Protegidas por arames farpados

Grileiros e pistoleiros armados.

Que matam um pobre que não tem terra

Nem para plantar um roçado

O Nordeste é igual todo território brasileiro

O rico financia o negócio da violência

Com dinheiro compra a polícia e a justiça

Que só condena o miserável coitado.



Assim mesmo no Nordeste

Que pela vida tenta se libertar

Vejo uma linda bandeira encarnada

Numa verde algaroba amarrada

É a vontade unida do povo camarada

Lutando pra viver com dignidade

E a união humana da foice e da enxada

Comandada pelo Zé Paraíba

Homem que sobrevive na Caatinga

Pedindo a reforma agrária

E enfrentado toda a sociedade reacionária

Que criminosamente se diz a dona da terra

Para todos tão necessária.



A elite brasileira é muito atrasada

Prefere andar com uma guarda armada

Viver dentro de casa acuada

Falando na TV escrevendo em jornais e revistas

Que o campo está cheio de guerrilha

De baderneiros anarquistas e comunistas

Homens e mulheres que não querem fazer nada

Essa política dominante precisa logo mudar

As cidades estão todas super lotadas

A elite brasileira vai ter que reconhecer

Que uma reforma agrária bem feita

A vida de todos vai somente melhorar

Semeando no campo e nas cidades amor e paz.





De Antonio Vieira Xynayba















Mãe Nordestina



Diante do céu azul

A mãe nordestina reza

Orando cheia de fé ela pede

Uma chuva para plantar

Ou um socorro qualquer do sul

No seu colo o filho chora

Somente pela vida

Pedindo água e comida



Mamãe, mamãe, papai

Tou com fome tou com sede

Quero água com açúcar e farinha

Cadê a rapadura com fubá

Meu bucho ta doendo tanto

Mamãe, mamãe, papai, papai

Peça a Padim Ciço seu santo.



Sem saber o que fazer

No meio do me dá, me dá danado

Vendo o fundo do açude seco e rachado

A mãe nordestina clama

A Deus criador de tudo

Uma ajuda um milagre

Para não morrer de fome e sede

Abandonada no mundo.



Em 1958 vi minha mãe nordestina

E muita gente aperreada

Naquela situação de abandono

Comi xique xique bunda de tanajura

Comi palma mandacaru e faxeiro

Comi flor de crodifrade cambeba

E comi cafôfa de umbuzeiro.



Naquela época difícil sobrevivi por sorte

Não sabia o que acontecia na terra

Nem que o futebol brasileiro existia

E tava disputando a copa do mundo

E rolando a bola lá na Suécia

Onde eu morava não tinha nada de alegria

Que dirá o rádio para ouvir o futebol de Garrincha.



Minha mãe nordestina

Ermantina Vieira da Silva

Lembro dela falando com papai

O cabra José Vieira do Ó

Hoje não tem nada para se comer

Veja se a cacimba já chorou

Água para a gente beber

Leva a piranha passa lá no agave

Quem sabe Deus ajuda ela caçar um preá

Zé meu veio arranje qualquer coisa

Nossos bichinhos vão morrer se não comer.



De Antonio Vieira Xynayba

























El Ninos da América Latina





Neste estado de sítio, nesse sistema de força.

Sou somente um El Nino e estou preso

Em território Uruguaio longe da alegria

Sem liberdade, sem a vida solta de Filartiga.

Sou Camilo, sou francesa filho da América Latina.

E mais, sou um ser humano filho dessa terra.

Carente de tudo, com toda vida proibida.

Só em sonhos vejo papai e mamãe

Sofrendo horrores dentro de uma prisão

Acordo pensando e não vejo saída.



Porque os problemas do mundo inteiro

Noite e dia sempre andam comigo

Porque os ditadores tiram a liberdade do povo

Não vou me conformar nem aceitar a viver assim

As lembranças são muitas moendo dentro de mim

Não sei porque já nasci sendo perseguido

Porque tenho que aceitar tudo que me oprime

Nessa situação vivo a vida tão triste

Levaram papai e mamãe não sei para onde

Agora estou com medo somente chorando.



Mesmo criança vivendo na América do Sul

Sofro ameaças falam que vão me matar

Isso não vou esquecer, nunca mais

Hoje com oito anos minha vida está marcada

Vivo arribando de terra em terra para sobreviver

Sei tudo que acontece com o povo dias após dias

Sinto-me cada vez mais um Nino massacrado

Pois estão vigiando todos meus passos inocentes

Tem quem ache que eu estou sabendo demais

Que sou um perigo para os ditadores do Cone Sul.



Eu Camilo, minha irmã Francesa e meus pais.

Nunca matamos ninguém nesse mundo

Estamos presos pela causa linda da liberdade

Minha inocência está me valendo solidariedade

Colaborar com a vida nunca foi pecado

Todos precisam lutar pelos El Ninos da América Latina

O sistema está nos usando como bucha de canhão

Podemos viver livres dentro de nossas casas

Trabalhando e amando juntos com nossos pais

Sem ter que matar ou morrer por culpa da exploração.





Histórias da minha vida









Antonio Vieira é meu nome, o nome do meu pai José Vieira do Ó, da minha mãe Ermantina da Silva do Ó (ambos analfabetos), nasci em 1-5-1948 no sítio Malhada do Umbuzeiro pela manhã, a parteira foi dona Mãezinha, fui criado com leite da Jumenta Pachola, aos 4 anos comecei a trabalhar no roçado, ainda lembro-me meu acunhando um enxadeco. Isso é caneta de pobre, em 1957 com 9 anos fui alistado na cachorra magra, até 1958 aprendi muito com outros cassácos, fazendo açudes arrumando estradas, passei momentos de medos. Um desses foi no dia que uma jararaca mordeu meu pai no riacho da Charita, quando a gente ia de madrugada para frente de trabalho, ele comeu alho e colocou fumo de rolo no local da mordida e foi trabalhar assim mesmo. Tive muito medo também quando tivemos que dormir no mato. Lembro-me que armei minha rede bem alta no galho da quixadeira. Eu dormia encolhido enrolado pés e cabeça, tinha medo do Caipora-Zumbi, das almas de caboclos brabos, das onças e dos papa-figos.

Depois com a volta da chuva voltei para a lavoura junto com meu pai que sobreviveu, graças um milagre de João Zezé um curandeiro dos Pascáço.

Em 13 de Dezembro de 1969 junto com Zé Preto meu primo embarquei para o Rio de Janeiro no ônibus da Planalto, foram 3 dias com 3 noites de viagem quando cheguei no Rio passei um mês tonto com a barulheira, meu primo serviço foi chutar pá enchi muita carroceria de caminhão, depois trabalhei numa obra na rua Santa Lúcia em Laranjeiras.

Trabalhei de caseiro na Rua Alice, trabalhei de balconista numa cantina do SENAC na Rua Pompeu Louredo em Copacabana. Foi no SENAC que eu comecei a ler o jornal Pasquim. Li mais os proibidos. Ganhava o Pasquim de Coentro, Nani e até do Ziraldo, tinha um pessoal do Pasquim que ensinava artes de desenhos no SENAC, outro camarada bom foi Germano Brum, um cabra de Peia, no SENAC também eu conheci Denival e Paulo Mello esse membro do PCB, lendo e conversando comecei, a saber, o que se passava no Brasil, Américas e no mundo inteiro.

Morando na Rua Leite Leal 135, vizinho do cantor Luiz Vanderlei conheci outros artistas nordestinos, no SENAC fiz amizade com pessoal do teatro Jorge Coutinho – Bayea. Carlos Vereza, Stênio Garcia, que um dia não deixou eu brigar com Carlos Vereza porque eu não permiti o fura-fura da fila na hora do lanche dos estudantes.

No SENAC também nasceu a dupla Vírus e Vermes. Sobre o dinheiro tudo o que eu ganhava tirava o da sobrevivência e que sobrava mandava para meus pais na Paraíba onde tinha 11 irmãos de uma família de 15 filhos.

Depois que saí do SENAC fui trabalhar com uma doceira na Rua Lacerda Coutinho, 53 Copacabana. Desde 1972 comecei a escrever um diário, onde eu falava de tudo. O camarada Vermes em vários cadernos junto comigo. Eu andava o Rio de Janeiro inteiro, sabia quase todas coisas perigosas e discutidas nos botequins do Bigode, do Antônio Português, os motivos do atraso humano segue no Rio de Janeiro entre 1977 a 1980 passei por altos e baixos na vida, ia aos debates no teatro Casa Grande. No teatro opinião também, já tinha um circo de amizades dentro das correntes que lutavam pela democracia.

Nesses anos me desentendi com minha irmã Valdeci, que eu a chamava de “Pinocheta”, tive que dormir na praia, na rodoviária Novo Rio, e cobertor era cachaça São Francisco com muita coragem nordestina.

A minha ida para Petrópolis no dia 20-12-1980, aconteceu devido uma tragédia humana, o Rodrigo uma criança de 2 anos morreu afogado na piscina do patrão, a minha irmã Lurdes quase enlouquece, cheguei em Araras, Petrópolis como irmão e psicólogo sertanejo, só que a minha irmã começou a beber e fumar, para esquecer o que nunca vai poder esquecer. Foi quando decidimos, ela voltou para o Rio de Janeiro, e eu fiquei em Petrópolis trabalhando no Sítio aonde aconteceu a tragédia da vida da minha irmã.







Sempre lutando pela vida

E outras histórias que vivi.







Em 1970 na Rua Alice convivi com várias coisas da vida, já orientava o pessoal de uma favelinha que tinha em cima de uma pedra ao lado do número 1.130, distribui muita água escondido do patrão para aquela pobre gente.

Convivi com os malandros da época João da pinta um pernambucano rebelde que morava na favela.

Em 1974 fui taxado de comunista no SENAC onde eu trabalhava, o motivo atrasado, era que eu recusava assistir os jogos do Brasil na copa do mundo, naquele tempo eu perguntei a João, Edmundo, Manga e a todos, porque o Brasil um país que tem futebol como principal esporte, é tão atrasado na educação, na saúde, na agricultura e etc e tal.

Em 78-79 participei da luta pela anistia ampla geral irrestrita, cheguei a levar porrada da polícia da ditadura na ocupação do prédio da UNE na Cinelândia.

Em 1980 já em Petrópolis, enegrecei no movimento popular participando das reuniões com membros da igreja, formamos Associação comunitária no Malta, Correias, também ajudei na ocupação do Vale das Videiras junto com camarada mano, criei junto com Moisés Cupamam, Ruth sua filha, Drª Sonia e Ailton, o centro comunitário de Araras Petrópolis. Atuei em Petrópolis até 1984, enfrentei Paulo Rattes e os poderosos do condomínio Denasa.

No final de 84, já em Teresópolis trabalhando como caseiro, entrei na luta da defesa da floresta do Jacarandá junto com ecologistas da cidade e do Rio de Janeiro entre eles Eduardo Chuay, Carlos Minc e Vidoc Casas.

De Teresópolis comecei atuar no Rio de Janeiro engajado nas lutas populares. Participei da MST com Jairo Coutinho, Edmilson Soares, na CUT, com mesmos companheiros, participei das reuniões da Fundação e das lutas da Assembléia permanente do meio ambiente, junto com Gabeira, Carlos Minc, List Vieira, Lucélia Santos, Herberte Daniel, Luiz Henrique Lima e muitos companheiros.

Em Teresópolis fundei várias associações de moradores junto com Silvio Camacho, Tânia Aurora, Pe, Dalton e Valdir, também junto com Chico Alencar que elegemos para presidente da FARMERJ. Lutei noite e dia no movimento das diretas já, lancei um manifesto da minha autoria, abertamente participei da campanha partidária de 86, escrevi um livreto clamando a participação popular, no mesmo ano, lutei junto com Maurício Pentak, Edmilson Soares, Moacir, Manoel Fontes, Wilson Paim, Modesto da Silveira, Vânia Barros, Maria da Glória e Álvaro do centro de defesa dos direitos humanos, pela reforma agrária na fazenda Alpina Teresópolis, conseguimos, depois tive que passar 6 meses exilando na Paraíba, devido várias ameaças de morte.

Sempre participando de encontros populares e manifestações ecológicas, pela saúde, moradia, direitos civis e reforma agrária, atuei em todo o estado do Rio de Janeiro, era casado com o mundo fazia e faço tudo pela vida, na campanha da constituinte trabalhei noite e dia. Escrevi 10 cartas com propostas e sugestões para conselho popular pró-constituinte, devido esse gesto, recebi uma carta de Afonso Arinos presidente do dito conselho.

Trabalhando cheguei novamente a campanha presidencial de 89 corri mil perigos descia para pegar material no Rio de Janeiro, com pouco dinheiro tinha dia que nem comia nada, naquela época trabalhei em ferro velho, fazendo jardins e pegando qualquer biscate, para não virar ladrão como muitos politiqueiros brasileiros.

Escrevi também Collor é o bezerro de ouro do sistema. O livreto repercutiu tanto que o candidato Collor mandou uns capangas me dar uma pisa em Teresópolis, sorte que a tropa me encontrou no restaurante Califa, quartel general das brigadas brizolistas e lulistas, que salvaram minha pele não deixando os coloridos tocarem em mim.

Passado a eleição fiquei desanimado com a derrota do Lula para os esquemas dos poderosos, continuei trabalhando em jardins vendendo artesanatos nas praças do Brasil.

Entre 91 e 92 foram anos tensos para mim, meu pai faleceu de câncer de próstata, depois de um sofrimento sem fim, presenciei seu padecer sem poder fazer nada e me senti um nada nesse mundo.

Depois que enterrei José Vieira do Ó o meu pai, voltei para Teresópolis, em 93, novamente voltei a Paraíba desta vez para me casar com a companheira Adriana da Silva Vieira com quem vivo até hoje.

O casamento me fez um prisioneiro apesar de continuar na militância social, estou atuando com mais cuidado, não afrontando tanto a elite dominante.

Como aprendi a ler e a escrever, em 1954 eu já lia o B-A-BÁ da carta de ABC sem nunca ter ido à escola, a professora se chamava Terezinha, ensinava a mais de 600 seres humanos, sozinha naquele Cariri seco da Paraíba.

Lembro-me que o meu pai falava que estudo não dava camisa a ninguém e que caneta de pobre é cabo de enxada, ele dizia mais as fêmeas podem estudar se quiserem e os machos tem que trabalhar na roça.

Só que eu aprendia tudo que ouvia os mais velhos contando as histórias

de cãocão de fogo, João soldado, Antonio Silvino, Virgulino Lampião, Jesuíno Brilhante e também as histórias das cantorias no Sertão, quando era noite de lua clara, com as minhas irmãs, eu pedia a elas para me ensinar a escrever riscando com o dedo o chão do terreiro lá de casa, foi assim que escrevi as primeiras palavras, bala, caneta, fome, sede, água, comida, jumento, boi, vaca, cabra, bode, bosta, merda, peido, pai e mãe.

Ainda me lembro que quando fui à escola, já fui lendo a cartilha do povo, tinha decorado a mesma toda, na escola eu ia brincar e na hora de Terezinha tomar a lição eu respondia todas perguntas sem errar nenhuma.

Só que minha alegria durou pouco, freqüentei a escola somente uns 6 meses depois ainda tive umas aulas em casa com a minha irmã Valdemira, lendo o livro Brasil minha pátria, que tinha sido dela nunca esqueci as histórias de Mani, Itabira, Saci Pererê, eram histórias indígenas de nosso Brasil.

O resto, fui trabalhar nas fazendas do Nordeste e nas cachorras magras do sistema dominante brasileiro.

Quando cheguei no Rio de Janeiro peguei a ler jornais velhos que eu achava no lixo aí fiquei viciado e acho que tudo que sei hoje, aprendi lendo livros, revistas, jornais e folhetos de Cordel dos Violeiros.

Mesmo míope quase geral, sou viciado em leitura.



Título do livro: Xynahyba fora de moda.







De Antonio Vieira Xynayba











































Maior Show da Vida





Tem hora nessa vida

Em que qualquer um de nós

Se pega falando assim:

- Acho lindo de mais

Dizer que te amo,

Falar para alguém

Que estou apaixonado,

Que faço qualquer coisa

Agora, por ti, meu bem,

Sou só tua e de mais ninguém.



Homem, mulher, sapatão ou viado,

Que falam isto também aquilo,

Nem sempre estão dizendo

Toda verdade.

Qualquer ser sincero sabe

Que o sentimento amor

Na hora é o melhor momento da vida,

E depois do rola-rola do dia-a-dia

Vira a ponte da ilusão.



Eu mesmo acho lindo ouvir.

Muitos te amam, te querem.

Eu sou todinha tua, amor.

Entre sussurros e suspiros,

Sempre acontecem mil promessas,

Mil juras de amor sem amor.

O ato amoroso é um teatro gostoso.

Pena que no maior show da vida

Quase tudo que acontece é mentira.



A todo o momento, na cama, no mundo,

Quantos não falam a mesma coisa!

Tu és o maior amor da minha vida.

Foi Deus quem te fez gostosa,

Sem ti eu não consigo viver.

Mas depois que, baixa o fogo

Do instinto e das carícias,

Cai um mundo de silêncio.

Quem goza primeiro fala amor-amor,

E de mais nada quer saber.









O ENREDO BRASILEIRO

DE BARBOSA LIMA SOBRINHO





Barbosa Lima Sobrinho, você foi embora...

Sai desta vida de tanta luta conhecida

Para outra vida ainda tão desconhecida

Agora Barbosa Lima Sobrinho, a decisão é nossa.

O povo nada sabe, a nação está vendida.

Agora todos nós precisamos saber

A nossa responsabilidade política

Com a nação brasileira ficou muito maior

No campo, na mata e na praça.

Barbosa, toda sua luta proclama.



De novo e novamente o verdadeiro brasileiro chorou

Doutor Barbosa foi embora, foi embora...

Heroicamente contra os poderosos ele lutou...

Com inteligência, simplicidade defendia, vivia a vida,

Como diz Vandré, ele soube fazer a hora.

Para o mundo e a nação brasileira

A sua morte foi uma grande perda humana

Eu nunca tinha sentido esta montanha de tristeza

O povo brasileiro um dia vai reconhecer o tanto que você fez

Todo o Brasil vai gritar enlouquecido de lembrança.



Agora nesta hora tão difícil

A bandeira certa é a bandeira de Barbosa

Ele lutou, sofreu e morreu pelo Brasil.

Então unidos vamos à luta, povo brasileiro.

Construir para todos um país democrático

Com liberdade, igualdade, amor civil,

Sem ditadura totalitária de governo entreguista

Desfilar na teoria e na prática

O enredo brasileiro de Barbosa Lima Sobrinho.



Agora mais do que nunca neste mundo

Peço a colaboração de todo povo brasileiro

Vamos fazer na prática o nosso destino comum

Realizar a obra sonhada de João Pedro e de Barbosa,

Plantar certo em cima do tabuleiro.

Vamos trabalhar, parar de exibir bumbum,

Temos que continuar vigilantes, meu povo.

Na cidade, no campo, em qualquer lugar.

Para vencer o entreguismo sorrateiro,

Não aceitaremos outro golpe traiçoeiro.

Barbosa governou, escreveu e falou.

A todo mundo com amor ele clamou

Disso ninguém deve esquecer

Aconteça o que acontecer

“Não devemos nunca nos dispersar!”.

Agora sempre unidos vamos participar

Esquecer nossas vaidades individualistas

Enterrar nossas manias escravagistas

Por um Brasil humano, lutar, criar e negociar.

Vamos fazer a nossa democracia sem odiar.



No mais volto a pedir com toda esperança

Neste momento vamos tomar posse da nossa pátria

Promover a reforma agrária, salvar a Amazônia.

Ter orgulho do Brasil preservando o mundo inteiro

Escolher consciente nossos representantes verdadeiros

Aposentar com esquecimentos os vendilhões antipatriotas

Políticos, carreiristas, corruptos e falsos brasileiros.

Que com mentiras sempre enganam o povo e a nação brasileira

O Legado nacionalista de Barbosa Lima Sobrinho

Precisa ser a bandeira verdadeira.



Antonio Vieira Xynayba















































































PREMEDITADO





Parece que tudo é premeditado

Ninguém se controla no carnaval

O povo é quem paga todo o bacanal

Podia ser mais feliz e mais organizado

E não sobreviver o tempo todo sonhando

Enquanto a turma que programa o festival

Sem suar e sem rebolar no asfalto

É quem fatura com a alegria do seu barato.



Não sei até onde o povo acredita

Quando os poderosos dizem

Que o povo é o dono da festa

Só que depois que tudo passa

O povo descobre que não é tão feliz.



Há quem diga nessa vida

Tudo faz parte do jogo

E aqui na terra quem manda

É a mentira com propaganda

Oh Deus não sei até quando

O povo vai continuar sambando

E se deixando ser roubado

Comemorando tudo que é gol.



De vez em quando no carnaval

Aparece a loucura santa de Joãozinho trinta

Mostrando todas as misérias da terra

E as tragédias da guerra do dia-a-dia

Comandados pelo poder da violência oficial

Que manda a mídia estampar a carne da folia

E rolar a bola com a inocência da alegria

Vale tudo ninguém tem culpa é carnaval.



Antonio Vieira Xynayba

























PROCURE





Procure em todos os acontecimentos

Ser um forte em sua livre solidão

Mesmo quando preso a profundos sentimentos

Ou em liberdade aparente, acorrentado.

A problemas mundanos da multidão.



E...

Mesmo preso atrás dos muros rodeados de medos

Sonhe e pense, no mundo e sua imensidão.

Nas liberdades e nas grades das prisões cheias de pobres

Na elite rica e armada e na situação dos seus irmãos



... Nas palavras cheias de carinhos

Sem esquecer as bocas que as proferem

Repletas de promessas lindas e

Cheias de fartos escárnios.



Pois...

Na vida existe um constante tumulto

Modismo, consumismo e poder que faz muito barulho.

Mantenha-se como múmia... Estatua muda

Na mente também, há conflitos a todo o momento,

Silencie não grite socorro, a humanidade esta surda.



Pense...

... Na guilhotina social... Nas palavras sujas

Na tempestade atômica. No vento e na chuva escura

... Sorrisos sem culpas constantes das crianças

Nos seus dias-e-noites e nas suas esperanças nuas.



No calor escaldante dos caminhos desertos

E nos orvalhos noturnos trazidos pela suave brisa

Que cobrem as plantas os corpos

Nos campos e dentro de humildes barracos.



Acredite...

Nas mentiras vivas, quando verdadeiras...

E verdades quando falsas...

Nas certezas, quando compartilhares delas.

E grite seco, quando emudecido puderes escutar o seu eco.







Tente...

Sentir no seu corpo... O sangue que corre em suas veias

As lágrimas que brotam de seus olhos secos

Os espermas que escorregam nos sexos e nas mãos

Os prazeres que emanam de sua mente humana.

Os sentimentos e dor dos seus lamentos.



Procure I

Ser a arma da vida, o corpo que transa e luta

Usando a força do amor com liberdade sem violência

Tendo como base a melhor estratégia

Que são as estações da natureza.



Antes procure...

Não ser... A gravata que desponta nos colarinhos brancos

Nunca aceite jogar o jogo dos times das drogas

Sempre seja simples como um molambo surrado

Que aquece e cobre os corpos nas calçadas

Defenda seus ideais, pense no mundo de paz em todos e em você.



Antonio Vieira Xynayba























































































Poder Global





Antes de tudo, camarada

Procure ser um forte na terra

Não sofra solidão por nada

E, por uma causa justa

Combata. Entre na guerra

Sempre lute pela liberdade,

Mostre para toda a sociedade,

Que a verdadeira realidade na vida

Nunca aparece na propaganda

Oficial dos chamados poderosos.



Hoje todo cuidado é pouco

Todos temos os mesmos problemas

Porque fazemos parte do povo

Por isso, não vamos virar Madalenas,

Nem aceitar esse poder global

Que noite e dia, faz a gente acreditar

Que a vida de todos no mundo vai melhorar.

Mas a mídia do G-8 investe nessa enganação mundial

A globalização é uma canoa furada

Nenhum trabalhador nela deve embarcar.



Vamos conscientizar nossos corações

Libertar nossas mentes e mobilizar as multidões

Para política dominante da globalização.

Não podemos da mole não

Exigimos uma globalização humana

E somos contra a qualquer sistema sacana

Não podemos perder a nossa fé

Temos que lutar como faz José Bové

Vamos todos gritar de uma só vez

Abaixo o poder assassino da globalização.







De Antonio Vieira Xynayba



































PASSADO MARCADO





Medo é o maior atraso da vida.

Saia de você com certeza

E dane-se por cima desse mundo.

Nunca pense no dia que vai cair

Pior é morrer conformado sem reagir,

Não sinta medo para não cometer asneira,

Na hora é tão fácil salva-se quem luta.



Lembre-se do passado marcado,

Lamba a poeira das marcas desumanas

Feitas com violência e o abandono do estado

Do jeito que tudo aconteceu premeditado.

Sem nenhuma necessidade, os fatos acontecem.

Foram demais além dos limites humanos.



Nenhum povo merece

Passar tanta agonia.

Melhor seria ouvir Vandré cantando

Livre, com todo o mundo alegre,

Depois arribar numa estrada

Com uma amada a tira colo,

Sem nada e sem medo da armada.



Acredite na força da solidariedade:

As mentes e os corações

De todos os povos inocentes,

Numa linda primavera vão se abrir,

E todo o sangue derramado nesse chão

Vai fazer a liberdade de um povo de amanhã.



Pela vida, mesmo sem ser possível evitar,

Rebele-se contra toda forma de injustiça,

Resista, não chore, proteste de alguma maneira.

E da presença dura da morte muito calma

Olhe ela com ternura, beije a terra amada,

Morra com coragem, morra com bravura.



Antonio Vieira Xynayba





























Maior Show da Vida





Tem hora nessa vida

Em que qualquer um de nós

Se pega falando assim:

- Acho lindo de mais

Dizer que te amo,

Falar para alguém

Que estou apaixonado,

Que faço qualquer coisa

Agora, por ti, meu bem,

Sou só tua e de mais ninguém.



Homem, mulher, sapatão ou viado,

Que falam isto também aquilo,

Nem sempre estão dizendo

Toda verdade.

Qualquer ser sincero sabe

Que o sentimento amor

Na hora é o melhor momento da vida,

E depois do rola-rola do dia-a-dia

Vira a ponte da ilusão.



Eu mesmo acho lindo ouvir.

Muitos te amam, te querem.

Eu sou todinha tua, amor.

Entre sussurros e suspiros,

Sempre acontecem mil promessas,

Mil juras de amor sem amor.

O ato amoroso é um teatro gostoso.

Pena que no maior show da vida

Quase tudo que acontece é mentira.



A todo o momento, na cama, no mundo,

Quantos não falam a mesma coisa!

Tu és o maior amor da minha vida.

Foi Deus quem te fez gostosa,

Sem ti eu não consigo viver.

Mas depois que, baixa o fogo

Do instinto e das carícias,

Cai um mundo de silêncio.

Quem goza primeiro fala amor-amor,

E de mais nada quer saber.







De Antonio Vieira Xynayba

































































































TERESÓPOLIS I



Somente duas Terezas

Corpos cheios de belezas

E uma só mulher

Enchendo o mundo

de vida.

Sua cidade

No cio da liberdade

Tereza

A polis

Que flutua entre as estrelas

Seu sangue

Que corre por todos

Na luta pela vida

pela solidariedade

Em busca de igualdade

Xinahyba e

Terezas

O amor e a

certeza

de que somos

Hoje e agora

Um só homem

Uma só mulher

Um mundo livre

amanhã

Dentro de cada um

coração.













































Xynahyba I



Xynahyba vi em ti, cidade linda,

Uma simples morada natural.

Teu clima tem saúde sobe alto meu astral

Estou em Vênus, numa ilha transparente.;

Onde um povo unido vive contente

Xynahyba tu, existes de verdade

Em teu ambiente, respiro amor, paz e liberdade

Teu povo trabalha no mundo independente.

Agora tenho toda certeza.;

Encontrei a verdadeira terra prometida,

Desarmada, no meio da natureza.

Em ti Xynahyba reina somente a igualdade.

Também em ti não existe autoridade

Quem manda mesmo é o poder da solidariedade

Teu povo vive feliz curtindo tudo da vida.

Ninguém sabe o que é democracia e saudade

Só conhece alegria e felicidade

Ninguém discute futebol nem religião.

A política em Xynahyba é a arte da união.

Todos vivem na mais perfeita harmonia.

















































AMANHÃ





Amanhã, tudo vem, tudo vai irmão

Como o sonho de avião

Como o som de uma canção

Abandonando teu coração.



Mas amanhã,

É outro dia, irmão

No mesmo dia

Na mesma corrupção

No mesmo mês

Na mesma estação.



A cada instante aumentam as levas de irmãos

Mendigando nas feiras

Sem emprego e pedindo pão

Caminhando nos campos, nas cidades

No meio da multidão

Com frio ou calor

Na mais triste situação.



Mas amanhã, como será amanhã?

Sem nada para assar

Sem nada para cozinhar,

As panelas estão vazias, irmãos

Só há cinzas no fogão.

E sozinho amanhã, sei lá,

Vou arribar do Sertão

Como vai ser, como será?



Na mesma estação

Quente ou fria

Sei lá, sei lá...

Sei não, sei não...

Nesse mundo de tensão

Como estão nossos irmãos

Com sede, com fome, sonhando

E no bolso, nenhum tostão?













DEPOIMENTO



Meu nome é Valdemira

Naturalidade Cuxixola

Nacionalidade brasileira

Creio-me em pedras de fogo

Hoje me escondo nessa favela

Só tenho essa calça e essa blusa

O meu chinelo está furado

Hoje ainda não comi nada

Sozinha dentro desse barraco

Sinto medo, estou acuada

Quero trabalhar numa boa

Namorar e me casar numa igreja

Ter filhos como a minha mãe

Peço a Deus que me defenda

Não quero ser prostituta

Nem uma escrava violentada

Meu endereço é Largo do Boiadeiro s/n

Favela da Rocinha, Rio de Janeiro

Estou pedindo ajuda

A todo povo brasileiro.

















































REBELDE NATURAL





Você que têm onde morar,

O que comer, o que beber

Todo o dia, toda a noite,

Mas acha que os outros

Passam necessidades porque querem.

Você fala assim:

Eu estou bem, tenho tudo,

O resto que se dane, que se vire,

Minha barriga está cheia, não ligo para ninguém.



De qualquer maneira digo:

Não posso julga-la,

Nem julgar ninguém.

Certas pessoas não procuram

Um jeito para ajeitar-se

Ou melhorar o seu jeito,

Sua maneira de viver.



Não posso evitar tudo o que acontece,

Nem tenho o direito de lhe proibir.

Você é um vulcão,

Mas eu respeito muito a vida.

Pode me achar um bobo,

Pode me achar um louco,

Mas como já disse John Lennom,

Não sou o único desse mundo.



Sou um rebelde natural,

Garanto a quem quiser acreditar.;

Jamais morrerei de braços cruzados.

Tentarei viver livre com todos,

Até ao fim de mim ou fim de tudo.

Claro que não quero que isso aconteça.

Amo o Planeta Terra e adoro

A beleza universal dos cosmos.

















MEDOS ATÔMICOS





Todo cosmos está gritando verde

Pedindo a todos os seres do mundo

Principalmente à espécie humana

Para nunca fazer a vida parecer.

Pede com amor paz e ternura

Para nós preservarmos a vida com saúde.



Para quem gosta de deliciar

Toda beleza das flores

A ternura das crianças

As mulheres, fontes cheias de amores

Acha difícil acreditar

E ver o próprio ser humano

Projetando o fim de toda a vida

Tudo com a maior violência



Esses seres humanos-desumanos

Que só sabem fazer guerra

Parecem loucos já mortos

Não têm nenhuma sensibilidade

Nem amam, suas mães

Suas mulheres, seus camaradas

Fazem a vida simples virar uma coisa bélica

Pouco ligam para suas amantes.



São homens que envenenam os alimentos

Que alimentam nossas vidas

Eles destroem a natureza

Geram tragédias ecológicas na terra

Esquecem-se que todos dependemos dela

Explodem bombas em Mororôa e Nevada

Estão matando tanta beleza.



Vocês todos devem ouvir o cosmos

Ouçam a vida natural dos seus corpos

Parem de estalarem no mundo

Tantos medos atômicos

Enfim porque não vivemos todos unidos?

Compartilhando toda a vida e amando.









MANIFESTO NÃO ME CULPES





Olhe o desespero e a lágrima

Contida nos olhos da multidão

Ouça o choro e o grito abafado

No peito do cidadão



Olhe o assaltante em sua frente

E o cano do revólver em seu coração

Olhe o espelho pendurado na parede

Veja se nele está refletida toda nua

A imagem do trabalhador abandonado

Cansado, vivendo na maior miséria

Andando por aí cheio de fome e razão



Olhe a aparência miserável da criança

Que com o olhar de súplica lhe estende a mão

Olhe com humildade para dentro de si mesmo

Analise, pense e medite sobre os fatos



Se não encontrares resposta, as próprias imagens

Da realidade lhes responderão com exatidão



Não me culpes por minha desprezível situação

Não me culpes por ser a imagem daquilo

Que não merecia ter essa grande Nação

Não me culpes por ser o que sou, nem por suas

Preocupações se perderem na vastidão



Não me culpes por ser um bóia-fria

Vítima da pobreza feia e violenta

Que assola os povos do terceiro mundo

Não me culpes por eu não gostar

De nenhuma ditadura



Não me culpes por esse manifesto, não me culpes

E por estar aqui na terra vendo tudo sem liberdade

Não censures meu protesto contra a fome do mundo

Perdoe-me, não quero isso acontecendo

Com nenhum povo ou com ninguém



P.S: Não me culpes pelas cores das bandeiras

Enfim obrigado por nada.





DÚVIDAS MINHAS





Estar vivo agora, talvez não pudesse...

As coisas acontecem com tanta rapidez e precisão,

Que a todos nós surpreendem, dentro e fora do tempo.

São senas de vidas tão tristes

Que só basta ter um pouco de humildade

Para ficar triste também.



Quem meditar um minuto diante do espelho, pode ver

A imagem refletida desse mundo tão disputado

Que já ficou doente demais.

Foram os nossos males maléficos

Que o contaminaram e sangraram demais.



Assim, todos nós, pobres mortos vivos,

Estamos colocando veneno na fonte da vida

Indo além das fronteiras do permitido

Segundo as leis divinas

Escritas pelas mãos dos discípulos de Deus.



Nas faces dos nossos irmãos é visível o desespero,

A fome aumenta a cada momento, esmagadoramente,

Com seus tentáculos a se alastrarem ameaçadoramente por sobre a terra.

Todos os estômagos reclamam, pois estão morrendo vazios

E os homens inteligentes não perdem tempo com essas preocupações.



Preocupam-se em criar armas cada vez mais mortíferas,

Para dizimar vidas e envenenar seus próprios alimentos

Necessários a suas sobrevivências no Planeta Terra

Lágrimas secas rolam na face dessa sofrida população

Que, mesmo sentindo seu corpo sangrando,

Espera que o liquido, de gota em gota,

IRRTIGUE O CHÃO DESSE MUNDO DESUMANO.























S.O.S PLANETA TERRA





Meu grito verde é a vida natural

É o mesmo da baleia azul e da cigarra

Urgente pedimos socorro a todos

Vejam logo a vida no mundo geral

Com fome doente e vigiada por perigos armados

Então, ame, lute, evite o apocalipse agora.



S.O.S geral aos que amam e vida

Vamos fazer alguma coisa agora

É perigoso deixar tudo para depois

Entregam tanta responsabilidade

Somente a Deus e a Natureza

Isto é fugir dos problemas, ficar omisso a tudo

O futuro vivo para a vida depende de nós.



Vamos agir juntos pela água.

Ajudar aos que estão lutando pela ecologia

A integridade nossa e a todos os animais

Aos que estão tentando combater a fome

E pedindo paz sem violência, com igualdade.



S.O.S aos que sentem amor dando amor

Salve todos que dedicam as suas vidas

Ao mundo lindo e inocente das crianças

Aos que zelam e adoram a beleza natural

A todos que sabem manter livremente

Nossos corpos saudáveis com saúde.



S.O.S várias vezes aos que podem ajudar

Esse belo mundo a melhorar

Viva os que dão semente, terra e liberdade

Aos que ensinam o povo a viver uma vida melhor

E colher sem estragar os frutos

Da terra e do mar,



Aos que estudam, inventam e fazem

Com o seu trabalho, métodos para melhorar

O nível de vida de todos nós, nesse mundo carente

De solidariedade, aos ateus, católicos, espíritas,

Aos soldados, guerrilheiros, índios, camicazes e xiitas.

E pela vida que pedimos a todos: não abusem

Do meio ambiente e nem deprede a Mãe-Natureza

Ela e fonte de toda beleza.

S.O.S enfim a você que sente por todos nós

O amor pela vida nas cidades

Nos campos e nos espaços siderais

As donas de casa, a todas as pessoas

De boa vontade, amantes simples e naturais

Porque esse apelo verde se destina a todos nós.



















































































MENINA MÁRCIA





No mundo de crimes desconhecidos

Eles foram atingidos tão rapidamente.

Sem saberem, partiram cedo demais,

Falaram tanto em coisas do destino.

Será que foram mesmos chamados?

Fique sabendo em plena madrugada

A noticia triste do morro da mangueira.

Cobriu de luto a alegria da batucada

Jorge, Sérgio e a menina Márcia.

Tombaram sem vida na chamada guerra

Das balas perdidas aqui na Terra.

Mas todos os dias ouvimos dizer:

Isso é a vida? A vida é assim mesmo

Digo isso não me conforma jamais.

Vejo essas tragédias sociais

Acontecendo em toda parte do mundo.

A indiferença humana é grande demais.



Pare, para pensar, como foi triste

Todos como a menina Márcia morreram inocentes.

Ela ainda comia, feliz, uma fraca merenda,

Quando uma bala assassina disparada

Nela penetrou violentamente.

Antes disso, nas mesas da escola,

A merenda era servida com muita alegria,

Animava Márcia e o resto da turma,

Para um novo amanhã na favela.

Como sou uma antena humana ligada

Essa bala perdida também me acertou na cabeça

Já é manhã estou ouvindo a passarinhada

Esse acontecimento violento no Rio de Janeiro

Me fez perder Hoje no rádio a aula do camarada Aldeson.

Mas a violência drogada do sistema assassino

Manchou com sangue inocente de uma menina

A consciência sofrida do povo mangueirense.

Da gente.















CAMARADA EL VERME





Irmão distante, camarada El Verme,

Você deve estar solto, e, portanto,

Tenho uma viva esperança, em mim,

Que antes de terminar esse exílio,

Aqui no nordeste, aqui na Paraíba querida,

Me chegue pelo menos uma carta grande de ter,

Pelo menos um pasquim da periferia.

Desde que cheguei aqui, escrevo para meus irmãos aí.

E aguardo noticias dos meus irmão vivos daí,

De você, principalmente, embora saiba da sua falta de tempo.

E de outras desculpas, pra você criar motivos

Nem as suas desculpas alcoolizadas,

Pois uma simples carta, não toma todo o tempo

De um operário bóia-fria a brasileira,

A não ser que você, irmão terrestre,

Esteja ocupando algum cargo de alta relevância.

Neste sujo cenário político nacional,

E isso tenha feito você se esquecer dos seus semelhantes pobres.

Como faz em todos falsos humanos que praticam politicagem.

É por coisas parecidas que eu quero ter noticias de você.

Não me leva a mal, por eu continuar renitente.

É que não sei ser outra pessoa diferente

Dentro do nosso território de amizade

Entenda as minhas palavras sem o niño cartismo da Isto É,

Espero que você não sinta cisma nenhuma

E se usar alguma coisa material ou espiritual,

Só se for no campo sagrado da compreensão.

No mais estou com saúde e com a cachola tranqüila

Apesar da morte do nosso irmão Manoel.

Não sei nem se deu tempo dele cumprir a sua missão.

Em plena seca, ele morreu afogado em Soledade.

Porque ninguém pôde fazer nada para evitar.

Sim, mamãe e papai estão tristes por terem perdido mais um filho

Eles enviam secas lembranças da caatinga.

As meninas, Corra, Dora, Dapaz e Julia Preta

Pedem a você pra vir aqui pintar retrato de jumento,

A mana Dapaz e camarada Valdomiro Vaqueiro

Lhe convidam para o casamento de ambos no mundo,

Que vai ser carimbado pelo padre Pai-Dégua no dia 16/12/79.

Agora termina a carta El Vermes, vou lá nas grotas

Ouvir a Graúna de Henfil e a política da Paraíba.











































































































AMÉRICA LATINA





Toda América Latina continua escrava

Em todos os recantos desse continente

São tristes as cenas da vida

Tirando os avanços sociais de Cuba menina

Homens, mulheres, crianças e bichos

Estão sendo explorados na América Latina

Filhos dessa terra migram todos os dias

Pelo mundo são vistos maltrapilhos

Mendigando e vendendo suas vidas

Para mega-exploradores da América Latina.



Acontece de tudo nesse continente

Exceto uma democracia socialista coletiva

Desde que Colombo e Cabral invadiram essa região

Que começou a violência desumana

Ditaduras, corrupções começaram a destruição

Mataram os índios, suas culturas lindas e milenares

Hoje no lugar das imensas florestas tropicais

Vemos desertos, favelas e fábricas espalhando poluição

Gerando doenças e vícios para os trabalhadores

E milhões de dólares para os donos das multinacionais.



Infelizmente aqui na América Latina

Como em outras partes da Terra

Prospera mais a rica indústria da guerra

Existem milhares de religiões

A fé de pessoas simples do povo

Continua sendo um negócio rendoso sendo explorado

Por falsos pastores e espertalhões

Que usam o sagrado nome de Deus

Para ganhar dinheiro e terem suntuosas mansões

Enquanto a maioria de seus escravos fiéis

Vivem no inferno social rodeado por misérias.



Comentarios

silvio  - 22/02/2019

EXCELENTE OBRA DO SAUDOSO E AMIGO XINAIBA, , com o qual tive o prazer de conversar embora poucas vezes, mas de perceber a sua inconformidade ante ao sistema governante , e as desigualdades, fica o sentimento de gratidão, e também o quanto da obra de ANTONIO XINAIBA, nos enriquece de informações úteis, e o lamento de sua súbita partida e o quanto mais ainda poderia produzir com sua criatividade poética e o senso pró ecológico e social .

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