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Artigos-->A TERCEIRA FACE DO CAOS - 4a parte -- 14/11/2008 - 00:56 (A.Lucas) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
APÓS O BIG-BANG



Agora que já tiramos uma foto do Big-Bang, ou seja, já podemos ter uma imagem mental do instante preciso em que o Caos se tornou Cosmos, vem a pergunta: por qual motivo as transformações subseqüentes não mantiveram regularidade? Ou, dizendo de outra forma, qual o motivo de não vermos hoje um universo totalmente simétrico em relação a esse ponto central? É certo que, se fosse esse o caso, sequer teríamos alguém lendo ou escrevendo esse texto e tudo o que o nosso “observador externo” poderia perceber seria um Cosmos absolutamente ordenado, talvez como uma imensa mancha cinza, com um ponto branco no centro e escurecendo em direção às bordas, sem variação alguma além da cor e, eventualmente, da quantidade de energia ao longo do tempo e/ou do espaço.

Da mesma forma que, ao adotarmos diferentes critérios, criamos desde seqüências cujo critério é facilmente perceptível até seqüências que parecem não ter critério algum (ou seja: aparentemente são caóticas...) por qual motivo o cosmos adotou diferentes critérios de ordenação em diferentes pontos do espaço e do tempo, gerando, assim, as assimetrias que, ao longo do tempo, nos trouxeram ao atual estado do universo (e, em última análise, à nossa própria existência)?



Vamos relembrar algumas nossas perguntas iniciais, tentando respondê-las, ainda que de forma insatisfatória e incompleta, e acrescentar mais uma:



- Dada uma certa seqüência, qual a seqüência original (ou “semente”)?

R.: Como estamos raciocinando a partir de uma “imagem” do universo representada em um monitor de computador, podemos dizer que a semente é uma imensa matriz (no sentido aritmético) cheia de zeros e com o elemento central (um número formado por três componentes – R, G e B) com todos os bits iguais a “1”.



- Conhecida uma certa seqüência em análise e sua semente, como descobrir os critérios adotados?

R.: Precisaríamos de mais algumas fotos dos instantes posteriores ao Big-Bang. A cada novo bit transformado de “0” para “1” (uma operação digital muito simples, chamada “complemento”) deveríamos ter uma nova foto. Com o esforço computacional adequado (e alguma criatividade, admito) poderíamos perceber os critérios iniciais. Esses critérios podem, eventualmente, ser bastante simples, mas, recursivamente aplicados e combinados entre si, em pouco tempo gerariam imagens bastante caóticas (lembre-se da seqüência [8, 5, 4, 9, 1, 7, 6, 3, 2, 5, 2, 9, 8, 4, 6, 7, 3, 1] na primeira parte deste artigo).



- Conhecida a seqüência em análise, a semente e uma vez “descoberto” um certo critério, qual o índice de confiabilidade das previsões feitas sobre os números a seguir?

R.: Para isto seria necessário ter, além da semente e de algumas fotos, hipóteses bem fundamentadas sobre estes critérios. Considerando que a semente está correta e as fotos foram tiradas a cada mudança de um único bit da matriz, apenas uma dessas hipóteses será confirmada. Mais algumas “seqüências de fotos” e “hipóteses confirmadas” depois e já seria possível afirmar, com razoável grau de certeza, como seria a foto seguinte. Aqui esbarraríamos, certamente, no seguinte problema: jamais seria possível afirmar com 100% de certeza pois sempre poderia haver um novo critério na seqüência de critérios – e a própria seqüência de critérios deveria ser analisada, o que se tornaria de uma complexidade espantosa. Lembre-se que a seqüência [5, 2, 9, 8, 4, 6, 7, 3, 1] admite tanto o número “10” quanto o “50” ou ainda o “100”, dependendo do critério adotado para a formação da semente, mas esta parte do critério NÃO PODE ser deduzida a partir da semente. (Ficou nebuloso? Releia a primeira e a segunda partes do artigo!)

Obs.: Aqui percebemos um forte motivo para crer que o atual universo seja considerado “quântico” (com isso eu quero dizer “regido por fatores não determináveis a priori”) e “quantizado” (e com isso eu quero dizer “com espaço, tempo, matéria e energia subdivididos em uma enorme – porém finita – quantidade de pequenas porções indivisíveis”, de forma semelhante à imagem de computador, que é formada por muitos pequenos pontos quase imperceptíveis à nossa visão). Mas esse é um assunto para mais tarde (talvez).



- O aparente “resíduo caótico” que percebemos, considerando a resposta anterior, é realmente desordenado ou é resultado apenas da nossa incapacidade?

R.: Por enquanto, a esse respeito, tudo que ouso é relembrar algumas frases famosas. A primeira delas dita por Albert Einstein: “Deus não joga dados”, que mereceu de outro cientista (creio que Stephen Hawking) a resposta: “Não apenas Ele joga dados, mas às vezes nos confunde jogando-os onde não podem ser vistos”.

Aqui devemos decidir em qual das correntes queremos acreditar – ambas são válidas, filosoficamente falando, apesar da ciência atual “provar” a segunda. Se acreditarmos que “Deus joga os dados”, ou seja, que no cosmos existem realmente seqüências que não tem nenhum critério de formação, devemos lembrar que mesmo a seqüência intencionalmente caótica [1, 7, 10, 49, 579, 3400, 2, 5013 - vide o texto “A TEORIA DO CAOS”, de Gian Danton] pode, eventualmente, vir a ter seu critério de formação descoberto por algum supercomputador executando um programa de inteligência artificial e teríamos descoberto ordem onde ela não deveria existir, apenas com o produto da nossa inteligência (por sua vez produto do cosmos). Esta linha de raciocínio nos leva à frase a seguir, dita pelo filósofo Poincaré: “O acaso é a medida da nossa ignorância”.

Se, ao contrário, acreditarmos que “Deus não joga dados” tudo é apenas uma questão de descobrir as sementes e critérios corretos, mas isto não tem uso algum, já que a nossa própria ação e seu resultado seriam, de alguma forma, previsíveis partes de um Universo totalmente previsível. Aqui também vale a frase de Poincaré, com a diferença que, havendo tempo e poder computacional suficientes, chegaríamos à “conclusão” do cosmos, seja lá o que isso signifique...

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