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Artigos-->O TRIO FANTASMA – Voltando ao assunto (I) -- 04/08/2009 - 18:46 (A.Lucas) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
O TRIO FANTASMA – Voltando ao assunto (I)




Nota do autor:


Torno a lembrar que não sou profissional


de nenhuma área relativa ou próxima à


psicologia ou qualquer outra das ciências


que estudam a mente e o comportamento


humanos. As idéias aqui expostas nasceram


de leituras esparsas, sem nenhuma pretensão


de pesquisa científica e, principalmente, da


observação da vida.



Nas partes anteriormente publicadas do texto “O Trio Fantasma” deixei vários assuntos em aberto, sob o argumento que seriam discutidos mais tarde. Pretendo agora voltar a estes assuntos e prometo que vou fazer o possível para que: (1) isto seja feito na ordem em que apareceram no texto original; (2) não deixar muitos outros assuntos para outra vez. A primeira parte dessa promessa é razoavelmente simples de cumprir, pois qualquer editor de textos resolve o problema. A segunda parte é um tanto mais pretensiosa, pois quase todo texto adquire vida própria e o resultado final nem sempre é o que esperávamos inicialmente e, além disso, porque aprendi ao longo da vida que as perguntas são mais poderosas que as respostas.





A ORDEM DE PRIORIDADE DOS INSTINTOS



Logo no primeiro parágrafo do texto de referência eu citei o que considero como mecanismos mentais básicos, fundamentais para nossa existência: os instintos. Disse também que, ao que me parece, partes significativas deles foram modificadas ao longo da evolução (no sentido Darwiniano) enquanto mecanismos mais sofisticados como o raciocínio e memória associativa passaram a executar algumas das funções mais “nobres”. Creio não ter errado ou, ao menos, não ter criado nenhuma hipótese absurda, pois ninguém se manifestou contra a idéia. É certo que também não tive manifestações a favor, mas estou considerando que as opiniões contra qualquer coisa são sempre expostas com mais veemência.



Um dos assuntos que ficou para discussão posterior, naquele parágrafo, é se a troca tem valido a pena e por quais motivos o Cosmos (ou qualquer outro nome que o leitor queira dar ao Poder Criador) teria escolhido esse caminho para a evolução da nossa espécie e, para (re)começar o assunto, creio ser importante definir os critérios que usei para dizer quais são as funções nobres e quais as básicas.



Uma das minhas primeiras considerações foi quanto aos instintos serem “programas pré-armazenados” capazes de fazer com que seres vivos queiram permanecer vivos e lutem não só pela própria vida, mas também pela preservação da espécie, ao menos enquanto não competindo por recursos limitados (na escala animal e também na escala humana). Aqui já podemos distinguir dois níveis na vontade de sobreviver: o primeiro diz respeito ao próprio indivíduo, o segundo se relaciona a outros indivíduos que guardem com ele um elevado grau de semelhança – o suficiente para que ambos se considerem “da mesma espécie”.



Talvez nos pareça desnecessário haver algum mecanismo que nos faça querer ficar vivos – isso é evidente, dirão alguns – mas essa idéia apenas serve para mostrar o quanto estamos afastados de nossos instintos. Somos seres conscientes da nossa própria existência e da finitude dela e, muito cedo, aprendemos a temer a morte, seja por comparação com sofrimentos alheios, vistos ou sabidos, seja por temor ao que pode (ou não) haver depois dela (conceitos religiosos à parte). Parece óbvio que, em situações normais, essa consciência seja suficiente para orientar todas as nossas ações no sentido de tentarmos ficar alguns aninhos a mais aqui na superfície deste planeta. Também parece óbvio que esse tal instinto de preservação não deve ser assim tão poderoso, afinal, temos os que se suicidam por tristeza ou vergonha, os homens-bomba, os kamikazes etc. A aparente inconsistência do argumento inicial, à luz desses exemplos, torna-se, na realidade, um reforço, se lembrarmos que os suicidas buscam fugir de algo que lhes causa sofrimento, seja em direção a uma vida melhor, seja pelo alívio da não-existência, o que também acontece com homens-bomba e kamikazes, que acreditam firmemente numa outra vida cheia de recompensas por seus atos de bravura. No início da década de ‘80 ficou bem conhecido o caso de um executivo que, ao saber que estava falido, subiu à borda do prédio onde funcionava sua empresa ameaçando suicidar-se. O corpo de bombeiros foi acionado e, quando um soldado conseguiu, da escada que balançava, segurar firmemente o potencial suicida, este começou a gritar, apavorado com a altura da qual ia se jogar poucos segundos antes. De qualquer forma, o temor da dor física – que é apenas um sinal de alerta – e do sofrimento em geral, são apenas interpretações diferentes que fazemos do temor à morte, e este é a principal manifestação do instinto de sobrevivência.



Quando cada indivíduo luta para preservar a própria existência é claro que a espécie como um todo tem mais chances de perpetuar-se, num ambiente limitado, pois outras espécies também disputam os mesmos recursos. Assim, considero evidente que este seja o mais importante dos instintos e o medo o mais importante dos mecanismos básicos. Esse esquema, porém, é simples demais e, ao longo do tempo, teríamos apenas espécies cujos representantes fossem excepcionalmente fortes, adaptados e medrosos, mas a realidade é outra. Muitos estudos mostram que espécies aparentemente mais frágeis sobrevivem enquanto outras simplesmente sucumbem e esse fato só pode ser explicado pelo segundo nível da vontade de sobreviver: o instinto de preservação da espécie – para o qual defini o orgulho como mola mestra. Quando um indivíduo já está com todas as suas necessidades de sobrevivência atendidas é natural que lute por seus descendentes, seus colaterais e seus companheiros imediatos, em geral nesta ordem. Esta é mais uma situação que parece óbvia, mas não fosse o instinto de preservação da espécie e poucos seres viventes arriscariam a sua própria segurança para proteger outros indivíduos semelhantes, pois o medo o faria recuar. Aquela consciência capaz de orientar nossas ações para que consigamos ficar mais algum tempo vivos não deve ser, afinal, mais que uma forma extremamente sofisticada (e “cultural”) dos primitivos instintos de sobrevivência e preservação da espécie. Com este raciocínio, creio que a ordem de prioridade para o instinto de preservação da espécie tenha também se tornado evidente. É interessante também observar o quanto essas necessidades vêm sendo, na nossa espécie, época e cultura, expandidas, recriadas e manipuladas, mas este é assunto para depois... (Pronto! Quebrei a segunda parte da promessa!)



Qualquer espécie está sujeita a mutações, tanto as causadas pelo ambiente (pequenas doses de radiação, pequenas imperfeições na “montagem” dos códigos genéticos etc) quanto as oriundas da própria seleção natural. Os dois tipos se complementam e cada um cria as oportunidades para que o outro aconteça, caso contrário todos os seres da mesma espécie tenderiam, ao longo de milhares de anos, a tornar-se absolutamente iguais – como tende a acontecer com os animais de estimação cujas linhagens são severamente controladas.



Acima pudemos perceber que o instinto de preservação da espécie funciona como uma espécie de contrapeso para o instinto de sobrevivência, mesmo sendo menos prioritário que ele ou, eu diria, posterior a ele, no sentido evolutivo cronológico. É fácil de entender também que um pequeno grupo de indivíduos da mesma espécie, cada um cuidando de si e dos seus próximos, tenderia a degenerar rapidamente, devido a cruzamentos consanguíneos. Além disso, com reduzido número de espécimes, reduz-se a probabilidade de que mutações gerem, fortuitamente, seres mais adequados à evolução. Torna-se, portanto, necessário criar um contrapeso para o instinto de preservação da espécie, capaz de reunir grupos maiores, ainda que com laços mais tênues, entre os subgrupos de indivíduos, do que os laços entre os indivíduos de um mesmo subgrupo. Aqui estão delineados os conceitos de família, clã, tribo... É importante que haja uma forma de reunir esses grupos maiores, com maior diversidade genética, ou seja, com maiores históricos de mutações em cada subgrupo, cada uma destas mutações tendo se mostrado eventualmente mais apta nesta ou naquela condição ambiental. Aparece então o instinto de agregação, cuja mola mestra defini como sendo a preguiça.



Insisto em lembrar que suponho não haver duvidas quanto ao medo estar associado ao instinto de sobrevivência, mas admito que o mesmo não acontece com as relações orgulho / instinto de preservação e preguiça / instinto de agregação. Sei que o assunto precisa ser discutido, seja quanto à necessidade de se fazer essas conexões, seja quanto à correção das conexões em si. De qualquer forma, não imagino também que possa haver dúvidas sobre a necessidade que qualquer ser vivo tem de se reproduzir, para o que há sempre o prazer (sabiamente) associado ao sexo. Considero certo ainda que, para o ser humano, racional, o sexo e a reprodução são algo mais que o simples prazer associado, e a parte racional da reprodução, expressa no desejo de ter uma descendência, interfere diretamente não só na perpetuação da espécie mas também na qualidade desta espécie ao longo do tempo, vindo daí a nossa atual necessidade de corpos cada vez mais belos e saudáveis - algo muito bem explorado pelos “marketeiros”, gerando alguns problemas graves (esse é mais um assunto que ficou para outra hora e em breve merecerá atenção). Lembro também que não tenho como duvidar que é nosso orgulho que nos impele a querer deixar uma boa descendência, boas obras, bons exemplos, belas fotografias e pinturas, músicas, ou ainda um texto como este. Concordo com quem disser que muito disso pode não ser orgulho, no sentido que uso aqui, mas sim vaidade, porém considero a vaidade desmedida apenas um lado pernicioso do orgulho. Afinal, a vaidade serve para nos tornar mais atraentes para seres do sexo oposto, e a certeza dessa atração e a impressão que alguns dos nossos ancestrais fizeram bem o seu trabalho de preservação da (boa) espécie humana são fatores de agregação.



Assim, tenho como correta a ordem de prioridade dos instintos (no sentido evolucionista e cronológico) que usei no texto original.



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