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Contos-->Breve Historia -- 22/09/2002 - 22:46 (A. AAA) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Era seu aniversário. Todos gostam deste dia, faça sol, faça chuva, inclusive Zeca. Seus familiares moravam em outra cidade, mas sabia que o avô viria de longe para lhe parabenizar. E foi que seu avô chegou bem na hora do almoço que por sinal estava muito bem preparado, digno de um dia de aniversário. O avô o parabenizou, e almoçou junto com seu único neto. Conversaram bastante sobre tudo, desde assuntos familiares até coisas corriqueiras da vida. O avô então lembrou de lhe dizer:

- Zeca, meu filho, já te abracei, conversamos isto tudo, e eu esqueci de te dar seu presente. Perdoe a memória, é que os velhos às vezes esquecem...
- Não vô, não se importe com isto, a presença do senhor já vale por qualquer presente.
- Mas eu trouxe, e agora estou te entregando. Foi sua vó que comprou, disse que é sua cara. Espero que goste.
- Qualquer coisa que o senhor me dê eu irei gostar. Hoje também quero que vá comigo lá na empresa. Quero mostrar onde trabalho, e que conheça alguns amigos meus.
- Tudo bem, vou sim meu neto, mas se você não tivesse falado, eu iria embora agora mesmo. Muitas coisas para resolver lá na nossa cidade.

Enquanto isto Zeca abria o presente. Estava bem embrulhado, e Zeca apanhou um pouco para ver o que realmente era. Era pano. Blusa, calça, meia... Blusa. É uma blusa branca. Tirou a blusa inteira do embrulho. Blusa branca com estampas grandes de flores. Girassóis. A blusa é meio apertada. Pêra ae... Tem um discreto decote. Isto é blusa de mulher! Vou falar pro vô que gostei, para ele não achar ruim, depois dou isto pra Márcia, lá do setor de comercialização. Não, a blusa é muito feia, com estas estampas. Deixo guardado aqui em casa mesmo. Mas nunca que eu vou usar isto. Nem em carnaval.

- Gostou?
- Nossa vô, muito legal gostei mesmo.
- Não vai experimentar?
- Desculpe, eu ia fazer isto agora mesmo...
- Ficou muito bom. Realmente sua avó tem um bom gosto para estas coisas...
- É realmente. Mas agora vamos lá para empresa que quero que o senhor conheça o Batata, grande amigo meu. Vou só trocar de roupa e vamos logo.
Entrou no quarto e escondeu a blusa afeminada na parte mais profunda e oculta de sua gaveta, e se aprontou rapidamente.

- Ué Zeca ?! Cadê a blusa que você ganhou. Vai com ela.
- Não vô, vou usa-la em outra ocasião.
- Não me faça esta desfeita filho, use – a. Caiu bem em você. Você gostou, não gostou ?
- Claro que sim, mas quero usa-la quando for para um outro lugar.
- Não, não, vá com ela.

Ir ou não ir com esta blusa eis a questão. Do jeito que o pessoal da empresa é, ficarei com pseudônimos diferentes pelo resto da vida. Mas se eu ficar recusando demais a ir com a blusa, o vô vai desconfiar que eu não gostei. Será que eu falo que a blusa é feminina e pronto? Não, ele veio de tão longe e comprou com a melhor das intenções. Acho que vou fingir ter um ataque epilético aqui e não vou no trabalho, menos ruim. Mas ai, meu vô vai querer que eu vá para o hospital e verá que eu não tenho nada. To vendo que vai ser o jeito. É só colocar um casaco por cima. Mas em plena uma hora da tarde, verão... Vou fritar dentro da blusa. Vamos lá, né. Fazer o que... Ganharei inúmeros pseudônimos. Não quero nem imaginar.

Colocou a blusa tristemente. Ela apertava forte seu tórax, e ficava muito colada desde a metade do bíceps, até na barriga saliente de Zeca. Não quis nem olhar no espelho. Entraram no carro. Pensou várias coisas: em levar o vô para a rodoviária direto, em bater o carro levemente em outro, e ate pediu para Deus que furasse um de seus pneus.

Semáforo. Um carro para ao lado e uma voz irônica sai de dentro dele:
- E ae, gostosinha, como é que vai?
Zeca fingiu - se de surdo.
- Como ela é difícil! Fazendo charminho?
- Seu filho da puta, seu sacana, palhaço...
O semáforo abre.
- Que isto meu neto? Nada não vô... Nada não...

Chegou na empresa. Nem cumprimentou o porteiro, entrou direto no elevador juntamente com o avô. Elevador lotado. Risos baixos tentando ser contidos. Zeca vermelho de vergonha da situação. O Antonio Pilantra dentro do elevador. O mais gozador dos gozadores.
- E ae Zeca, tudo bem?
- Tudo.
- Mas como é que tá? Feliz com sua mudança de sexo?
Risos escrachados no elevador, Zeca vermelho e calado, avô com um ponto de interrogação na cabeça sem entender nada. Pensou em mil desculpas para o dia seguinte, mas sabia que por mais que falasse pouco adiantaria.

Enquanto passava pelo corredor escutava risadinhas. Ate a Marlene que é lerda ao extremo riu, ao vê-lo.
- Oi amiga!
Dirigia se rapidamente para a sala. Trancada. Esqueceu a chave. Ufa!... O seu chefe chegou rindo perto de Zeca.
- Paulão, esqueci a chave da minha sala lá em casa... Posso voltar para buscar?
- Pode só se me falar onde arrumo uma igual para minha mulher!
E caiu em gargalhadas.
Dia seguinte. No elevador
- Tudo bem Zequinha, Florisbela...
Um mês depois. Zeca na sala de seu superior.
- Paulão, eu me demito!
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