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cronicas-->ENQUANTO VOCÊ TORCIA (publicação de 3ºs by Sirí-na-L -- 23/07/2002 - 04:19 (Amaso Nib Nedal) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Enquanto você abria a guarda e ficava rouco(a) de tanto torcer pelo Brasil de apenas 11 indivíduos, o Brasil real de 170 milhões de seres humanos como nós, permanecia sendo violado pela

gestão temerária e desumana do governo FHC.

Enquanto você cantava o hino nacional com a mão direita pousada sobre o peito - como jamais o fizera

antes-, o "Risco Brasil" disparava, a nossa economia encolhia e passava a ser considerada a segunda mais vulnerável do Mundo, atrás somente da Argentina.

Enquanto você tomava mais um trago brindando o drible desconcertante do seu ídolo de chuteiras, a Bolsa de Valores despencava no mais profundo dos poços, os títulos brasileiros desvalorizavam-se nos mercados internacionais e o real minguava diante do dólar que batia sucessivos recordes de aumentos.

Enquanto você roia nervosamente as unhas porque o tempo passava e o almejado gol não saia, o desemprego entre nós atingia índices alarmantes, colocando na rua da amargura milhões de chefes de família.

Enquanto você quase chorava a cada passe errado da sua nação de 11 indivíduos, os trabalhadores ( talvez você mesmo(a), seu pai, seus irmãos e seus amigos ) eram apunhalados pelas costas por um covarde projeto do governo FHC (já aprovado na Cãmara dos deputados e aguardando votação no Senado) que extingue definitivamente o 13º salário e a licença maternidade remunerada e, ainda, autoriza o pagamento das férias em 10 parcelas mensais.

Enquanto você agitava o auriverde pendão da esperança saudando a pátria de 11 indivíduos, os preços da gasolina, do diesel, do gás de cozinha, da energia elétrica, do telefone, do trigo, dos remédios, dos planos de saúde, etc., eram aumentados na surdina para "não inibir" sua festinha particular.

Depois de verter a derradeira lágrima diante da vitória da pátria de apenas 11 indivíduos, tomara que você tenha recobrado a capacidade crítica e a consciência de que sua Pátria, aquela que não calça chuteiras e anda descalça, a que procura emprego e não encontra, a que não tem saúde e nem escola, a que viaja como gado em trens apinhados, a que vegeta nas favelas e sob os viadutos, a que está sendo subjugada pelo crime organizado, a que acolhe no corpo e na alma as balas perdidas, a que tem mais de 50 milhões de párias (irmãos nossos) se consumindo na linha da miséria absoluta, a que nos lixões das grandes metrópoles disputa com os urubus um naco de qualquer coisa para mitigar sua permanente fome, enfim, aquela pátria amada, idolatrada, onde canta o sabiá, porém forçosamente apartada dessas comemorações, o convoca para a Ela se juntar num uníssono protesto contra

toda espécie de sacrifícios e humilhações que lhe é imposta, e dizer em alto e bom som:

BASTA, EU QUERO MINHA DIGNIDADE DE VOLTA!




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