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Artigos-->Genocídio ou Extermínio -- 12/03/2011 - 09:02 (Arlindo de Melo Freire) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Genocídio ou Extermínio



Arlindo Freire*



O extermínio dos povos indígenas jamais deixou de ser realizado, tanto no Brasil, como nos demais países sul-americanos, sempre de modos diversos, conforme os usos e costumes das gerações, sem considerar as necessidades de liberdade e dignidade da condição humana no plano da sobrevivência, como fator decisivo para a constituição da humanidade.

- Como justificar esta afirmação, depois dos cinco séculos da história brasileira?

Os acontecimentos de hoje e ontem – falam por si sós, sem a necessidade de profundos estudos acerca deste assunto, tampouco da pesquisa com os elementos de maior fundamentação, em qualquer período histórico, mesmo sabendo-se que numerosos fatos deixaram de ser registrados, abrindo espaço para outros que se tornaram convenientes e mais adequados em termos éticos e morais.

No sertão potiguar, mais precisamente atual município de Viçosa, 200m de altitude, 358km. no Oeste de Natal, foram dizimados – 1825, os últimos índios do Rio Grande do Norte, no momento em que andavam pelas matas e serras, sob os cuidados da polícia militar de então, para que ficassem presos na cadeia da cidade sede do governo, sob acusações de escasso fundamento legal.

Depois dessa ocorrência – tudo ficou no mito da paz, ou seja, na tranqüilidade da alienação e acomodação da população civilizada que passou mais de 220 anos fazendo a perseguição, expulsão e morte – 1598-1825, às tribos localizadas no litoral e sertão do Rio Grande durante a colonização portuguesa na exploração da cana de açúcar e criação do gado para comercialização na Europa.

O mito da paz – permanece firme e forte sobre os indígenas, na atualidade – depois de 7ª8 gerações posteriores ao genocídio em que apenas o RN e Piauí deixaram de ter a presença desses povos que continuam vivendo de alguma maneira no território brasileiro, longe da civilização, nos confins das matas e terras, destituídos de confiança e crença nas populações urbanas e rurais.

A maior prova da marginalidade em que os índios vivem – está caracterizada no fato de que no interior do Amazonas, vivem isolados mais de 10 mil mulheres e homens tribais – fora ou desconhecidos pela civilização, desde os anos de 1990, quando foram vistos de cima do avião, sem roupas e com um longo pau nas mãos, na expectativa de enfrentar o inimigo.

Na face desse isolamento reside a certeza do propósito sociocultural com toda a sua dimensão histórica de cinco séculos – para que os participantes mencionados fiquem à margem dos atos governamentais e políticos em todas as direções, do nascimento até à morte, como se fossem ou sejam excluídos pela maioria dos outros cidadãos esclarecidos.

Os acontecimentos conhecidos e desconhecidos.pelos pesquisadores da história política, econômica e social relacionadas com os naturais da terra, de qualquer época – são por demais comprovadores das misérias feitas aos habitantes pioneiros da geografia brasileira, desde os primeiros anos, apesar das numerosas reações adotadas por alguns grupos e pessoas.

Na verdade, sem contrariar o pouco que foi estabelecido em favor deles, a grande maioria dos estrangeiros e brasileiros, preferiu concordar e aceitar as ondas de extermínio sob o nome da paz e prosperidade, segundo as pretensões dos mais expressivos governantes decididos pela eliminação de quem “não tinha fé, nem lei” vivendo como animais ou bichos.

Hoje em dia, por incrível que pareça, depois do genocídio de quase 300 anos, efetuado em diversos períodos – AINDA estamos comprometidos com as injustiças, perseguições, abandono e até mesmo a morte de nossos antecessores marginalizados e oprimidos nas matas dos animais ferozes, sob a esperança da extinção de vida desde a infância e juventude.

Nas escolas, reuniões sobre história e cultura, universidades, seminários e congressos feitos no Brasil e exterior os indígenas são mencionados com estudos teóricos e práticos, mostrando o longo filme de heróis e bandidos, destituídos de conclusões objetivas ou sistemáticas – como planos de ação sobre a questão secular do ostracismo, desprezo e abandono indígenas.

Parece que tudo isso é mentira, mas a verdade continua voando no espaço em que vivemos, sendo levada pelos ventos, inclusive do Nordeste – onde foram praticadas as maiores carnificinas de crianças, adultos e velhos índios indefesos e inocentes pela ignorância aos direitos e deveres naturais sonegados pelas autoridades civis e militares em nome da civilização.

O tempo passou, mas a miséria ficou – para os habitantes primitivos do Brasil que abriram, pacificamente, as portas das terras de grandes riquezas para as gerações seguintes de homens e mulheres que se vêm sucedendo por 500 anos, sobre a vida e o sangue de toda a natureza explorada, desgastada e bastante dizimada desde o princípio até a fase atual.

As lideranças, juntamente com os seus povos, por si sós, têm feito numerosas lutas com a finalidade de recuperar os seus direitos, mas, portanto os resultados são por demais insuficientes para a solução dos seus constantes impasses, de preferência os relacionados com a terra onde trabalham ao seu modo – para a plantação e colheita dos alimentos básicos e indispensáveis à vida.

Na sociedade civil verde-amarela – ainda está para surgir a mulher=homem solidário, consciente, responsável e determinado para pensar, falar e fazer de maneira relativa e coerente sobre os indígenas que não tiveram os meios para compreender, nem assimilar os caminhos que eles esperam.

Os políticos e governantes se dizem interessados e capazes de evitar que sejam praticados os massacres, expulsão e a paulatina extinção das tribos, apenas nos momentos e circunstâncias de crises repetidas que após alguns dias e semanas deixam de ocorrer e voltam ao silêncio, semelhante ao “fogo de monturo” que se repete ou tem prosseguimento.

Com decisão e organização – temos a esperança de que seja constituído um grupo de pessoas para o trabalho educacional, social, cultural, político e econômico ao lado dos índios – visando solucionar os problemas mais urgentes, como também os que ficaram na história e cultura de modo aleatório, incompleto e confuso que marcam a pobreza do bom-senso e objetividade.

A presidente Dilma Roussef sabe e conhece tudo isso, juntamente com seus auxiliares, motivo pelo qual poderiam examinar toda esta questão e aplicar as medidas necessárias, além dos incentivos adequados - para que os nossos povos tribais sejam atendidos ou retirados da miséria marginal em que vivem, apesar de

serem uma minoria excluída da sociedade.

Se a nova presidente, quando esteve na Barreira do Inferno – Natal, durante o Carnaval, tiver tomado conhecimento da revolta de cinco mil índios em 1649, pela expulsão dos colonizadores estabelecidos no RN, sem haver atingido o que eles pretendiam, pois foram perseguidos e mortos, então o encaminhamento deste assunto poderia ser feito.

Recorde-se que durante os anos de 1960-70 os estudantes e universitários de vanguarda, mais precisamente os esclarecidos e politizados tiveram a coragem e disposição de se organizar, politicamente, para combater os governantes da tirania militar e civil, pelo que foram, também perseguidos, desaparecidos e mortos, sem a contemplação de seres humanos livres.

Na expectativa da liberdade e dignidade – olhamos agora, para o Oriente Médio sob as revoltas iniciadas pelos jovens universitários para que as injustiças dos governantes tirânicos – sejam extintas daqueles países com mais de cinco mil anos de história sob os regimes truculentos e sanguinários dos faraós, monarcas e outros tipos de governos absolutos e ditatoriais.

Quem não olhar o mundo atual – na expectativa da liberdade, dos direitos humanos e demais valores sócio-culturais – está fora da nova realidade que avança sem parar, levando a mensagem para que todos sejam unidos com os novos objetivos para os avanços globais e infinitos..*Jornalista, Sociólogo-UFRN.



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