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Artigos-->Cultura da Coerência -- 24/05/2011 - 08:11 (Arlindo de Melo Freire) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Cultura da Coerência

Arlindo Freire*



Na escuridão do universo das matas em que vivem – os indígenas sabem o que é coerência, respeitam a sua cultura, defendem a liberdade e a consciência em torno dos seus valores, vivem sob a diversidade e têm a solidariedade, além do amor e estima aos seus semelhantes, bem como aos animais e vegetais.

Como se explica esse condicionamento raramente alterado no meio desses povos que continuam sendo sacrificados pelos civilizados?

Resposta simples e objetiva, sem depender de estudo e pesquisa, mas apenas de informações adquiridas e repassadas pelos visitantes do meio em questão, com poucos fundamentos ou comprovações, raramente modificados de modo exógeno sobre o comportamento dos índios – vivendo além da civilização ou de raros contatos com os semelhantes – homens e mulheres que se consideram poderosos.

Entre os superiores civilizados existe uma mulher que depois de se alimentar com a carne de cobra assada e cozida, em atendimento às suas necessidades, durante as secas e pobreza, na velha Bahia, preferiu humilhar, diante do público, a quem participava de reunião fazendo a defesa dos indígenas com exemplos de organização social que não foram considerados pela maioria dos presentes.

Quais os motivos que fazem com que os indígenas mantenham o silêncio, desconfiança e suspeita sobre as pessoas que se dizem civilizadas?

Nos mais de cinco séculos da História Brasileira e Latino-Americana – temos o etnocídio

praticado, concretamente, sem dó e piedade, pelos “civilizados” de forma lenta e progressiva com fins econômicos, raciais e políticos, sem haver sinais de mudança ou correção na atualidade, apesar de protestos e lutas contrários por diversos grupos e entidades que continuam fazendo numerosos esforços com essa finalidade.

Existe algum ser humano sem cultura que possa resistir a tudo isso?

Os homens e mulheres esclarecidos – poderiam examinar e analisar essa ocorrência – tirar suas conclusões, fazer o juizo de coerência e respeito à dignidade humana, partindo de si mesmo – para chegar aos demais seres humanos, inclusive o indígena esquecido e abandonado que deu orígem ao que somos com a dimensão superior a 190 milhões de pessoas que pretendem, de alguma maneira – ter seus direitos e deveres.

No meio dessa miséria – recorde-se que até mesmo os grupos religiosos do cristianismo, desde o tempo da colonização – fizeram muitos benefícios aos índios, assim como na atualidade, com seus trabalhos organizados em favor de numerosas tribos, ao mesmo tempo em que causaram desvios culturais sob a revolta dos nativos, contrariando ainda mais os seus costumes e formas de pensar.

Os mitos religiosos dos povos tribais – foram destruidos ou negados em troca de outras religiões, especialmente do cristianismo introduzido pelos missionários católicos e protestantes incubidos de fazerem a conversão e “salvação” das populações em efeito,

razão pela qual milhares de indivíduos deixaram suas tribos em busca de outros locais para viver e morar.

Pela falta de esclarecimento, informação e conhecimento – os indígenas vivem no desconhecimento dos fatos comparativos entre eles e os civilizados, como por exemplo no tocante à educação de seus filhos sob a tradição e experiência dos país e avós, através da história oral narrada frequentemente por estes – para que seja assimilada pelas crianças, adolescentes e jovens no meio das famílias.

Nesses encontros, os meninos e meninas, sem e com escolas, recebem os ensinamentos

feitos pelos familiares idosos, sempre considerando, como ponto de partida, o que foi realizado na vida dos seus ancestrais, toda a natureza, os mitos e tabus, além das crenças e superstições que fazem a cultura geral, juntamente com os acontecimentos marcantes e heróicos.

As narrativas são recebidas e mantidas pelos jovens e adultos, na escala progressiva, durante toda a existência de cada ser humano tribal, até mesmo quanto à religião tradicional, sem esquecer a fidelidade aos pais e tampouco ao Honrar Pai e Mãe, conforme o quarto mandamento da Lei de Deus em que mais de 20 por cento dos católicos brasileiros deixam de cumprir esse dispositivo da Igreja fundada no início da era cristã – passando de uma para outra religião.

Na configuração dessa incoerência religiosa dos brancos católicos diante dos índios, estes se afirmam de modo relativo com palavras e definição que marcam a sua personalidade de firmeza na opção do que foi adquirido, deixando de lado a influência de pessoas e grupos interessados na conquista de outros para o rebanho criado, segundo a vontade individual e grupal.

Se formos olhar o meio de produção nas tribos com relação aos civilizados – aí foi aberto o profundo abismo, de alcance talvez imensurável em que o ser humano vai caindo no fundo do poço, desde o momento em que nasceu no regime econômico do capitalismo das obrigações e deveres com o mínimo dos direitos para a sobrevivência.

Este é mais um motivo para a grande distancia entre os dois, em todo o decorrer da história, pois assim os indígenas conseguem se manter – na produção socializada ou dividindo os seus bens com quem estiver sem os meios para atender às suas necessidades, de preferência com relação aos alimentos, diariamente, dentro das ocas e tabas, assim como fora delas.

Na pobreza e riqueza do espírito indígena – estão os sinais de predominância da solidariedade petrificada no tempo e espaço da história primitiva resultante de hábitos

constantes e tradicionais – nascidos e passados de uma para outra geração, através de

exemplos e teorias inconfudíveis, ao contrário do que se verifica com os povos modernos do modismo que se repete com o “abrir e fechar de olhos”, como efeito das imagens criadas nos momentos de euforia.*Jornalista, Sociólogo-UFRN.

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