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Ensaios-->Psicologia Infantil -- 25/06/2002 - 07:51 (Alessandro Martins) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Nada não...
Como assim, “nada não”’? Perguntava insistentemente o Bastião da Inêis ao caçula que acabava de chegar em casa com tamanha cara de espanto.
Meu filho, o que você tem, fala pro seu pai...
Nada não... Dizia o coitadinho pela décima enésima vez. Nada não...
Preocupado como se via, o Bastião não teve outra saída a não ser buscar consolo em Dona Inês. São as únicas horas em que as mulheres prestam para alguma coisa, pensava em sua arrogância rebatida pela insistência do moleque em dizer “nada não”. Psicologia, Tião! E disto que o menino precisa... Diz aqui para sua mãe Osvardo, ocê chegou tão assuntado, em deixar a gente entender... O que é que você tem?
Nada não...
Paciência, Inêis! É disso que a Sra. Precisa... Com um tom muito irônico, Bastião tentava puxar novamente para si o cunho da situação. Mas a sua Inêis não dava tréguas: paciência vai ter que ter você. Eu sei muito bem como lidar com o menino... Nada não, heim? Então diz para a mamãe o que é nada não.
Nada!
Nada?
Não!
Não? Não entendi filhote, explica para a sua mãe. Nada não...
Dona Inês mostrava seus olhos de irritabilidade ao tempo em que o Bastião mostrava seus quatro únicos dentes numa alta gargalhada. Nada não, remedava Bastião, nada não... Vamos, arranque alguma coisa dele. Mas Inês não queria se amargar à derrota, mandou, embora em vão, que o marido calasse a boca e continuou com sua psicologia. Então Osvaldo, quer dizer que você não tem nada?
Não...
Mas como assim, o que não é nada? Nada...
No auge da exaustão de Inês, Bastião, com menos paciência do que tentava impor à esposa, resolve apelar para força bruta pegando o moleque pelo braço:
Vai me dizer agora o que é que não é nada.
NÃO!!!
Pare com isso, Bastião, não ta vendo que o Osvaldo não tem nada.
NAO!!!
Não me diz o que fazer, mulher. Esse menino já tá enchendo o raio da paciência... Quando os olhos do menino se fecharam para não ver a primeira palmada que ia sentir, abre-se no repente a porta dos fundos:
Cadê o Osvardo? Onde ele tá’?
Que é que foi, Beto, pergunta Bastião ao Gilberto, filho mais velho que acabava de entrar em desesperada procura pelo caçula. O pai, indignado, foi logo perguntando o que estava acontecendo.
Nada não, responde o mais velho.
“Tião”, seus olhos tão “envermelhando”, fica “carmo” “ome”... Era inevitável uma explosão naquele momento, Bastião enfureceu-se por ouvir, não se sabe por qual vez, o tal de nada não.
Olhe aqui, Beto, o Osvardo tá repetindo, não sei desde que horas, nada não, nada não, nada não. Eu nem sei o que é que ele tem. Um de vocês dois vai ter que me explicar direitinho o que tá acontecendo...
Olha pai, o Zé Mané ai...
Quem’?
O Osvardo... Ele foi lá na nossa turma quando a gente tava batendo tapão.
Tapão?
É, a gente bate num monte de figurinhas no chão e as que virarem ficam com a gente. Aí, o Osvardo perguntou o que a gente tinha na mão e a gente falou que não era nada não. De repente, a gente entrou numa briguinha...
Briguinha’?
É, coisa “atoa”... O Osvaldo aproveitou e pegou todas as figurinhas que estavam no chão. Saiu correndo falando que o nada não agora era dele.
Dona Inês, pensando ser agora a dona da situação com sua psicologia, disse ao menino:
Osvaldo, devolve o “nada não” para o Gilberto porque é dele.
Com muito choro, o coitadinho devolveu o maço de figurinhas ao irmão, que acabava de ir se entender com o pai e tentar, embora em vão, explicar o que era a tal briguinha.
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