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Ensaios-->QUASE UMA LENDA -- 25/05/2003 - 18:15 (Wilson Coêlho) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Numa França já burguesa e ainda feudal, nasce em Paris o poeta François de Montcorbier, ou François des Loges, ou – como hoje é lembrado o autor de “Le Lais” (ou Legado) – François Villon. Desse nascimento de origem simples , alguns datam de 1431, outros ficam em dúvida entre 1429 e 1430. De sua morte, ninguém sabe, pois não existe nenhum registro, apenas se sabe que depois de 1462 não se teve mais nenhuma notícia desse poeta “obsceno, cínico, maldoso, iníquo, sofredor, arrependido, sórdido e sublime”, conforme – é claro – a fala de alguns de seus biógrafos. Também se sabe que, tendo ficado órfão muito cedo, fora adotado pelo cônego de Saint-Benoît-le-Bétourné e professor de Direito Canônico, mestre Guillaume de Villon, do qual assumiu o nome.
Em 1443, quando tinha apenas 12 anos de idade, através de mestre Villon, ingressou-se na Faculdade de Artes da Universidade de Paris que, na época, era considerada um estado soberano dentro das muralhas da heróica capital da França. Fez-se bacharel em 1449 e, logo em seguida, fora licenciado (maio de 1452) e mestre em artes (agosto de 1952).
O poeta de uma França de lobos devorando gente vida, abalroada de tavernas que se alimentavam de libertinas vazando pelo ladrão, é quase uma lenda, mas não faz muita diferença, nos tempos que correm, onde a ficção e a realidade se estabelecem fronteiras apenas na perspectiva do olhar. Bem diferente da romântica Belle Époque, a França de François Villon, em fins da Idade Média e vinculada à tradição realística do século XIII, tem como cartão postal a desordem das coisas convertidas em ordem natural.
A vida aventurosa e até mesmo marginal de François Villon, acidentada de crimes e prisões, motivo pelo qual acaba por adotar nomes diferentes, tem um grande reflexo em sua obra que – por muitos – faz com que seja considerado o primeiro poeta moderno da França. O que o lança no universo da poesia moderna é, justamente, ser ele uma espécie de espelho de uma era de transição, onde o homem se libertava lentamente da ilusão teocêntrica e, ao mesmo tempo, inaugurava – a partir da consciência de si mesmo e a capacidade de revelar-se como um microcosmo dentro do macrocosmo. Mas ainda assim, para mantendo a dimensão do estético dentro da dimensão humana e, afirmando que “je connais tout, fors que moi-même” (tudo conheço, menos a mim mesmo), ele se propunha como enigma.
A obra de Villon, o que tem de grande na qualidade se equivale ao que tem de pequeno em quantidade, considerando que toda sua produção literária pode se reduzir a um volume que – em apenas duzentas páginas – é capaz de abrigar seus 320 versos do Lais, os 2.023 do Testamento e 16 outros poemas diversos.

Wilson Coêlho é graduado em Filosofia e Mestrando em Estudos Literários pela UFES
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